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Irã emite mandado de prisão para Donald Trump e pede ajuda à Interpol

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fala em comício de campanha em Tulsa, Oklahoma - Leah Millis/Reuters
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fala em comício de campanha em Tulsa, Oklahoma Imagem: Leah Millis/Reuters

Do UOL, em São Paulo*

29/06/2020 08h24Atualizada em 29/06/2020 11h09

A Justiça do Irã emitiu mandado de prisão para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e mais 36 estrangeiros em referência ao ataque que matou o general Soleimani e outras pessoas em janeiro. De acordo com a TV Al Jazeera e a agência iraniana Fars, o governo iraniano está acionando a Interpol para ajudar a cumprir a ordem judicial.

O ataque feito com drones pelo governo Trump em 3 de janeiro, próximo ao aeroporto internacional de Bagdá, no Iraque, matou Qassem Soleimani, uma das principais personalidades militares do Irã.

O promotor iraniano Ali Alqasimehr afirmou hoje que Trump e mais 30 pessoas de seu governo estão sob acusação de "assassinato e terrorismo".

"36 indivíduos envolvidos ou que ordenaram o assassinato de Qassem, incluindo políticos e militares dos EUA e de outros governos, foram identificados, e oficiais judiciários emitiram mandados de prisão contra eles", disse Alqasimehr à agência iraniana Fars.

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O general de brigada Esmail Ghaani, apontado como o sucessor do iraniano Qassim Suleimani, general comandante das forças Quds, assassinado pelos EUA no começo de janeiro de 2020, com um ataque por drones no Iraque
Imagem: Tasnim/Reuters

Não foram identificadas as outras três dezenas de pessoas que o promotor quer processar, além de Trump, mas o mandado afirma que Trump será processado "assim que deixar a presidência".

A Interpol foi procurada pela Al Jazeera, mas ainda não comentou o mandado. O promotor também teria pedido um "alerta vermelho" no caso, o mais urgente da Interpol.

As chances de a Interpol aceitarem o pedido do Irã são baixas, já que em suas funções, há proibição de que a polícia internacional aja intervindo na política de outro país.

Relembre o caso

Soleimani, de 62 anos, liderou as operações militares iranianas no Oriente Médio como comandante da Força Quds, unidade de elite da Guarda Revolucionária do Irã. Ele era considerado uma espécie de ministro das Relações Exteriores do país em questões de guerra e paz e era a segunda pessoa mais importante do Irã.

O major-general foi morto quando sua comitiva deixava o aeroporto de Bagdá, junto a integrantes de uma milícia iraquiana aliada do Irã, em um bombardeio ordenado pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

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Foto de janeiro mostra veículo destruído perto de onde o comboio do general iramiano Qasem Soleimani foi alvo de ataque de drone dos EUA quando deixava o aeroporto de Bagdá, no Iraque
Imagem: AFP/HO/IRAQI MILITARY

O ataque aconteceu poucos dias após manifestantes invadirem a embaixada dos EUA em Bagdá, entrando em confronto com as forças americanas no local. E, de acordo com o Pentágono, Soleimani teria aprovado os ataques à embaixada.

Os manifestantes protestavam contra o bombardeio, no domingo passado, a bases do grupo Kataeb Hezbollah no Iraque e na Síria, em que pelo menos 25 pessoas morreram.

Os EUA afirmaram, por sua vez, que a ofensiva de domingo fora uma resposta a um ataque de míssil contra uma base militar no Iraque que matou um civil americano na sexta-feira passada.

*Com informações da Ansa

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