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Battisti chega à Itália após 37 anos de fuga

Do UOL, em São Paulo

14/01/2019 08h41Atualizada em 14/01/2019 14h27

O terrorista italiano Cesare Battisti, 64, desembarcou por volta das 11h30, do horário local, (8h30 no horário de Brasília) desta segunda-feira (14) no aeroporto de Ciampino, em Roma, após ser entregue na tarde de ontem às autoridades italianas no aeroporto de Viru Viru, em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia.

Battisti deixou a Itália após fugir da prisão, em 1981, e nunca mais retornou ao país. Ele foi capturado no sábado (12) por agentes bolivianos em parceria com italianos após fugir do Brasil, onde era buscado pela PF (Polícia Federal).

Ao desembarcar, as primeiras palavras de Battisti em solo italiano teriam sido "Agora sei que vou para a prisão", segundo jornal La Repubblica. O periódico diz ainda que ele aparentava serenidade durante o voo.

O terrorista foi levado para a prisão de Oristano, na Sardenha. Ele iria para Rebibbia, que fica nos arredores de Roma, mas o destino foi mudado por questões de segurança, segundo o ministro da Justiça da Itália, Alfonso Bonafede. Battisti começará a cumprir a pena de prisão perpétua a qual foi condenado em 1991.

Segundo a Ansa (Agência Italiana de Notícias), o terrorista ficará sozinho em uma cela e cumprirá um regime de isolamento diurno já a partir desta segunda-feira. Este deve ser o primeiro regime carcerário imposto a Battisti. Posteriormente, ele será transferido para a ala de segurança máxima, reservada a terroristas. 

O cumprimento da pena de prisão perpétua só foi possível já que ele foi preso na Bolívia, país que não possui acordo de extradição com a Itália. Battisti foi expulso do país sul-americano. Caso tivesse sido extraditado do Brasil, ele poderia cumprir até 30 anos de prisão, por conta de uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).

Battisti é levado por policiais italianos ao desembarcar no aeroporto de Ciampino, em Roma - Alberto Pizzoli/AFP
Battisti é levado por policiais italianos ao desembarcar no aeroporto de Ciampino, em Roma
Imagem: Alberto Pizzoli/AFP

Considerado terrorista pelas autoridades brasileiras e italianas, Battisti foi condenado pelo assassinato de quatro pessoas na década de 1970, quando integrava o grupo Proletários Armados pelo Comunismo, um braço das Brigadas Vermelhas.Em 1991, a sentença foi confirmada pela Corte Suprema italiana (Cassazione).

Battisti diz ser inocente. Em um pedido de asilo enviado ao governo do presidente boliviano Evo Morales, no final de 2018, o italiano ainda lamentou que a "nefasta coincidência" da chegada ao poder de dois governos de extrema-direita no Brasil e na Itália. Ele diz ter sido este o motivo da fuga para a Bolívia.

Após fugir da Itália na década de 1980, Battisti se escondeu em Paris e logo depois foi para o México. Depois de 10 anos em território mexicano, ele voltou a fugir para a França onde viveu por 15 anos sob proteção do Eliseu, mas teve que deixar o país com a mudança de governo. 

Em 2004 fugiu para o Brasil e viveu foragido até ser preso em Copacabana, em 2007. Foi solto em 2011, após o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) negar a extradição e conceder-lhe o status de refugiado político. 

Em 2017 voltou a ser preso, desta vez na Bolívia, mas três dias depois estava livre novamente. Após o ex-presidente Michel Temer autorizar a extradição no final do ano passado, voltou a ficar foragido em dezembro do ano passado até ser preso neste sábado, em Santa Cruz de la Sierra.

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