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Não devemos interferir no processo eleitoral de outro país, diz Maia

12.ago.2019 - O presidente da Câmara dos Depuados, Rodrigo Maia, no Roda Viva - Reprodução/TV Cultura
12.ago.2019 - O presidente da Câmara dos Depuados, Rodrigo Maia, no Roda Viva Imagem: Reprodução/TV Cultura

Do UOL, em São Paulo

13/08/2019 09h51

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), discordou da posição do presidente Jair Bolsonaro sobre o resultado das eleições primárias na Argentina e disse que não deve haver interferência de um país no outro.

"Eu não acho que a gente deva interferir no processo eleitoral de outro país", afirmou Maia durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite de ontem (12). "Eu acho que, no processo eleitoral, a gente deveria primeiro aguardar o resultado para depois tomar qualquer tipo de atitude, senão fica parecendo uma tentativa de interferência."

Na segunda-feira, Bolsonaro afirmou que não gostaria de ver "irmãos argentinos fugindo para o Brasil" caso a "esquerdalha" volte ao poder na Argentina. A declaração do presidente fazia referência à derrota de seu aliado Mauricio Macri para a chapa de oposição, que tem Alberto Fernández como candidato à presidência e a ex-presidente Cristina Kirchner como vice, nas eleições primárias do país vizinho no último domingo (11).

Segundo Maia, as declarações de Bolsonaro não ajudam na relação com os argentinos e pode até mesmo prejudicar a tentativa de reeleição de Macri. "Eu não sei se essa tentativa de interferência é real ou não. Mas sendo, eu acho que talvez dê voto e até consolide o voto para a chapa da ex-presidente Kirchner. Ninguém gosta de ver uma interferência de um país no outro", disse.

O presidente da Câmara afirmou, ainda, que, independente de quem saia vencedor nas eleições presidenciais da Argentina em outubro, o mais importante é que a política seja voltada para o desenvolvimento da região como um todo.

"A gente tem de acreditar que o Mercosul é relevante. Há pouco tempo firmamos um acordo [com a União Europeia] e reafirmamos a importância do Mercosul. Não é porque o Macri pode ou não perder essa eleição que essa importância [do Mercosul] vai acabar", declarou.

Vitorioso nas primárias da Argentina critica Bolsonaro

O candidato Alberto Fernández, vitorioso nas eleições primárias, criticou o presidente Jair Bolsonaro, a quem classificou de "racista, misógino e violento".

As declarações foram feitas horas depois que Bolsonaro disse que o Brasil poderia ver uma onda de imigrantes fugirem da Argentina se políticos de esquerda vencerem as eleições presidenciais de outubro, o que é uma forte possibilidade depois do resultado que conquistaram nas primárias de domingo sobre Macri.

"Em termos políticos, eu não tenho nada a ver com Bolsonaro. Comemoro enormemente que fale mal de mim. É um racista, um misógino, um violento... O que eu pediria ao presidente Bolsonaro é que deixe Lula livre e pediria que se submeta a eleições com Lula em liberdade", disse, em referência ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde o ano passado condenado por corrupção na operação Lava Jato.

"Com o Brasil, teremos uma relação esplêndida. O Brasil sempre será nosso principal sócio. Bolsonaro é uma conjuntura na vida do Brasil, como Macri é uma conjuntura na vida da Argentina", disse Fernández em uma entrevista ao programa "Corea del Centro", da emissora Net TV.

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