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Na ONU, EUA definem ataque que matou general do Irã como "legítima defesa"

"Agiremos de forma decisiva para proteger os americanos quando necessário", disse a embaixadora dos EUA na ONU, Kelly Craft - Spencer Platt/Getty Images/AFP
"Agiremos de forma decisiva para proteger os americanos quando necessário", disse a embaixadora dos EUA na ONU, Kelly Craft Imagem: Spencer Platt/Getty Images/AFP

09/01/2020 17h39

Nações Unidas, 9 jan (EFE) - A embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Kelly Craft, defendeu nesta quinta-feira, em reunião do Conselho de Segurança da organização, que o recente assassinato do general iraniano Qassim Suleimani foi um ato de "legítima defesa".

"O presidente (Donald) Trump deixou claro que seu maior e mais solene dever é defender nossa nação e nossos cidadãos, portanto, agiremos de forma decisiva no exercício de nosso direito inerente de legítima defesa para proteger os americanos quando necessário", disse.

A reunião do órgão máximo das Nações Unidas foi convocada em um momento de grande tensão entre Washington e Teerã, após o assassinato de Suleimani e o bombardeio, pelo Irã, de duas bases militares iraquianas usadas pelas forças americanas, o que desencadeou receios de um novo conflito armado.

O presidente Donald Trump baixou o tom belicoso em discurso que fez ontem na Casa Branca, optando por responder a esses ataque com novas sanções econômicas ao Irã e com pedidos para que potências como Reino Unido, França e Rússia rompam o acordo nuclear de 2015 com o país e negociem um novo pacto.

Para Craft, a decisão de Trump de realizar o ataque que matou Soleimani "foi uma resposta direta a uma escalada de ataques armados nos últimos meses pelo Irã e milícias pró-iranianas contra as forças e interesses dos EUA na região".

A diplomata americana também afirmou que o governo quer um futuro florescente para o Irã, assim como a prosperidade de seu povo e esperança e harmonia com as nações.

A embaixadora pediu ainda uma "melhora da credibilidade do Conselho de Segurança" e ressaltou que os EUA, que têm direito a veto no órgão, continuarão tentando formar alianças para visando o cumprimento da Carta da ONU.

Críticas de China e Rússia

As palavras da embaixadora americana, no entanto, encontraram resistência em outros representantes permanentes do conselho, como Rússia e China, que responsabilizam diretamente os EUA por colocarem em risco a paz com ações unilaterais.

"O adventurismo unilateral dos Estados Unidos está agravando as tensões no Golfo Pérsico", disse o embaixador chinês no órgão máximo da ONU, Zhang Jun, que pediu que os ânimos se acalmem entre EUA e Irã para evitar que a situação saia do controle.

O representante russo Vassily Nebenzia, por sua vez, criticou a política de Washington em relação ao Irã e, em particular, a recusa dos EUA em conceder um visto ao ministro das Relações Exteriores iraniano Mohamad Yavad Zarif para participar na reunião de hoje do Conselho de Segurança.

Nebenzia também acusou indiretamente os Estados Unidos de usarem o Conselho de Segurança como ferramenta em sua política externa e citou como exemplo as acusações de o regime de Bashar al Assad usar armas químicas contra opositores na Síria, o que ele classificou como uma mentira.

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