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Diplomata chinês diz que pauta amazônica não deve afetar relação com Brasil

Vista áerea de área desmatada na Amazônia, nos arredores de Humaitá (AM) - 22.ago.2019 - Ueslei Marcelino/Reuters
Vista áerea de área desmatada na Amazônia, nos arredores de Humaitá (AM) Imagem: 22.ago.2019 - Ueslei Marcelino/Reuters

Guilherme Mazieiro

Do UOL, em Brasília

23/08/2019 19h44

O ministro-conselheiro da China, Qu Yuhui, entende que a crise internacional sobre a questão amazônica não deve impactar nas relações comerciais do Brasil com aquele país. O diplomata encarregado por assuntos políticos da Embaixada em Brasília considera que parte da crise foi "fabricada" e que o Brasil tem um dos melhores padrões de preservação no mundo.

A China, principal parceiro econômico do Brasil, não se manifestou oficialmente sobre a questão amazônica e não há expectativa de posicionamentos sobre o tema, segundo o diplomata. No Ocidente, Estados Unidos, França, Irlanda e outros países europeus fizeram críticas às queimadas.

"Eu acho que algumas críticas não são muito bem fundamentadas. Claro, temos que identificar as informações falsas e verdadeiras para uma melhor conclusão. Mas parece que até agora algumas informações são um pouquinho exageradas. Por tanto, há uma crise um pouquinho fabricada. Eu acho. Pequim não tem um posição, mas é minha análise como quem trabalha aqui", considerou o diplomata.

Ele citou incidência de focos de incêndio ser maior nos últimos três anos. Os dados são os piores desde 2016, segundo o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e indicam aumento de 35,6% em focos de incêndio nos primeiros sete meses deste ano em relação ao mesmo período do ano passado.

Segundo o diplomata, algumas críticas feitas ao Brasil não são bem fundamentadas e há divulgação de informações falsas ou fabricadas.

"O Brasil tem sido consistente na proteção do Meio Ambiente. Não sou quem reconhece, mas a autoridade chinesa reconhece. Os critérios do meio ambiente são muito rigorosos no Brasil. Se não foi o mais rigoroso do mundo é um dos mais rigorosos", considerou.

Acordo Mercosul e União Europeia

Na análise de Yuhui, os países europeus, tradicionalmente, têm muitas restrições agrícolas em razão de questões ambientais. Mas apesar disso, ele entende que o impasse internacional não deve atrapalhar o andamento do acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul.

"Nós vemos com bons olhos o acordo. É um sinal de que dois importantes blocos defendem o multilateralismo. Nós queremos também que o Mercosul possa continuar a aumentar sua abertura, flexibilizar seu comércio com outros blocos, inclusive a China. Esse episódio esporádico, de crise um pouquinho fabricada, não vai impactar de forma essencial os acordos que o Brasil já fechou", disse ele.

O acordo entre Mercosul e UE foi postos em xeque hoje com declarações de líderes europeus que reclamam da situação ambiental do Brasil. Para vigorar, o acordo que foi negociado por 20 anos, precisa ser homologado pelo Parlamento de todos países envolvidos.

"Eles [europeus] são mais criteriosos nessa questão. Não acho que é um discurso econômico. Acho que tem mais a ver com os valores que os europeus acreditam e têm sido muito consistentes nessa área. Não apenas criticam o Brasil, mas outros países em desenvolvimento", avaliou.

Para bancada ruralista, no Brasil, as críticas europeias são para criar uma guerra econômica. Parlamentares se mobilizaram para fazer um tour na Europa para amenizar as declarações agressivas de Jair Bolsonaro (PSL).

"Nós sempre defendemos a economia verde. O mais importante é que o produto seja competitivo e bem aceito na China", afirmou Yuhui.

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