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Bolsonaro convoca gabinete de crise com ministros para tratar da Amazônia

Presidente da República, Jair Bolsonaro durante reunião da Comissão de Ética Pública - Isac Nóbrega/PR
Presidente da República, Jair Bolsonaro durante reunião da Comissão de Ética Pública Imagem: Isac Nóbrega/PR

Alex Tajra

Do UOL, em São Paulo

22/08/2019 22h28Atualizada em 22/08/2019 22h35

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) vai convocar todos os ministros de Estado para formar um gabinete de crise em função das queimadas que atingem a região amazônica. Hoje pela tarde, Bolsonaro já havia se reunido com alguns ministros como Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Tereza Cristina (Agricultura) para discutir as providências que serão tomadas para conter os incêndios. Amanhã, conforme apurou o UOL, uma reunião mais ampla será convocada.

O ministério do Meio Ambiente está trabalhando para consolidar dados e apresentar aos veículos de imprensa, o que deve ocorrer nos próximos dias. O decreto convocando os chefes das pastas para um comitê de crise foi publicado na noite de hoje em uma edição extra do Diário Oficial. A medida, segundo o governo, visa "preservação e a defesa da Floresta Amazônica, patrimônio nacional."

Hoje, questionamentos sobre os incêndios no principal bioma brasileiro e protestos -- incluindo do presidente francês, Emmanuel Macron -- se intensificaram. Nas suas redes sociais, o líder europeu afirmou que "nossa casa está queimando, literalmente" e convocou membros do G7, grupo que reúne as maiores economias do mundo, para discutir a situação na próxima reunião, a ser realizada na França no próximo fim de semana.

O posicionamento do líder francês gerou reações por parte do governo. Durante transmissão ao vivo nas suas redes sociais, Bolsonaro classificou a publicação de Macron como "desfaçatez" e, posteriormente, acusou-o de ter uma "mentalidade colonialista".

"O governo brasileiro segue aberto ao diálogo, com base em dados objetivos e no respeito mútuo. A sugestão do presidente francês, de que assuntos amazônicos sejam discutidos no G7 sem a participação dos países da região, evoca mentalidade colonialista descabida no século XXI", escreveu Bolsonaro.

Acusação aos produtores

Após acusar, sem evidências, que ONGs seriam as responsáveis pelas queimadas na região da Amazônia Legal, Bolsonaro afirmou hoje que "há suspeitas" de que produtores rurais estejam por trás dos incêndios que atingem o bioma. Assim como nas acusações contra ONGs, o presidente não apresentou qualquer prova de que produtores estariam envolvidos nas queimadas.

"Ajude-nos a combater isso daí. Você que é da região, você que é fazendeiro. Há suspeita que tem produtor rural que tá agora aproveitando e tacando fogo em geral aí. As consequências vêm pra todo mundo", disse durante transmissão ao vivo nas suas redes sociais.

Ao longo da transmissão, o presidente afirmou que incêndios são "comuns", fazendo menção ao estado norte-americano da Califórnia e diferenciando que no Brasil há um "viés criminoso". Antes de elencar as acusações, disse: "Quem que pratica isso? Não sei. Os próprios fazendeiros, ONGs, seja lá o que for, índios, seja lá o que for", disse.

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