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Como abelhas sobreviveram 50 dias 'enterradas' após erupção nas Canárias

As colmeias foram encontradas soterradas sob as cinzas expelidas pelo Vulcão Cumbre Vieja, nas Ilhas Canárias - Reprodução/Elías Gonzalez/Associação de Apicultores de La Palma
As colmeias foram encontradas soterradas sob as cinzas expelidas pelo Vulcão Cumbre Vieja, nas Ilhas Canárias Imagem: Reprodução/Elías Gonzalez/Associação de Apicultores de La Palma

Colaboração para o UOL, em Santos

07/12/2021 14h31Atualizada em 08/12/2021 09h57

Um apicultor das Ilhas Canárias se surpreendeu após retornar ao apiário, 50 dias após a erupção do Vulcão Cumbre Vieja, em setembro, e encontrar cinco colmeias soterradas pelas cinzas, com dezenas de milhares de abelhas ainda vivas e zumbindo.

Num relato que encantou apicultores e cientistas, Antonio Quesada, que é porta-voz da Associação de Apicultores Gran Canaria, disse que as abelhas não apenas conseguiram sobreviver ao calor e aos gases nocivos do vulcão, mas também evitaram a fome alimentando-se de reservas de mel dentro das colmeias.

A sobrevivência delas forneceu um vislumbre de boas notícias para La Palma, uma ilha turística no arquipélago das Canárias, na Espanha, devastada pela erupção, que continua a expelir lava. A ilha, que tem cerca de 80.000 habitantes, emprega mais de 100 apicultores que administram colmeias com milhões de abelhas vitais para o ecossistema local e agentes econômicos importantes para comerciantes que vendem mel em toda a região.

"É incrível como um animal tão minúsculo que existe há centenas de milhares de anos pode manter essa resiliência, essa capacidade de sobreviver", disse Quesada, em entrevista ao The New York Times.

Ele disse que as abelhas, conhecidas na região como abelhas-das-canárias, usaram própolis, uma mistura resinosa conhecida popularmente como cola de abelha, para selar a colmeia e proteger seus habitantes.

"Elas se protegeram dos gases do vulcão", disse Quesada. "As abelhas também se certificaram de deixar aberto um pequeno caminho para o exterior, que eles poderiam usar mais tarde para sair", disse ele.

Sobrevivência prolongada intriga pesquisadores

Esse comportamento é típico das abelhas, que usam o própolis, produzido a partir de substâncias que coletam de plantas, para tapar pequenas aberturas na colmeia e protegê-la da água da chuva e das correntes de ar, explicou Nathalie Steinhauer, pesquisadora do departamento de entomologia da Universidade de Maryland.

Ainda assim, o fato de as abelhas da ilha conseguirem passar semanas dentro da colmeia, se isolando de tais condições opressivas, foi surpreendente - e até inspirador, disse a pesquisadora.

"É uma história muito estimulante", disse ela. "Isso diz muito sobre a resiliência das abelhas".

No caso das colmeias de La Palma, as abelhas também tiveram sorte. As cinzas vulcânicas que caíram sobre as colmeias eram porosas e leves, o que permitia a entrada de oxigênio, explicou Elías González, presidente da Associação de Apicultores de La Palma, à agência de notícias espanhola EFE.

Centenas de outras colmeias também foram salvas e levadas para outras partes de La Palma. Essas abelhas não podem retornar aos vilarejos onde estavam porque grande parte da vegetação da qual dependem está coberta por cinzas vulcânicas ou lava endurecida, concluiu Quesada.

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