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Guerra da Rússia-Ucrânia

Notícias do conflito entre Rússia e Ucrânia


Conteúdo publicado há
4 meses

Rússia inicia guerra contra a Ucrânia; Kiev diz que a invasão é total

Do UOL, em São Paulo*

24/02/2022 00h06Atualizada em 24/02/2022 13h50

A Rússia iniciou na madrugada de hoje (no horário de Brasília) uma operação militar de invasão da Ucrânia. Após o início das mobilizações russas, houve registro de explosões e ataques a unidades de fronteiras ucranianas, além de movimentações de tanques. Já há mortos em decorrência da ação militar. As ofensivas da Rússia fizeram as sirenes de emergência dispararem na Ucrânia e o presidente Volodymyr Zelensky adotar lei marcial no país.

Segundo guardas de fronteira ucranianos, as forças russas entraram na região do norte de Kiev a partir de Belarus para executar um ataque com mísseis contra alvos militares. Também há relatos de voos de helicópteros não identificados nas proximidades da capital ucraniana. Pronunciamentos oficiais não foram divulgados sobre essa situação. No Twitter, o chanceler ucraniano, Dmitro Kuleba, afirmou mais cedo que a "invasão é total", sem definir uma região específica.

Em comunicado divulgado horas após os ataques russos, o Kremlin declarou que a operação militar contra a Ucrânia durará o tempo que for necessário, dependendo de seus "resultados" e de sua "relevância", estimando que os russos apoiarão tal ofensiva.

O porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, também disse a repórteres que Moscou pretende impor um "status neutro" à Ucrânia, sua desmilitarização e a eliminação dos "nazistas" que, segundo ele, estão no país.

Peskov ainda afirmou que a Rússia criou ferramentas de segurança suficientes para sobreviver à volatilidade do mercado e disse que a reação "emocional" do mercado financeiro à invasão russa da Ucrânia vai se nivelar.

Segundo o porta-voz, todas as medidas necessárias estão sendo adotadas para garantir que a reação do mercado seja a mais breve possível. Nos últimos dias, vários países adotaram sanções contra a Rússia, entre eles os Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Alemanha e França.

Putin deu sinal verde a 'operação militar especial'

Os ataques da Rússia começaram após o presidente Vladimir Putin, ter dado sinal verde àquilo que definiu como "operação militar especial" da Rússia no leste da Ucrânia e mandar recado para aqueles que tentarem intervir. O anúncio foi feito por Putin, na noite de ontem, durante um pronunciamento transmitido em cadeia nacional.

Tomei a decisão de conduzir uma operação militar especial. Nossa análise concluiu que nosso confronto com essas forças [ucranianas] é inevitável (...) Algumas palavras para aqueles que seriam tentados a intervir: a Rússia responderá imediatamente e você terá consequências que nunca teve antes em sua história. Vladimir Putin, ao anunciar a operação militar na Ucrânia

Putin descreveu a medida como uma resposta às ameaças ucranianas e disse que visa a "desmilitarização e a desnazificação".

Logo após o discurso, repórteres da rede americana CNN disseram ter ouvido explosões em Kiev, capital da Ucrânia, e em Kharkiv, a segunda maior cidade, localizada no nordeste do país. Segundo agências de notícias, o governo ucraniano confirmou que a Rússia iniciou os ataques contra o seu território.

O anúncio do presidente russo ocorre no momento em que o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) se reúne em Nova York para denunciar a invasão ao território ucraniano.

A Rússia tem mais de 150 mil soldados, tanques e mísseis posicionados ao longo da fronteira ucraniana. O regime de Vladimir Putin —que, inicialmente, negou a intenção de invasão e acusou americanos de "histeria"— reclama de uma eventual adesão de Kiev à Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), aliança militar criada para fazer frente à extinta União Soviética.

Para Putin, a Otan é uma ameaça à segurança da Rússia por sua expansão na região. Por isso, o presidente quer uma declaração formal de que a Ucrânia nunca vai se filiar à aliança.

