Os 10 terremotos mais potentes e mortíferos da história da América Latina

  • Henry Romero/Reuters

    Socorristas andam sobre escombros após terremoto na Cidade do México

    Socorristas andam sobre escombros após terremoto na Cidade do México

A América Latina é uma regiões do globo especialmente vulnerável à ocorrência de terremotos pois se localiza perto das bordas de placas tectônicas.

Prova disso são os muitos tremores que sacudiram a região ao longo de sua história, como o ocorrido na terça-feira passada, no centro do México, que deixou, até agora, mais de 300 mortos, segundo estimativas do governo.

No entanto, nem sempre os abalos mais potentes foram os mais devastadores.

A isso se deve uma série de fatores, como a proximidade do epicentro com zonas urbanas, a densidade das cidades afetadas, os recursos dos países atingidos, os protocolos de emergência, entre outros.

A BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC, lista abaixo os piores terremotos da história da América Latina tanto em relação à sua magnitude quanto à sua letalidade.

Importante ressalvar que, no caso dos mais antigos, devido à ausência de instrumentos de medição, a contabilidade dos danos físicos e estruturais é feita com base em relatos da época.

Os terremotos mais potentes:

1. Chile, 22 de maio de 1960 (magnitude 9,5)

O terremoto de maior magnitude registrado no mundo aconteceu em Valdivia, no Chile, em 1960. Deixou 2 mil mortos e 2 milhões de feridos.

O tremor provocou erupções de vulcões e um maremoto que destruiu cidades do litoral chileno.

Também chegou a atingir outros países, como Japão, Estados Unidos (Havaí) e Filipinas.

O Chile é um dos países com maior atividade sísmica da América Latina, já que grande parte de seu território está exposto à convergência das placas tectônicas Nazca e Sul-americana.

2. Chile, 13 de agosto de 1868 (magnitude 9)

O terremoto foi registrado em Arica, no norte do Chile, quando a cidade ainda pertencia ao Peru. Como não havia medições na época, acredita-se que o tremor tenha atingido 8,6 de magnitude.

Seu epicentro ocorreu no litoral de Tacna, no Peru. Seguiu-se ao abalo um maremoto, que devastou as cidades de Irica e Iquique, além de deixar centenas de mortos. Um terço deles era marinheiros que trabalhavam em barcos na baía.

3. Chile, 27 de fevereiro de 2010 (magnitude 8,8)

O terremoto sacudiu o centro-sul do Chile e afetou principalmente as regiões de Maule e do Biobío, que posteriormente declararam Estado de emergência.

Originado no Oceano Pacífico, o tremor durou quatro minutos nas regiões mais próximas a seu epicentro. Apesar disso, deixou 500 mortos e 2 milhões de feridos, além de danificar 500 mil casas.

Como de praxe após o terremoto, originou-se um forte maremoto, causando mais devastação.

4. Equador, 31 de janeiro de 1906 (magnitude 8,8)

Um terremoto com epicentro no Pacífico e próximo à fronteira entre o Equador e a Colômbia causou entre 500 e 1,5 mil mortos em 1906.

A província de Esmeraldas, na costa sul do Equador, foi a mais danificada. A maior parte dos estragos foi causada por um tsunami que arrasou o povoado de Río Verde.

5. Chile, 8 de julho de 1730 (magnitude 8,7)

O Serviço Sismológico Nacional do Chile considera que o terremoto de Valparaíso de 1730 teve 8,7 de magnitude.

Seu epicentro foi no mesmo local onde hoje está localizada a cidade de Viña del Mar, e causou danos a cidades mais populosas como Valparaíso, Santiago, La Serena e Concepción.

E os terremotos com mais vítimas:

Thony Belizaire/AFP
Terremoto no Haiti destruiu a igreja Sacre Couer e matou cerca de 300 mil pessoas

1. Haiti, 12 de janeiro de 2010 (316 mil mortos)

O país mais pobre das Américas foi devastado pelo terremoto de 2010 do qual até hoje tenta se recuperar.

O tremor teve magnitude 7 e seu epicentro ocorreu a apenas 15 km da capital Porto Príncipe. A tragédia deixou entre 100 mil a 300 mil mortos, 350 mil feridos e mais de 1,5 milhões de desabrigados, segundo o governo.

Milhares de edifícios desmoronaram, incluindo o Palácio do Governo e a sede das Nações Unidas. A falta de recursos, a precariedade das construções, as aglomerações urbanas e a fragilidade do Estado contribuíram para fazer dessa uma das catástrofes humanas mais graves da história.

2. Peru, 31 de maio de 1970 (mais de 66 mil mortos)

O terremoto mais destrutivo da história do Peru foi registrado nos Andes em 1970 e matou entre 66 mil a 80 mil pessoas.

O tremor, de 45 segundos e de 7,8 de magnitude, destruiu a cidade de Huaraz (que perdeu a metade de sua população) e provocou um deslizamento de terra que soterrou e apagou do mapa a cidade de Yungay, na província de Áncash.

Turistas visitam hoje o que restou da avalanche de pedras e barro. Uma nova cidade, chamada de Nueva Yungay, foi construída sobre a original.

3. Chile, 25 de janeiro de 1939 (mais de 24 mil mortos)

O terremoto da cidade de Chillán, de 7,8 de magnitude, ocorreu em 1939 e foi o mais fatal da história do Chile: entre 24 mil a 40 mil, segundo diferentes fontes.

Como aconteceu muito tarde, às 23h42 (hora local), a maioria dos habitantes de Chillán não teve tempo de deixar suas casas. Quem não morreu por causa do desastre, sofreu suas consequências diretas, como doenças e falta de água e de comida, além de condições precárias de higiene.

Quase a metade dos edifícios de Chillán ficou destruída. O terremoto acabou marcando o início das grandes campanhas de ajuda humanitária no país aos feridos por catástrofes naturais desse tipo.

4. Guatemala, 4 de fevereiro de 1976 (23 mil mortos)

A Guatemala acordou na madrugada do dia 4 de fevereiro de 1976 por causa de um terremoto de 7,5 de magnitude que deixou 23 mil mortos e 76 mil feridos.

Já afetado pela pobreza e pelo conflito armado interno, o país teve 250 mil de suas casas destruídas e mais de 1 milhão de pessoas ficaram desabrigadas.

Cidades localizadas sobre a falha geológica, como Chimaltenango e Guastatoya, desapareceram por completo. Foram abertas imensas valas comuns para depositar os corpos das milhares de pessoas que morreram por causa do terremoto.

5. Nicarágua, 23 de dezembro de 1972 (mais de 10 mil mortos)

O terremoto, de 6,2 de magnitude, que destruiu a capital Manágua nas vésperas do Natal, deixou pelo menos 10 mil mortos. Mas estimativas apontam que pode ter sido o dobro disso.

Tal imprecisão se deve ao fato de que muitos cadáveres não puderam ser resgatados e o número de desaparecidos nunca foi determinado.

Quase a totalidade das casas veio abaixo no centro da cidade, que permaneceu praticamente em ruínas durante 20 anos até que os escombros fossem retirados na década de 90. Até hoje, é possível ver o rastro de destruição causado pelo terremoto.

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