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No G20, Temer diz não acreditar que Bolsonaro vá abandonar Acordo de Paris

ALEJANDRO PAGNI/AFP
O presidente do Brasil, Michel Temer, após aterrisar em Buenos Aires para o encontro do G20 Imagem: ALEJANDRO PAGNI/AFP

Talita Marchao

Do UOL, em Buenos Aires

30/11/2018 18h56Atualizada em 30/11/2018 19h52

Em entrevista aos jornalistas durante a cúpula do G20, o presidente Michel Temer (MDB) afirmou não acreditar que o governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), abandonará o Acordo de Paris. “Não vejo atitudes do novo governo em detrimento para o meio ambiente. As teses de meio ambiente terão o apoio do presidente eleito”, disse Temer, ao ser questionado sobre as declarações do presidente francês, Emmanuel Macron, sobre uma possível saída brasileira do pacto.

“Não creio que haverá modificação nessa posição. Não tenho nenhum dado concreto que me permite ver outra posição”, disse Temer. O presidente disse ainda ter convicção de que os integrantes do novo governo irão equacionar devidamente esta questão. "Estas questões são levantadas, mas depois serão devidamente equacionadas". 

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Temer, que mais cedo manifestou apoio ao Acordo de Paris durante a reunião informal dos Brics, com líderes de China, Rússia, Índia e África do Sul, afirmou ainda que Bolsonaro não mandou nenhuma mensagem aos futuros colegas do bloco em relação ao clima. “Aqui não se colocou a matéria”, afirmou. Segundo Temer, o único recado de Bolsonaro foi que o Brasil vai acolher “com muito gosto a reunião dos Brics, que serão acolhidos com muita alegria no nosso país”.

Nesta semana, o Itamaraty anunciou que retiraria a candidatura para a realização da COP-25 no Brasil. O presidente eleito, Jair Bolsonaro confirmou que a medida foi tomada a pedido dele.

O presidente falou ainda sobre os trabalhos da transição com Bolsonaro e, segundo Temer, tem sido uma "das transições mais civilizadas e cordiais. É uma obrigação". 

Temer ainda mostrou surpresa ao ser perguntado sobre declaração de Bolsonaro de que a reforma da Previdência "não está sendo justa". "Não podemos querer salvar o Brasil matando idoso", disse Bolsonaro nesta sexta no interior de São Paulo.

"Interessante", afirmou apenas Temer, aparentemente mostrando não ter conhecimento da afirmação do seu sucessor.

Em seguida, o emedebista defendeu a proposta do atual governo, dizendo que ninguém a leu. "Nossa reforma é de uma suavidade extraordinária. Ninguém leu, poucos sabem que a mudança de 55 para 60 anos levará 20 anos", disse, ressaltando que não haveria "nenhum agravo aos idosos". A idade mínima, segundo ele, seria "suavemente conquistada".

Discurso contra o protecionismo

Pouco antes, o presidente Michel Temer defendeu em discurso que o que chama de "sistema multilateral de comércio e seu mecanismo de solução de controvérsias" e criticou o protecionismo econômico. Temer ainda citou o Mercosul como um exemplo de integração no continente, fazendo menção ao Acordo de Livre Comércio entre o Brasil e o Chile.

"A história nos ensina que um sistema internacional de comércio mais livre e baseado em regras que sejam, exata e precisamente, produtos de consensos abrangentes, contribuem para ampliar os fluxos globais de bens e serviços; para modernizar e dinamizar as economias nacionais; para gerar crescimento, empregos e renda", disse o presidente.

Para Temer, o protecionismo, em um primeiro momento, pode ser positivo para os países, mas no final todos vão perder. "Não é o que queremos. O que queremos, e aquilo por que trabalhamos, é um mundo no qual, na busca incansável de consensos, possamos encontrar o caminho do desenvolvimento – desenvolvimento para o maior número de países e de indivíduos", afirmou.