PUBLICIDADE
Topo

Internacional

Tiros e cremações: Brasileira relembra o que viu na Praça da Paz Celestial

Foto publicada por Adriana Abdenur no Twitter sobre o massacre da Praça da Paz Celestial - Reprodução/Twitter
Foto publicada por Adriana Abdenur no Twitter sobre o massacre da Praça da Paz Celestial Imagem: Reprodução/Twitter

Talita Marchao

Do UOL, em São Paulo

03/06/2019 17h31

Adriana Abdenur, coordenadora da Divisão de Paz e Segurança do Instituto Igarapé, compartilhou em suas redes sociais a experiência de ter vivido em Pequim, na China, na época do massacre da Praça da Paz Celestial, há 30 anos.

Filha do embaixador Roberto Abdenur, que servia na capital chinesa, Adriana postou imagens de seus diários e fotos tiradas na época em que era adolescente na cidade, além de ter relatado as dificuldades na época, como viver na embaixada sob lei marcial chinesa.

Em 4 de junho de 1989, o governo chinês acabou com as seis semanas de protesto pró-democracia na Praça Tiananmen. Tanques de guerra atropelaram os manifestantes, e soldados abriram fogo indiscriminadamente com metralhadoras. Até hoje não se sabe o número de mortos no massacre --acredita-se que até 5.000 pessoas tenham morrido.

Em outro trecho, do dia 3 de junho, véspera do massacre, Adriana conta como ficou impressionada ao ver os caminhões militares nos arredores da praça. "Notei que as pessoas estavam subindo um degrau de cimento em direção à cerca. Escalei isso e o que vi me fez perder o fôlego: uma fila de caminhões, cada um com sua cobertura de lona verde militar, correndo (...) para onde os olhos podiam ver. As pessoas estavam ao redor nos caminhões, gritando para os soldados alarmados. Notei algumas crianças."

Adriana contou ainda que até tentou deixar a embaixada, mas não teve permissão. "Os tanques estão chegando", disseram. E ela não teve como se despedir do namorado:

Ela descreve ainda como foi a madrugada do dia 4 de junho, quando houve o massacre na Praça da Paz Celestial, onde cerca de 1 milhão de pessoas estavam acampadas. Na foto, tirada durante a manhã, ela relata a cremação das vítimas do massacre.

Adriana narra ainda como foi a retirada dos brasileiros de Pequim e diz que viveu por uma semana sem deixar o prédio da embaixada.

Segundo ela, a família do diplomata deixou Pequim em um voo de uma empresa comercial rumo ao Japão, já que o Itamaraty não mandou avião para remover os brasileiros do país.

Internacional