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Temer diz que Brasil acolhe venezuelanos, e mundo tem o dever de proteger refugiados

Carlo Allegri - Reuters
Imagem: Carlo Allegri - Reuters

Do UOL, em São Paulo

25/09/2018 10h54

Michel Temer citou a imigração de venezuelanos e falou sobre a necessidade do mundo de proteger os refugiados durante seu último discurso como presidente brasileiro perante à Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York, nesta terça-feira (25).

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Seguindo a tradição do principal evento anual da ONU, o chefe de Estado brasileiro foi o primeiro a discursar diante dos líderes mundiais.

Temer iniciou sua fala dizendo que a comunidade internacional precisa combater três tendências: intolerância, isolacionismo e unilateralismo. Sobre o primeiro item, ele afirmou que o Brasil tem respondido com "diálogo e solidariedade", abordando a questão dos refugiados e em seguida citando a onda de imigração de venezuelanos ao país.

"Contam-se mais de 250 milhões de migrantes em todo o mundo. Trata-se de homens, mulheres e crianças que, ameaçados por crises que se prolongam, são levados a tomar a difícil e arriscada decisão de deixar seus países. É nosso dever protegê-los", afirmou Temer.

Estima-se em mais de um milhão os venezuelanos que já deixaram seu país em busca de condições dignas de vida. O Brasil tem recebido todos os que chegam a nosso território. São dezenas de milhares de venezuelanos a quem procuramos dar toda a assistência

Em seguida, ele citou medidas que o governo brasileiro adotou em benefício aos refugiados venezuelanos, como a construção de abrigos, a oferta dos serviços públicos de saúde e de escolas para crianças e o processo de interiorização dos venezuelanos, que chegam em sua maioria na fronteira terrestre de Brasil e Venezuela, na cidade de Pacaraima (RR).

"Mas sabemos que a solução para a crise apenas virá quando a Venezuela reencontrar o caminho do desenvolvimento", prosseguiu.

No Brasil, temos orgulho de nossa tradição de acolhimento. Somos um povo forjado na diversidade. Há um pedaço do mundo em cada brasileiro

O estado de Roraima, centro da crise migratória venezuelana, não foi citado por Temer no discurso. A governadora Suely Campos (PP) faz críticas ao governo federal por sua atuação no gerenciamento do problema.

Temer fechou esse trecho citando a nova Lei de Migração, constituída no ano passado, e diz que a legislação "não apenas protege a dignidade do imigrante, mas reconhece os benefícios da imigração". "Ampliamos direitos e desburocratizamos exigências para ingresso e permanência no Brasil."

Conselho da Segurança, Israel, diálogo e solidariedade

Na sequência do discurso, Temer levantou uma bandeira tradicional da política externa brasileira: a reforma do Conselho de Segurança da ONU, ao qual o Brasil historicamente pleiteia uma vaga.

Precisamos fortalecer esta Organização. Precisamos torná-la mais legítima e eficaz.

"Precisamos de reformas importantes – entre elas a do Conselho de Segurança, que, como está, reflete um mundo que já não existe mais. Precisamos, enfim, revigorar os valores da diplomacia e do multilateralismo", completou.

Temer falou sobre o tema quando abordava a questão do "combate ao unilateralismo", adotando um discurso que contrapõe a política externa de Donald Trump. Desde que assumiu o poder, no começo do ano passado, o presidente americano entrou em conflito com União Europeia, China e outros países por seu foco nos interesses econômicos dos Estados Unidos em detrimento dos aliados.

Segundo Temer, o combate ao unilateralismo se faz com "mais diplomacia". "E o fazemos imbuídos da convicção de que problemas coletivos demandam respostas coletivamente articuladas. Daí o significado maior da ONU: esta é, por excelência, a casa do entendimento."

O presidente brasileiro também citou outra posição histórica brasileira ao defender a solução de dois Estados para Israel e Palestina, dizendo que o Brasil almeja ver os dois povos "vivendo lado a lado, em paz e segurança".

Temer também citou a Guerra da Síria, que começou em 2011 e "já se estende há tempo demais", segundo o brasileiro, afirmando que o país doou uma tonelada de medicamentos e vacinas para crianças atingidas pelo conflito. "Temos, ainda, acolhido número expressivo de refugiados", ressaltou.

É, reafirmo, com diálogo e solidariedade que venceremos a intolerância, que construiremos a paz.

Quando falou sobre isolacionismo, Temer disse que o Brasil "responde com mais abertura, mais integração". "O Brasil sabe que nosso desenvolvimento comum depende de mais fluxos internacionais de comércio e investimentos. É na abertura ao outro – e não na introspecção e no isolamento – que construiremos uma prosperidade efetivamente compartilhada", disse Temer, afirmando que o país leva adiante "uma política externa universalista".