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Mar para Bolívia, Lula Livre e Malvinas argentinas: o que o Foro de SP faz?

Imagem do primeiro encontro do Foro de São Paulo, em 1990 - Reprodução/forodesaopaulo.org
Imagem do primeiro encontro do Foro de São Paulo, em 1990 Imagem: Reprodução/forodesaopaulo.org

Talita Marchao

Do UOL, em São Paulo

27/07/2019 04h00

Termina amanhã a 25ª reunião do Foro de São Paulo, que neste ano é realizado em Caracas, na Venezuela. O encontro deve apoiar Nicolás Maduro como presidente da Venezuela enquanto mais de 50 países reconhecem a autoridade do autoproclamado presidente Juan Guaidó.

O UOL consultou as declarações emitidas pelo Foro de São Paulo nas últimas seis edições passadas para explicar o que é debatido e deliberado nestes encontros. Algumas demandas são mantidas ano a ano, como o apoio à demanda da Bolívia por uma saída para o Oceano Pacífico e da Argentina pela posse das ilhas Malvinas. Algumas declarações pedem até mesmo a libertação da Guiana Francesa, território francês na América do Sul.

A edição do ano passado, por exemplo, realizada em Cuba, pediu a liberdade imediata do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso desde abril de 2018. O documento demandou ainda a "descolonização total do Caribe" e a independência de Porto Rico, ilha oficialmente considerada como Estado Livre Associado dos EUA. O Foro pedia ainda a retirada das tropas da Minustah no Haiti, ainda que a missão da ONU liderada pelo Brasil tenha sido encerrada no ano anterior.

Em 2017, na edição realizada na Nicarágua, outras demandas comuns são destacadas, como a devolução do território de Guantánamo, onde fica a prisão dos EUA, para o governo cubano, e a retirada de todas as bases norte-americanas da região.

Já a reunião de 2016 elogia Maduro pela "iniciativa de diálogo promovida pelo governo revolucionário venezuelano, (...) proposta que vem ganhando cada vez mais respaldo nos níveis continental e mundial". Ela cita ainda que o "golpe de Estado contra a [então] presidenta Dilma Rousseff [PT] é parte da contraofensiva imperial que será derrotada pelas forças populares em todo o continente" e pede ainda pela defesa dos direitos dos imigrantes nos EUA.

No evento de 2013, realizado em São Paulo no mesmo ano dos protestos que atingiram todo o Brasil, o documento simpatiza "com a posição da presidente Dilma Rousseff e das forças esquerdistas e progressistas brasileiras em reconhecer a importância da voz das ruas, avançar no caminho da mudança e impedir que esse caminho leve a um revés nas conquistas já alcançadas".

Mas o que é o Foro de São Paulo?

Fundado por Lula e Fidel Castro, o grupo foi criado em 1990 a partir de um seminário promovido pelo PT e reúne os principais partidos de esquerda da América Latina e do Caribe. O que deveria ser um espaço para debates transformou-se em um fórum sem eficácia prática. Para analistas, atualmente pode ser considerado mais importante para a direita do que para a esquerda.

A edição deste ano foi esvaziada, sem a presença da presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PT-PR) e do presidente da Bolívia e candidato à reeleição, Evo Morales. Ambos mandaram representantes de seus movimentos, mas não participarão pessoalmente do evento.

Nesta semana, durante a reunião do Grupo de Lima, criado para buscar uma solução democrática para a Venezuela, o Brasil conseguiu incluir uma declaração contra o Foro de São Paulo no documento final --mesmo que para os demais países da organização o Foro não tenha tanta importância. A declaração registra o "rechaço aos fóruns e movimentos --como o autointitulado "Foro de São Paulo"-- que pretendem atuar em defesa do ilegítimo regime ditatorial de Nicolás Maduro".

Nos últimos dias, integrantes do governo de Jair Bolsonaro (PSL) fizeram questão de destacar a realização do encontro. Segundo o presidente brasileiro, o grupo, que tem o"objetivo de dominar a América Latina", se reúne para "discutir seu Projeto de Poder Totalitário".

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