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EUA orientam destruição de documentos sensíveis em embaixada no Afeganistão

Diante do avanço do Talibã no Afeganistão, governo dos EUA recomenda destruição de documentos de sua Embaixada. - Tom McShane/Loop Images/Universal Images Group via Getty Images
Diante do avanço do Talibã no Afeganistão, governo dos EUA recomenda destruição de documentos de sua Embaixada. Imagem: Tom McShane/Loop Images/Universal Images Group via Getty Images

Colaboração para o UOL

13/08/2021 20h48Atualizada em 13/08/2021 21h40

A Embaixada dos Estados Unidos em Cabul, capital do Afeganistão, orientou os seus funcionários a destruírem documentos e equipamentos considerados sensíveis ou confidenciais da representação diplomática norte-americana, em preparação para a tomada da capital afegã pelo grupo extremista Taleban.

Um comunicado interno emitido pelo Departamento de Estado americano e obtido pela CNN e pelo The Washington Post pede a destruição até de "logotipos de embaixadas ou agências, bandeiras americanas ou itens que poderiam ser usados indevidamente em esforços de propaganda". O memorando sugere que a equipe use incineradores, desintegradores e lixeiras do complexo.

A notificação aos funcionários da Embaixada norte-americana em Cabul acontece após os EUA anunciarem o envio de 3 mil soldados para retirar um número significativo de diplomatas do Afeganistão, enquanto a situação no país segue deteriorando rapidamente. Segundo fontes citadas pela CNN, uma avaliação da inteligência indica que Cabul pode ser isolada pelo Talibã dentro de uma semana, possivelmente nas próximas 72 horas.

De acordo com o governo americano, a missão diplomática continuará funcionando, mas com equipe reduzida ao mínimo. A maioria dos funcionários civis será transferida para o Aeroporto Internacional Hamid Karzai, de onde deverá ser transportada para fora do país.

O porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, afirmou que "as retiradas em nossos postos diplomáticos em todo o mundo seguem um procedimento operacional padrão projetado para minimizar nosso rastro em várias categorias, incluindo pessoal, equipamento e suprimentos. A Embaixada de Cabul está conduzindo a retirada de acordo com este mecanismo".

A Embaixada americana na capital afegã tem cerca de 4 mil funcionários. O número de civis é desconhecido. Price disse a repórteres em Washington que a retirada, que inclui cerca de 1.400 cidadãos americanos, ocorreria já nos próximos dias.

Segundo informou o Pentágono hoje, a maioria das tropas americanas em missão para evacuar a Embaixada dos EUA em Cabul chegará no domingo (15) e estará preparada para transportar "milhares de pessoas por dia", enquanto o Talibã promove uma ofensiva que já lhe deu controle efetivo de cerca de dois terços do Afeganistão.

John Kirby, porta-voz do Pentágono, afirmou que "o primeiro movimento será composto por três batalhões de infantaria que atualmente estão sob a responsabilidade do Comando Central da Área". "Eles irão para o Aeroporto Internacional Hamid Karzai entre as próximas 24 e 48 horas".

Avanço do Talibã

Desde o anúncio da retirada das tropas internacionais do Afeganistão, em maio, que ao longo de 20 anos contiveram a milícia fundamentalista, os talibãs avançam pelo país e já tomaram dez das 34 capitais provinciais. Nas últimas horas, o grupo assumiu o controle de Kandahar, no sul do país, a segunda maior cidade do Afeganistão, com cerca de 600.000 habitantes, e considerada o "lar espiritual" do Talibã.

Ontem, Ghazni, a 150 km de Cabul, importante cidade que dá acesso à rodoviária da capital afegã, e Herat, no oeste do país, a terceira maior cidade do Afeganistão, também foram tomadas pelo Talibã.

Outras cidades como Qala-i-Naw, no noroeste do país, antiga base de tropas espanholas, e Lashkar Gah, na província de Helmand, também caíram nas mãos da milícia extremista.

De acordo com a RFI (Rádio França Internacional), o avanço do Talibã já provocou a morte de menos 183 pessoas e quase 360 mil foram forçadas a abandonarem suas casas devido aos confrontos do grupo com as forças armadas do país.

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