PUBLICIDADE
Topo

Internacional

Conteúdo publicado há
1 mês

Biólogo encontra parasita que come língua de peixe e 'vira' uma nova língua

Autoridades do parque norte-americano encontraram o parasita vivendo no interior da boca de uma corvina - Reprodução/Galveston Island State Park
Autoridades do parque norte-americano encontraram o parasita vivendo no interior da boca de uma corvina Imagem: Reprodução/Galveston Island State Park

Colaboração para o UOL

22/10/2021 13h42Atualizada em 22/10/2021 15h50

Autoridades do Parque Estadual da Ilha de Galveston, na costa do Texas (EUA) fizeram uma descoberta espantosa: encontraram uma estranha criatura dentro da boca de um peixe, com olhos redondos e aparência comparada à de um alienígena. O peixe, uma corvina, tornou-se vítima de um raro isópode parasita conhecido como "piolho comedor de língua".

O parasita invade um peixe através de suas guelras, fixa-se em sua língua e acaba tomando o lugar do órgão original.

Kory Evans, biólogo marinho e professor assistente da Rice University, explicou que, depois de se agarrar à língua de um peixe, o parasita drena o seu sangue, corroendo todo o tecido muscular antes de deixar apenas o osso. O isópode, então, se liga ao osso, alimentando-se do muco denso em nutrientes e, ocasionalmente, de restos da comida do peixe.

O isópode da espécie Cymothoa exigua penetra no peixe pelas guelras e se instala na cavidade bucal, devorando sua língua - Reprodução/Wikipedia/Marco Vinci - Reprodução/Wikipedia/Marco Vinci
O isópode da espécie Cymothoa exigua penetra no peixe pelas guelras e se instala na cavidade bucal, devorando sua língua
Imagem: Reprodução/Wikipedia/Marco Vinci

O professor encontrou piolhos comedores de língua enquanto estudava formas de crânios em peixes. Ele é especialista na criação de reconstruções 3D de esqueletos que ajudam a explicar a evolução de seus objetos de estudo. Em ao menos duas oportunidades, ele encontrou um desses visitantes na boca dos crânios estudados.

Esses parasitas são comuns no Golfo do México, de acordo com Evans, e foram rastreados na vida marinha desde os anos 1970. "Existem várias espécies dessas criaturas em todo o mundo", acrescentou.

Segundo o biólogo, um peixe é capaz de abrigar um desses parasitas em sua boca durante toda a vida, pois ele não impede que o animal se alimente. Porém, se houver mais de um isópode "morando" em sua boca, o pouco espaço que sobraria na cavidade seria insuficiente para sua alimentação, o que diminuiria o seu tempo de vida.

"Eles basicamente morreriam de fome e teriam apenas algumas semanas de vida", disse. "Mas os peixes são duros como pregos, muitas vezes não se deixam abater facilmente."

O biólogo avisa que os parasitas não afetam os humanos e, ao remover um deles da boca de um peixe, "você estará fazendo um favor a ele".

Internacional