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Gay e de "família política", conheça o rival de Sanders na prévia Democrata

O pré-candidato democrata Pete Buttigieg - Reuters
O pré-candidato democrata Pete Buttigieg Imagem: Reuters

Marcelo Oliveira

Do UOL, em São Paulo

13/02/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Ex-prefeito Pete Buttigieg disputa com Bernie Sanders a preferência dos democratas
  • Veterano de guerra, "o prefeito Pete" tem um delegado a mais que Sanders
  • Nos anos 70, um Buttigieg foi presidente em Malta, arquipélago no Mediterrâneo
  • Vencedor das primárias democratas disputará eleição com Trump em 3 de novembro

Político assumidamente gay, ex-veterano de guerra, filho de um migrante de Malta e ex-prefeito de South Bend, a quarta maior cidade do estado de Indiana, Pete Buttigieg (pronuncia-se Bu-ri-gé-ge), o prefeito Pete, de apenas 38 anos, surge até agora como o maior rival do senador Bernie Sanders, 78, na disputa do Partido Democrata que vai definir o adversário do Donald Trump nas eleições de novembro, nos Estados Unidos.

Caso vença a disputa interna entre os democratas e derrote Trump, Buttigieg será o primeiro presidente abertamente gay e o homem mais jovem a se tornar presidente dos Estados Unidos.

Já houve um presidente Buttigieg

O nome Buttigieg em Malta tem tradição na política. O segundo presidente do país, um arquipélago localizado no mar Mediterrâneo, entre a Sicília e a Tunísia, foi o poeta, jurista e jornalista Anton Buttigieg, que ocupou o cargo entre 1976 e 1981.

Apesar do mesmo sobrenome, o pré-candidato democrata esclareceu que o político maltês, mesmo tendo sido vizinho da família de seu pai na cidade de Hamrun, em Malta, não é seu parente.

"Buttigieg é como Smith em Malta. É o sobrenome mais comum". De origem árabe-siciliana, o nome significa "criador de galinhas", explica.

Disputa complicada

Por hora, Buttigieg é o vencedor das complicadas primárias de Iowa (tanto ele, como Sanders, segundo a Associated Press, pediram recontagem parcial da votação devido aos problemas causados por um aplicativo de celular não testado adequadamente que foi usado na apuração). Ele teve menos votos que Sanders, mas conseguiu, por ora, um delegado a mais.

Na segunda primária democrata, em New Hampshire, realizada ontem, Sanders venceu no voto e empatou no número de delegados com Buttigieg. Cada um levou nove votos para a convenção democrata, prevista para começar dia 13 de julho. Até o momento, o prefeito de South Bend e o senador têm, respectivamente, 22 e 21 delegados na convenção.

Buttigieg se torna, dessa forma, uma alternativa a Sanders na disputa democrata, batendo veteranos do partido como a vice-líder democrata no Senado, Elizabeth Warren, em terceiro lugar até o momento, com oito delegados, e o ex-vice-presidente Joe Biden, com 6 delegados, amargando uma humilhante quinta posição.

Super Terça pode mudar tudo

As próximas primárias, em Nevada e Carolina do Sul, colocam 90 delegados em disputa e a situação não deve sofrer grandes alterações até a Super Terça, dia 3 de março, quando os democratas de 14 Estados (entre eles Califórnia e Texas) e do arquipélago de Samoa, no Oceano Pacífico, elegerão 1.344 delegados.

É nessa data que o ex-prefeito de Nova York e ex-Republicano, Michael Bloomberg, magnata das telecomunicações, entra de fato na disputa e o quadro atual poderá mudar.

Pai imigrante

Buttigieg é filho de dois professores da Universidade de Notre Dame. O pai, Joseph, era um acadêmico maltês e a mãe, Jennifer, de uma família há muitos anos estabelecida em Indiana. Nascido em 1982, aos 17 anos ele disputou e venceu um concurso de ensaios da biblioteca John Kennedy, em Boston. O tema foi justamente a trajetória política independente de seu maior adversário na campanha até agora: Bernie Sanders.

Serviço militar

O ex-prefeito de South Bend estudou na renomada Universidade de Harvard e formou-se em História e Literatura. Foi estagiário de jornalismo investigativo da NBC, em Chicago, e trabalhou em campanhas políticas, tendo sido candidato derrotado à tesoureiro do Estado de Indiana, pelo partido Republicano. De 2004 a 2010, Pete trabalhou na iniciativa privada, em empresas de consultoria.

Em 2009, ele foi selecionado para a reserva da inteligência da Marinha e serviu por sete meses no Afeganistão, em 2014, em atividades de combate ao financiamento terrorista e também como motorista do comandante da base de Bagram, atividade que chamou jocosamente de "Uber militar".

Buttigieg também se notabilizou por ter aprendido um pouco de dari, uma língua derivada do persa falada no Afeganistão. Ele também fala maltês, espanhol, italiano, árabe, francês e um pouco de norueguês.

Prefeito

A primeira eleição para prefeito de South Bend ele venceu em 2011, sendo reeleito em 2015, ocupando o posto entre janeiro de 2012 e 1º de janeiro deste ano. Enquanto esteve no Afeganistão, Buttigieg foi substituído pelo vice-prefeito.

Assim que assumiu, Buttigieg enfrentou um esquema de grampo ilegal de telefones comandando pelo então chefe da polícia da cidade, que acabou demitido. Os áudios revelavam atos racistas e práticas ilegais por quatro policiais, que foram demitidos, mas não processados. A cidade tem pouco mais de 100 mil habitantes e enfrenta problemas de confronto de gangues.

Como prefeito, Buttigieg tomou medidas para a retomada do desenvolvimento da cidade, que pertencia ao cinturão fabril de Indiana e tinha muitos imóveis abandonados. Na sua gestão, ele lançou o projeto Smart Streets, no qual integrou as ciclovias ao sistema de tráfego local, reduzindo velocidade das vias e alargando calçadas.

Jornal "lançou" prefeito Pete

Seu nome apareceu nacionalmente em 2014 graças a uma reportagem do The Washington Post, que o definiu como o "Prefeito mais interessante do qual você nunca ouviu falar". Em 2017, ele tentou e perdeu a eleição para chefe do Comitê Nacional Democrata, mas seu nome seguiu em evidência.

Buttigieg, que é de fé episcopal anglicana, revelou sua orientação sexual em 2015, por meio de um artigo no South Bend Tribune, durante sua campanha de reeleição para prefeito. Ele é casado com Chasten Buttigieg desde 2018. Apesar de a condição ser conhecida, uma eleitora de Iowa pediu para cancelar seu voto no candidato ao descobrir, tardiamente, que o escolhido era homossexual.

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