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Finlândia anuncia inscrição para entrada na Otan; Suécia debate adesão

Primeira-ministra Sanna Marin e o presidente da Finlândia Sauli Niinisto em entrevista coletiva - Heikki Saukkomaa/Lehtikuva/via REUTERS
Primeira-ministra Sanna Marin e o presidente da Finlândia Sauli Niinisto em entrevista coletiva Imagem: Heikki Saukkomaa/Lehtikuva/via REUTERS

Do UOL, em São Paulo

15/05/2022 08h14Atualizada em 15/05/2022 10h46

O governo da Finlândia fez hoje o anúncio oficial de que vai se inscrever para entrar na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), aliança militar do Ocidente liderada pelos Estados Unidos.

O anúncio, feito em entrevista coletiva com o presidente, Sauli Niinisto, e a primeira-ministra Sanna Marin, ocorre na esteira da guerra entre Rússia e Ucrânia. Na última quinta-feira (12), o país já havia dito tinha intenções de ingressar no bloco "sem demora".

Com o movimento da Finlândia, o país abandona décadas de neutralidade e ignora as ameaças russas de possível retaliação caso a adesão à Otan se concretize.

Em conversa por telefone ontem com Niinisto, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse que a entrada da Finlândia na aliança militar seria um "erro". Também ontem, a Rússia cortou o fornecimento de eletricidade ao país nórdico após problemas no recebimento de pagamentos.

"Esperamos que o parlamento confirme a decisão de solicitar a adesão à Otan", disse a primeira-ministra finlandesa durante a entrevista coletiva de hoje, realizada em Helsinque. "[O pedido de ingresso será feito] durante os próximos dias. Será baseado em um mandato forte, com o Presidente da República. Temos mantido contato próximo com os governos dos Estados-membros da Otan e com a própria Otan", acrescentou Marin.

Finlândia 'não pode confiar' em futuro pacífico

Após o anúncio da inscrição de adesão à Otan, a premiê finlandesa disse que "não pode confiar" que haverá um futuro pacífico na próxima Rússia. De acordo com Marin, a medida é necessária ao país para garantir segurança após a invasão russa da Ucrânia.

"Quando olhamos para a Rússia, vemos um tipo de Rússia muito diferente do que vimos há apenas alguns meses", afirmou a primeira-ministra.

Tudo mudou quando a Rússia atacou a Ucrânia e, pessoalmente, acho que não podemos mais confiar que haverá um futuro pacífico da Rússia ao nosso lado. Sanna Marin, primeira-ministra da Finlândia

O presidente finlandês também falou sobre a entrada na Otan e disse que está "confuso" com os comentários do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, de que não está analisando a possibilidade de a Finlândia e a Suécia ingressarem no bloco "positivamente".

O comentário foi feito pelo líder turco na última sexta-feira (13), quando ele afirmou também que não quer que "se repita o mesmo erro" cometido com a adesão da Grécia.

"Para ser franco, estou um pouco confuso, porque tive uma conversa por telefone com o presidente Erdogan há aproximadamente um mês. E, de fato, ele assumiu antes que eu tivesse a possibilidade de fazer isso", disse o presidente da Finlândia, Sauli Niinisto.

"Eu agradeci e ele ficou muito feliz em receber meus agradecimentos. Então você tem que entender que estou um pouco confuso. O que ouvimos há dois dias foi diferente do que ouvimos ontem", completou.

Entrada da Finlândia aproxima Otan da Rússia

A entrada da Finlândia na Otan levaria a aliança militar liderada pelos EUA até a fronteira finlandesa de cerca de 1,3 mil quilômetros com a Rússia. O movimento, no entanto, pode levar meses para ser finalizado, já que as legislaturas de todos os 30 membros atuais devem aprovar novos candidatos.

Desde o final da Segunda Guerra Mundial, durante a qual a Finlândia foi invadida pela União Soviética, o país tem sido militarmente não alinhado e nominalmente neutro para evitar provocar a Rússia. Por vezes, cedeu às preocupações de segurança do Kremlin e tentou manter boas relações comerciais.

A invasão da Ucrânia em 24 de fevereiro, porém, mudou esse cálculo. Em nota divulgada ontem pelo presidente finlandês após a conversa com Putin, Niinisto afirmou que a guerra "alterou o ambiente de segurança da Finlândia".

"A conversa foi direta e franca e foi conduzida sem irritação. Evitar tensões foi considerado importante", declarou o líder finlandês, que teve a iniciativa de telefonar para o Kremlin.

Ainda de acordo com o comunicado, Niinisto ressaltou que, ao entrar para a Otan, a Finlândia vai "fortalecer sua própria segurança e assumir suas responsabilidades".

Suécia debate entrada na Otan

Enquanto a Finlândia dá os últimos passos para ingressar com seu pedido de entrada na Otan, na Suécia o partido governante faz uma reunião decisiva sobre um possível pedido de adesão à aliança militar.

Entre os suecos, o apoio na entrada na Otan subiu para quase 50%, contra 20% de pessoas contrárias. O Partido Social-Democrata da primeira-ministra Magdalena Andersson se reúne ainda hoje para decidir se formação abandona sua histórica postura contrária à adesão. Dentro do partido, algumas vozes criticam uma decisão precipitada.

Rússia: Ocidente declarou 'guerra híbrida total'

O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, afirmou ontem que o Ocidente declarou uma "guerra híbrida total" contra a Rússia.

"O Ocidente declarou uma guerra híbrida total contra nós e é difícil prever por quanto tempo ela irá durar, mas é claro que as consequências serão sentidas por todos, sem exceção", disse Lavrov.

O chanceler disse que a Rússia fez de tudo para "evitar um confronto direto", e minimizou as sanções impostas pelos países ocidentais. "Políticos ocidentais devem entender que seus esforços para isolar o nosso país são em vão", afirmou.

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