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Piloto resgata centenas de africanos presos pela pandemia na China

Passageiros africanos resgatados na China - Cortesia da Maple Aviation
Passageiros africanos resgatados na China Imagem: Cortesia da Maple Aviation

Do UOL, em São Paulo

11/08/2020 10h40Atualizada em 11/08/2020 12h36

Um piloto sul-africano que vive no Canadá ajudou centenas de sul-africanos e dezenas de zimbabuanos a voltarem para casa. Eles estavam presos na China por causa da pandemia de coronavírus.

Tertius Myburgh recebeu diversas mensagens de compatriotas que não tinham conseguido voltar para casa nos primeiros voos de repatriação do governo.

"Antes da covid-19, você poderia simplesmente entrar em contato com a autoridade de aviação civil, enviar os detalhes do seu voo e - bum - um ou dois dias depois, você tem a autorização e pronto", explicou o piloto em uma entrevista à CNN.

Porém, a pandemia dificultou o processo e, para efetuar o resgate, ele precisava de apoio diplomático. Foram diplomatas do Zimbábue que ajudaram a facilitar a repatriação junto às autoridades chinesas.

Myburgh conseguiu alugar um Boeing 767, que pertenceu ao ex-presidente do Zimbábue, Robert Mugabe. O piloto também conseguiu reunir uma tripulação para a missão.

Missão com escalas

Passadas semanas de burocracia, o voo finalmente saiu de Harare, no Zimbábue, em meados de julho. Contudo, por conta das restrições de viagem, foi necessário fazer algumas escalas. A primeira foi em Joanesburgo.

De lá, eles seguiram para Kuala Lampur, capital da Malásia, onde resgataram um grupo de marinheiros chineses que foram levados até a cidade de Guangzhou, no sul da China. Os marinheiros ajudaram a arcar com os custos da viagem.

Como não estava autorizada a fazer rotas domésticas na China, a tripulação teve que voltar à Malásia para então seguir para Wuhan, onde os zimbabuanos e sul-africanos estavam aguardando.

Retorno difícil

Durante a viagem de volta, o avião perdeu um dos motores e todos - tripulação e passageiros - ficaram pesos em Bangkok, na Tailândia. Como Myburgh já havia cobrado US$ 1.000 (cerca de R$ 5.400), ele pagou pela hospedagem e alimentação de todos.

O motor teve que ser importado de Harare, mas sua viagem também não foi direta. A peça passou pela Holanda, Egito e Taiwan antes e chegar à Tailândia.

Muitos dos passageiros já não tinham mais dinheiro, então eles fizeram um coletivo para ajudar uns aos outros.

Segundo Myburgh, esse imprevisto fez com que ele se endividasse, mas ele nunca pensou em abandonar os passageiros. "Como posso sentar-me agora no jardim e tomar um uísque e fazer um churrasco, se todas essas pessoas estão presas lá? Não pode ser assim", disse.

No fim de julho, após meses de espera, os passageiros retornaram ao continente natal. Os passageiros sul-africanos estão passando por uma quarentena obrigatória de 15 dias neste momento, depois disso poderão voltar às suas casas e famílias.

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