Em contrapartida, os Estados Unidos e países aliados do Ocidente (como o Reino Unido, França e a Alemanha) ameaçam o país com "sanções econômicas severas" e "resposta ágil", caso a invasão ocorra.

A Rússia já anexou a península ucraniana da Crimeia em 2014, o que culminou em sanções econômicas dos EUA e da União Europeia. O país também é acusado de financiar os rebeldes pró-Moscou que controlam as autoproclamadas Repúblicas de Lugansk e Donetsk, na região de Donbass.

Rússia fecha parcialmente espaço aéreo

O Safe Airspace, plataforma criada para monitorar a segurança e zonas de conflito para as companhias aéreas, disse que aumentou seu nível de risco para "não voar". Assim, os voos devem parar sobre qualquer parte da Ucrânia por causa do risco de um abate não intencional ou um ataque cibernético contra o controle de tráfego aéreo.

"Independentemente dos movimentos reais das forças russas na Ucrânia, o nível de tensão e incerteza na Ucrânia agora é extremo", disse Safe Airspace em seu site: "Isso por si só dá origem a um risco significativo para a aviação civil".

A Rússia, inclusive, fechou parcialmente o espaço aéreo na sua fronteira com a Ucrânia. De acordo com um comunicado aos aviadores e missões aéreas, o objetivo era "fornecer segurança". A notificação traz as rotas específicas e altitudes a serem evitadas.

Moscou rebate EUA e promete resposta 'dolorosa' a sanções

O Ministério russo das Relações Exteriores prometeu, hoje, uma resposta "forte" e "dolorosa" às sanções anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ontem, após Putin reconhecer a independência de dois territórios separatistas no leste da Ucrânia.

"Que não haja qualquer dúvida: haverá uma resposta forte a essas sanções, não necessariamente simétricas, mas bem calculadas e dolorosas para os Estados Unidos", disse Moscou, em um comunicado.

Apesar do cenário adverso e das possibilidades de resolução pacífica cada vez menores, Biden ressaltou que "ainda é possível evitar o pior", ao mesmo tempo que denunciou o início da invasão.

A "primeira série" de sanções dos Estados Unidos pretende impedir que Moscou obtenha fundos ocidentais para pagar sua dívida soberana. União Europeia, Japão, Austrália, Canadá e Reino Unido também divulgaram sanções.

As medidas punitivas da UE são direcionadas principalmente contra bancos russos e alguns deputados. No momento, as sanções são cautelosas e menores que as anunciadas em caso de invasão.

Putin diz que não vai ceder

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse nesta quarta-feira (23) que não vai ceder em suas exigências na crise em que enfrenta com vários países ocidentais, em meio aos temores da comunidade internacional sobre uma invasão da Ucrânia.

"Os interesses e a segurança de nossos cidadãos não são negociáveis para nós", declarou Putin, em um breve discurso exibido na televisão por ocasião do Dia do Defensor da Pátria.

"Nosso país está sempre aberto a um diálogo direto e honesto para encontrar soluções diplomáticas aos problemas mais complexos", afirmou o presidente russo, que, no entanto, considera que seus interlocutores se mostram inflexíveis e deixam seus pedidos "sem resposta".

Hoje, o ministério ucraniano das Relações Exteriores pediu a seus cidadãos que deixem a Rússia rapidamente, porque uma possível invasão poderia reduzir a assistência consular.

"O ministério recomenda aos cidadãos ucranianos que não viajem para a Rússia e aos que já estão na Rússia que saiam imediatamente do território", afirma um comunicado. Ao mesmo tempo, as Forças Armadas ucranianas anunciaram um plano de mobilização de reservistas. A mobilização envolve os reservistas de 18 a 60 anos por um prazo máximo de um ano, afirmou o exército ucraniano.

A Rússia, que enviou 150.000 soldados à fronteira com a Ucrânia, exige que o país vizinho nunca seja admitido como integrante da Otan e também uma "desmilitarização" de Kiev, assim como concessões territoriais aos separatistas pró-Rússia. As exigências foram rejeitadas pelos países ocidentais.