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Colombiano localiza assassino da filha em BH, mas impasse impede extradição

Nancy Mariana morreu em 9 de janeiro de 1994 após sair de casa para comemorar o ano novo com namorado, Jaime - Reprodução/Youtube
Nancy Mariana morreu em 9 de janeiro de 1994 após sair de casa para comemorar o ano novo com namorado, Jaime Imagem: Reprodução/Youtube

Do UOL, em São Paulo

30/11/2021 22h06Atualizada em 01/12/2021 05h28

Após 26 anos de buscas, Martín Mestre, 79, encontrou o homem condenado por matar sua filha de 18 anos em Barranquilla, na Colômbia. Mas Jaime Saade Cormane, que fugiu para Belo Horizonte e usa um novo nome, não pode mais ser extraditado pelo crime, que criou um impasse na suprema corte brasileira.

Nancy Mariana comemorava a chegada de 1994 ao lado da família quando foi chamada para uma festa na casa do namorado, Jaime, que morava na mesma rua da jovem. Martín autorizou o passeio, mas cobrou do rapaz que ele trouxesse a filha de volta para casa às 3h.

Já pela manhã, Martín percebeu que Nancy ainda não estava em casa. Ao chegar à casa de Jaime, ele encontrou apenas a mãe do rapaz, que lhe disse que Nancy havia sofrido um acidente e estava no hospital, detalha o jornal argentino El País, que fez uma nova entrevista com o pai da jovem.

"A mãe de Jaime estava limpando a edícula anexa à casa dela, onde o filho morava. Ainda durante o amanhecer, o piso estava todo molhado. A mulher me olhou e disse: 'Sua filha teve um acidente e está na Clínica do Caribe", contou o pai.

Ao chegar ao hospital, o homem ouviu do pai de Jaime que Nancy havia tentado o suicídio, disparando um tiro contra si mesma. A jovem acabou não resistindo aos ferimentos e morreu alguns dias depois. Logo após a morte, Jaime desapareceu. Após uma investigação sobre o caso, a polícia colombiana descartou a hipótese de suicídio, afirmando que a vítima foi abusada sexualmente antes de ser assassinada.

Em 1996, mesmo foragido, o homem foi condenado a 27 anos de prisão por homicídio e abuso contra Nancy Mariana, detalhou o El País.

Após a perda da filha, Martín fez um curso de inteligência e passou a usar as redes sociais para procurar o assassino da filha, criando quatro perfis falsos para seguir toda a família de Jaime. Em 2019, através de análises de conversas e publicações dos parentes, ele localizou o acusado em Belo Horizonte, no Brasil.

A Interpol, que colocou Jaime em sua lista de procurados em 1998, seguiu as pistas e descobriu que ele mudou de identidade, é casado e tem dois filhos. O colombiano chegou a ser preso em janeiro de 2020 e passou nove meses em um presídio de Contagem, mas acabou tendo a prisão preventiva revogada pela Justiça Federal.

Antes da soltura, em setembro de 2020, a possível extradição do homem foi julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Carmen Lúcia e Gilmar Mendes votaram a favor da extradição do condenado, mas Edson Fachin e Ricardo Lewandowski votaram contra. O quinto ministro, Celso de Mello, que daria o voto de minerva, estava de licença. Em casos de empate, a Justiça favorece o condenado.

A lei brasileira prevê que uma extradição só é possível quando o crime não prescreveu no Brasil nem no país onde a sentença foi estabelecida. Por mais que na Colômbia, a prescrição do caso esteja prevista apenas para meados de 2023, no Brasil, o prazo de prescrição é de 20 anos. Em teoria, a sentença já não seria válida em 2020, mas os ministros também consideraram o fato de que Jaime é acusado de falsificação de documentos com sua nova identidade, o que o tornaria um reincidente e, portanto, reiniciaria o tempo de prescrição do homicídio.

Apesar do impasse jurídico, já que os novos delitos ainda não foram julgados, em outubro deste ano o caso "transitou em julgado", ou seja, sem possibilidade de recurso.

Diante da situação, Martín afirmou ao El País que deseja que Jaime confesse sua participação no crime e dê detalhes do que aconteceu no dia da morte de Nancy, já que, na época do crime, o inquérito apontou que ele não teria agido sozinho no abuso e morte da jovem.

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