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Príncipe britânico é acusado de usar status para "vender acesso" a Putin

O príncipe Michael de Kent não recebe verba federal para sobreviver - Reprodução
O príncipe Michael de Kent não recebe verba federal para sobreviver Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

09/05/2021 09h27Atualizada em 10/05/2021 11h51

O príncipe Michael de Kent, primo da rainha Elizabeth 2ª, foi acusado de negociar com repórteres disfarçados de investidores sul-coreanos um contrato de 10.000 libras (R$ 73 mil) para fazer lobby junto à equipe do presidente russo Vladmir Putin.

Nascido em Buckinghamshire em 4 de julho de 1942, Michael de Kent é neto do rei George 5º, primo da rainha.

Repórteres disfarçados de investidores de uma empresa sul-coreana de ouro chamada House of Haedong foram informados de que o primo da rainha poderia ser contratado para fazer lobby ao regime de Putin.

De acordo com o canal 4 Dispatches e o Sunday Times, Simon Isaacs, o parceiro de negócios do príncipe —conhecido como o Marquês de Reading—, usou um evento no Palácio de Kensington em 2013 para vender o acesso do príncipe a Putin.

Em uma reunião gravada com repórteres disfarçados, Reading disse que "se ele (o príncipe) estiver representando a Casa de Haedong, ele poderia mencionar isso para Putin, que encontraria a pessoa certa que está interessada na Coreia do Sul ou interessada em ouro".

Na reunião gravada com os repórteres disfarçados, Marquês de Reading lembrou da necessidade de discrição sobre aquele encontro "porque não queremos que o mundo saiba que ele [o príncipe] está vendo Putin puramente por motivos de negócios".

Ele passou a descrever Michael como "o embaixador não oficial de Sua Majestade na Rússia" e que a tensão entre o Reino Unido e o regime russo não afetou o relacionamento do príncipe com Putin.

"Ele é geralmente considerado como o embaixador não oficial de Sua Majestade na Rússia. Quer dizer, eu digo isso entre mim e você, mas quero dizer que ele é geralmente conhecido assim", afirmou.

Em resposta, a assessoria do príncipe afirmou em nota que ele "não recebe nenhum financiamento público e ganha a vida por meio de uma empresa de consultoria que dirige há mais de 40 anos" e que "não tem nenhum relacionamento especial com o presidente Putin", com quem teve contato pela última vez em junho de 2003.

"Reading é um bom amigo que, ao tentar ajudar, fez sugestões que o príncipe Michael não teria desejado ou não seria capaz de cumprir", diz.

Em resposta, Reading disse ter acreditado que "a abordagem da Casa de Haedong era genuína e estava apenas tentando facilitar uma apresentação ao meu amigo príncipe Michael".

Cometi um erro e prometi demais, e estou realmente arrependido por isso. Eu não estava no meu auge porque me recuperava de um transplante de rim
Marquês de Reading, amigo do príncipe Michael

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado no segundo parágrafo da notícia, Michael de Kent é o 50º na linha de sucessão ao trono britânico, e não o oitavo. O erro foi corrigido.

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