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Lula, Ciro e Tebet se solidarizam com Kirchner; Bolsonaro 'manda notinha'

Colaboração para o UOL*

02/09/2022 09h45Atualizada em 02/09/2022 14h56

Candidatos à Presidência no Brasil passaram a se solidarizar, desde ontem, com a vice-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, após ela sofrer uma tentativa de assassinato.

Um brasileiro foi identificado como suspeito de ter apertado o gatilho de uma arma, que não disparou, contra a política. Ele foi preso.

Aliado histórico de Kirchner, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escreveu que a vice-presidente argentina foi vítima de um "fascista criminoso".

"Que o autor sofra todas as consequências legais. Essa violência e ódio politico que vêm sendo estimulados por alguns é uma ameaça à democracia na nossa região. Os democratas do mundo não tolerarão qualquer violência nas divergências políticas".

No início da tarde de hoje, o presidente Jair Bolsonaro (PL) comentou o atentado e disse "lamentar" o fato e que tem gente querendo colocar o caso "na conta dele". Mas também citou a facada sofrida por ele durante a campanha presidencial em 2018.

"Mandei uma notinha, eu lamento. Agora, quando eu levei a facada teve gente que vibrou por aí. Lamento, já tem gente querendo botar na minha conta, já esse problema. E o agressor ali, ainda bem que não sabia mexer com arma. Se soubesse, teria sucesso", disse.

O também presidenciável Ciro Gomes (PDT) disse que, por pouco, não houve "chuva de sangue".

O brasileiro Fernando Sabag Montiel, de 35 anos, portava uma pistola Bersa 380, calibre 32, de fabricação argentina, carregada com cinco balas, segundo informações da Polícia Federal à imprensa.

"Violência política no Brasil, violência política na Argentina. É preciso dar um basta a tudo isso", escreveu nas redes sociais
a candidata do MDB à Presidência, Simone Tebet.

A representante do União Brasil na disputa, Soraya Thronicke, lamentou a tentativa de assassinato e voltou a falar em reforço de segurança, discussão que levantou durante o primeiro debate presidencial na Band.

"Quando falo em reforçar a segurança, não é exagero. Não podemos subestimar do que o ódio é capaz. Na campanha de 2018 usei colete a prova de balas, e termino esta 5ª lamentando o atentado contra Cristina Kirchner, vice-presidente da Argentina. Que Deus olhe por nós", disse.

Leo Pericles, candidato à Presidência pela Unidade Popular (UP), também prestou solidariedade à Cristina Kirchner. "Para deter essa escalada fascista, que não respeita leis e democracia, temos que seguir a reação do povo Argentino."

A candidata do PSTU, Vera Lúcia, também lamentou o episódio. "Os trabalhadores devem repudiar a tentativa de assassinato de C.Kirchner. Ações violentas para silenciar opositores políticos, ligadas à ultradireita e suas ameaças autoritárias, como tem ocorrido aqui e na Argentina, são inaceitáveis. São ataques às liberdades democráticas!".

Felipe D'Ávila, candidato do Novo à Presidência, definiu o episódio como "inaceitável". "Não há divergência ideológica que justifique ou normalize qualquer ato de violência".

O ministro das Relações Exteriores do Brasil classificou a tentativa de assassinato como "ato injustificável". "Creio ser um ato injustificável, que merece rigorosa apuração. E, claro, repudiamos intolerância política, de que o presidente da República também foi vitima em 2018", disse Carlos França.

Prisão do autor do atentado contra Kirchner

O autor da tentativa de atentado tentou fugir ao ser flagrado, mas foi agarrado pela camiseta, no meio da multidão reunida próximo ao prédio onde a ex-presidente mora, no bairro da Recoleta, em Buenos Aires.

O homem foi preso e levado a uma delegacia na cidade de Buenos Aires, onde, no fim da noite de ontem, continuava detido. A expectativa é que ele preste declaração hoje.

De acordo com fontes policiais, ele já teria sido preso pela Polícia da Cidade em março de 2021 quando portava uma faca.

Montiel teria chegado à Argentina ainda criança, em 1996. De acordo com informações da polícia coletadas das redes sociais de Montiel, ele possui tatuagens com símbolos nazistas e se identificava como Fernando 'Salim' Montiel. Era seguidor de grupos como 'comunismo satânico', entre outros 'ligados ao radicalismo e ao ódio', como definiu o portal do jornal La Nación, de Buenos Aires.

*Com informações da RFI