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Internacional

Presidente Donald Trump e primeira-dama testam positivo para coronavírus

Gilvan Marques e Jamil Chade

Do UOL*, em São Paulo e em Genebra (Suíça)

02/10/2020 02h17Atualizada em 02/10/2020 11h15

O presidente norte-americano Donald Trump anunciou que testou positivo para covid-19 no início da madrugada de hoje. Em mensagem publicada em redes sociais, ele informou que sua esposa, a primeira-dama Melania Trump, também está com a doença.

O republicano, de 74 anos de idade, é diagnosticado com o novo coronavírus em meio à sua campanha pela reeleição, em que enfrenta o democrata Joe Biden. A eleição está marcada para 3 de novembro. Na Europa e na Ásia, o mercado financeiro reagiu mal à notícia, com as Bolsas de Valores abrindo em queda.

Ao longo da pandemia, Trump tem minimizado o novo coronavírus e frequentemente aparece sem máscaras em eventos públicos —ele, inclusive, ironizou Biden pelo uso de máscaras. O democrata, que esteve com Trump em debate na terça-feira (29), disse que fará o teste para saber se está com covid-19. Nas redes sociais, Biden diz que reza pela "saúde e segurança do presidente e de sua família".

A saúde de Trump já tem reflexos em sua campanha. Hoje, por exemplo, ele deveria viajar para a Flórida, um dos estados cruciais para a disputa. A agenda foi cancelada. Seu vice, Mike Pence, recebeu resultado negativo para o exame de covid-19.

Nas últimas semanas, Trump realizou comícios em locais fechados e a céu aberto com milhares de pessoas apesar de profissionais de saúde pública terem desaconselhado eventos com grandes plateias.

Trump em quarentena

"Esta noite, Melania e eu testamos positivo para covid-19. Começaremos nosso processo de quarentena e recuperação imediatamente. Vamos superar isso juntos", escreveu Trump.

Em seu perfil, Melania disse se sentir bem e que já cancelou todos os próximos compromissos. O casal entrou em processo de quarentena.

"Como muitos americanos fizeram este ano, Donald Trump e eu estamos em quarentena em casa após teste positivo para covid-19. Estamos nos sentindo bem e adiei todos os próximos compromissos. Por favor, certifique-se de que você está ficando seguro e todos nós passaremos por isso juntos", afirmou.

Ontem, foi divulgado que uma das assessoras de Trump, Hope Hicks, recebeu o diagnóstico positivo para a doença. Na sequência, Trump disse que faria o teste. Hicks é considerada uma das principais conselheiras do presidente e costuma viajar sempre com o mandatário.

Ela estava a bordo do avião presidencial com Trump quando o presidente viajou a Cleveland, na terça-feira, para participar do primeiro debate presidencial com Biden.

A assessora também viajou na quarta-feira com Trump rumo a Minnesota para um comício de campanha.

7,2 milhões de casos nos EUA

Os Estados Unidos são o país mais atingido no mundo pela pandemia de coronavírus, com 7,2 milhões de casos, segundo levantamento da Universidade Johns Hopkins. A Índia tem 6,3 milhões e o Brasil, 4.8 milhões de casos registrados.

Trump demorou para reconhecer publicamente a gravidade do surto de coronavírus, e chegou a pressionar os Estados a reabrirem antes de especialistas dizerem que é seguro fazê-lo.

Em seu primeiro comício em meio à pandemia, realizado em Oklahoma, em junho, o presidente disse a milhares de apoiadores que fazer exames é uma "faca de dois gumes" e que pediu às autoridades de saúde, na ocasião, que desacelerassem os exames em reação à preocupação do público com o número crescente de casos.

Em abril, ele chegou a sugerir a injeção de desinfetante e o uso de raios ultravioletas como forma de "limpar os pulmões" e eliminar o novo coronavírus. A comunidade médica e científica internacional classificou as declarações de Trump como "perigosas e irresponsáveis".

Trump seria responsável por 40% das informações erradas divulgadas sobre a pandemia entre janeiro e maio, segundo estudo da Universidade Cornell. A doença já matou mais de 200 mil pessoas nos Estados Unidos.

Repercussão na OMS

O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreysus, desejou uma "rápida e completa" recuperação ao presidente e primeira-dama dos EUA. Nos últimos meses, Tedros foi alvo de duros ataques por parte do governo americano, além de vítima de uma campanha de difamação e ofensas orquestradas nas redes sociais.

Publicamente, Tedros evitou dar respostas aos ataques, na esperança de manter o governo americano na OMS. Nos bastidores, porém, o mal-estar era visível. Ele é acusado por Trump de ter cedido às pressões chinesas e ter demorado para alertar ao mundo sobre o risco da doença.

Tedros, porém, insiste que a emergência global foi decretada no dia 30 de janeiro, quando apenas cem casos tinham sido registrados fora da China. Para ele, alguns países optaram por não seguir as orientações da OMS e reconhecer a gravidade da situação.

Lideranças estrangeiras e governos de outros países desejaram boa recuperação a Trump. Entre eles, está o da China, alvo de ataques do presidente americana por ter sido o primeiro foco do novo coronavírus.

(Com RFI, Reuters e BBC)

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