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Vídeo mostra policiais desrespeitando cena do crime no caso Breonna Taylor

Mural em homenagem a Breonna na cidade de Annapolis, no estado de Maryland - Patrick Smith/Getty Images
Mural em homenagem a Breonna na cidade de Annapolis, no estado de Maryland Imagem: Patrick Smith/Getty Images

Do UOL, em São Paulo

28/09/2020 15h24

Um novo vídeo que registra momentos após a morte de Breonna Taylor mostra que policiais envolvidos na ação não respeitaram a cena do crime como mandam os procedimentos da polícia de Lousville, cidade americana onde aconteceu o caso. O agente Brett Hankison, único a ser indiciado por envolvimento direto na morte, é visto inclusive entrando no apartamento em que Breonna morava com o namorado Kenneth Walker.

Os vídeos são de bodycams, que são câmeras acopladas no corpo de agentes de forças de segurança. As gravações foram obtidas pelo site americano Vice News. As imagens foram incluídas na investigação e contêm vídeos capturados por 45 câmeras diferentes.

As gravações levantam dúvidas sobre os rumos da investigação da morte de Breonna, uma profissional da saúde negra de 26 anos que foi morta em um tiroteio depois que policiais forçaram a entrada no seu apartamento. Ela e o namorado dormiam e Walker reagiu com uma arma. Os policiais cumpriam mandato de busca e apreensão de drogas, mas nada foi encontrado na residência.

Hankison, um policial branco de Lousville, não só desrespeita a cena do crime como também é visto nos vídeos ameaçando Walker, o que o namorado de Breonna já havia relatado em depoimento. Enquanto Walker se entrega e ajoelha no chão, Hankison ameaça soltar em direção a ele um cachorro da polícia que latia sem parar.

Walker chega a perguntar o que tinha feito, e Hankison responde: "Você vai para a prisão, é isso que está acontecendo. Pelo resto da p... da sua vida", diz o policial enquanto os dois já estão fora do apartamento.

Hankison dentro do apartamento

As imagens divulgadas mostram que primeiro o policial indiciado pela morte da jovem se aproximou da porta do apartamento, logo após agentes da Swat (grupo de operações especiais americano) limparem a residência e declararem Breonna morta. Ele pergunta à equipe da Swat se alguém morreu na ação.

Em outro momento, Hankison entra na cena do crime, o que não é permitido pelo protocolo de policiais envolvidos em ações do tipo, e pergunta para agentes se eles acharam uma arma longa, além de questionar se as cápsulas que estavam no chão eram da Swat. A intervenção causa constrangimento e um membro da Swat pede ao policial que se retire.

Antes de o vídeo ser cortado, Hankison ainda pergunta para um agente da Swat se a câmera dele estava ligada.

Vídeos foram negados

Até agora, a polícia de Lousville negava a existência de gravações de bodycams de pessoas que estiveram na cena do crime. A nova revelação mostra que nenhum dos sete policiais envolvidos na ação cumpriu o protocolo de deixar o local após o confronto acompanhado por uma escolta.

Além de Hankison, Jonathan Mattingly e Myles Cosgrove, policiais que corriam risco de serem indiciados pelo crime, são vistos andando livremente pelo local com suas armas em punho.

Na última quarta-feira (28), tanto Mattingly como Cosgrove se livraram de serem processados pelo caso. A justiça americana entendeu que eles atiraram em resposta aos tiros disparados pelo namorado de Breonna. Mattingly foi atingido na coxa pelos disparos.

Já Hankison responderá por perigo arbitrário em primeiro grau, um dos delitos menos graves de acordo com a legislação do estado de Kentucky, e que pode resultar em no máximo cinco anos na prisão. A expectativa do advogado de Breonna é que ele fosse acusado por homicídio qualificado.

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