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Quem é Rodolfo Hernández, o 'Trump da Colômbia', que disputa o 2º turno

O candidato de direita nas eleições colombianas, Rodolfo Hernández - 29/05/2022 REUTERS/Stringer
O candidato de direita nas eleições colombianas, Rodolfo Hernández Imagem: 29/05/2022 REUTERS/Stringer

Pedro Paulo Furlan

Do UOL, em São Paulo

30/05/2022 17h21

As eleições da Colômbia estão com o segundo turno marcado para 19 de junho e podem apresentar um novo caminho para o país, que nunca teve um presidente de esquerda. A disputa agora se afunilou entre Gustavo Petro, ex-guerrilheiro e candidato esquerdista, que terminou em primeiro, e Rodolfo Hernández, presidenciável da ala da direita.

Considerado muitas vezes como um "outsider" ou "populista", Hernández foi prefeito da cidade de Bucaramanga, no nordeste da Colômbia, entre 2016 e 2019, quando renunciou. Aos 77 anos de idade, o político é constantemente comparado ao ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, tendo sido apelidado de "Trump Colombiano" ou "Trump da Colômbia", em razão de suas visões de direita.

Com uma campanha focada no ideal da anticorrupção, Rodolfo Hernández é filiado ao movimento Liga de Gobernantes e já falou em muitos discursos em "acabar com a politicagem". A Colômbia nunca teve um presidente com origens populares e desconectado dos partidos tradicionais, o Partido Liberal e o Partido Conservador Colombiano.

Especialistas políticos analisam que a atração principal de Hernández, que reuniu 28,15% dos votos no primeiro turno, é sua personalidade. O candidato fala palavrões e apresenta uma face menos formal, inclusive tendo comparecido de pijama a uma entrevista da emissora CNN.

Com o novo apoio de outro candidato da direita, Federico 'Fico' Gutiérrez, nesse segundo turno, Hernández tem chances reais de vitória ante a candidatura de Petro.

Fortuna na construção civil

Engenheiro, o candidato à presidência da Colômbia construiu sua fortuna no ramo da construção civil, crescendo economicamente com a empresa Constructora HG, focada em moradias em territórios que sofriam expansão, como Barranquilla e Villavicencio.

Sua entrada na política foi inesperada e, de certa forma, inovadora, já que ingressou sem apoio do meio político e de grandes partidos. Devido a isso, Hernández é chamado de "outsider" e mantém sua estância diferente de outros candidatos.

Seguidor de Hitler

A carreira do possível presidente não foi sem escândalos. Em 2018, enquanto era prefeito em Bucaramanga, Rodolfo Hernández agrediu um vereador que, segundo ele, não o deixava falar. Além disso, sua polêmica mais conhecida foi quando se disse seguidor de Adolf Hitler, em 2016.

Parte de sua campanha presidencial tentou reparar a sua imagem sobre esses escândalos. No início da candidatura, no ano passado, o político disse, por exemplo, que havia se enganado no caso de Hitler, pois queria dizer Albert Einstein.

Rodolfo Hernández também tem apoiado a legalização da maconha. Os motivos seriam uma grande criação de empregos e renda para a Colômbia.

Investigado em atos de corrupção

Com discurso anticorrupção, Hernández enfrentou 34 processos em 2019, quando renunciou de seu cargo em Bucaramanga. O candidato da direita tem sido investigado por possível desvio de dinheiro, no caso Vitalogic. O político, no entanto, nega qualquer irregularidade.

O caso envolve análise de irregularidades em um contrato, de 2016, firmado durante a sua gestão na prefeitura. A movimentação de Hernández deveria implementar novas tecnologias no aterro de El Carrasco.