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Equipe faz transplante de rins de porco em homem com morte cerebral nos EUA

Cirurgiões da Universidade do Alabama, pela primeira vez, transplantaram com sucesso dois rins de um porco em um ser humano - Reuters
Cirurgiões da Universidade do Alabama, pela primeira vez, transplantaram com sucesso dois rins de um porco em um ser humano Imagem: Reuters

Mateus Omena

Colaboração para o UOL, em São Paulo

20/01/2022 14h06

Cirurgiões americanos transplantaram com sucesso dois rins de porco em um humano com morte cerebral. Procedimento marcou um grande passo em décadas de pesquisas para o uso de órgãos de animais para transplantes.

A operação, que ocorreu em 30 de setembro, foi realizada em Jim Parsons, 57, de Huntsville (EUA), que registrou um quadro de insuficiência em seus dois rins. Os novos órgãos foram adquiridos de um porco geneticamente modificado.

Parsons estava com morte cerebral diagnosticada e em suporte de vida depois de ter sofrido um traumatismo craniano devido a um acidente numa corrida de motos. Sem grandes expectativas quanto a sua recuperação, a família do americano deu aval aos especialistas para a realização do transplante.

Surpreendentemente, os rins de porco transplantados filtraram sangue, produziram urina e, o mais importante, não foram imediatamente rejeitados por seu corpo.

Os órgãos permaneceram viáveis por 77 horas, após o transplante na Universidade do Alabama, em Birmingham.

Os resultados demonstram como o xenotransplante - transplante de células vivas, tecidos ou órgãos de uma espécie para outra - pode resolver a crise mundial de escassez de órgãos.

A anatomia e a fisiologia do coração dos porcos são semelhantes às dos humanos, por isso são usadas como modelos para o desenvolvimento de novos tratamentos. Ainda em janeiro, nos EUA, foi realizado o primeiro transplante de coração de porto para humano no mundo.

Jim Parsons teve morte cerebral em 26 de setembro, aos 57 anos, devido a ferimentos sofridos durante uma corrida de motos - Divulgação/University of Alabama - Divulgação/University of Alabama
Jim Parsons teve morte cerebral em 26 de setembro, aos 57 anos, devido a ferimentos sofridos durante uma corrida de motos
Imagem: Divulgação/University of Alabama

"Este momento de mudança de jogo na história da medicina representa uma mudança de paradigma e um marco importante no campo do xenotransplante, que é sem dúvida a melhor solução para a crise de escassez de órgãos", disse o professor Jayme Locke, diretor do Comprehensive Transplant Institute e cirurgião-chefe do estudo. "Este estudo nos aproxima de um futuro no qual o fornecimento de órgãos atende a uma enorme demanda global", completou.

Parsons foi declarado com morte cerebral e, portanto, oficialmente falecido em 26 de setembro, quatro dias antes da realização do transplante.

"A circulação dele foi mantida inicialmente com o objetivo de alocar seus órgãos para transplante e depois para nosso estudo", explicou o professor Locke.

Jim Parsons era um doador de órgãos registrado pela Legacy of Hope, uma organização de caridade dedicada à aquisição de órgãos. Ele desejava que seus órgãos ajudassem outras pessoas após sua morte, mas nenhum deles foi adequado para doação.

Sua família permitiu que os pesquisadores da Universidade do Alabama conservassem o corpo e o mantivessem funcionando durante o estudo, para que os rins nativos fossem removidos e os dois rins de porco geneticamente modificados fossem transplantados.

Avanços recentes

No início deste mês, David Bennett, 57, se tornou o primeiro paciente no mundo a receber um transplante de coração de um porco geneticamente modificado.

O procedimento foi realizado pelos médicos do Centro Médico da Universidade de Maryland, que receberam uma licença especial do regulador médico dos EUA para efetuar a cirurgia.

Com risco de vida na época, Benett tinha esse transplante ousado como sua última esperança.

Por outro lado, em outubro, cirurgiões em Nova York transplantaram com sucesso um rim de porco em um humano, antes de o paciente ser retirado do suporte de vida. No entanto, o destinatário naquele momento estava com morte cerebral e sem esperança de recuperação.

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