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Meio Ambiente

Brasileira do Greenpeace fala da vida na prisão russa em cartas à família

Do UOL, em São Paulo

10/10/2013 12h42

A bióloga Ana Paula Maciel escreveu duas cartas sobre seus dias de cárcere na Rússia para a família que vive no Rio Grande do Sul. Os textos dos dias 27 de setembro e 2 de outubro foram fotografados e enviados por e-mail pela Embaixada do Brasil em Moscou, já que o governo russo mantém as correspondências originais.

Na carta mais recente, divulgada pelo jornal Zero Hora, a brasileira afirma que deverá passar pelo menos um mês na prisão em Murmansk, na região Noroeste do país, "mas, na real, ninguém sabe o que pode acontecer... Talvez dois meses, talvez mais...".

"Os guardas, carcereiros, enfermeiros são todos gentis e, enfim, temos que cumprir rotinas com de segurança e tal, mas no fundo eles sabem que não somos criminosos."

Ana Paula conta que está sozinha em uma cela, "o que é bom, porque não preciso me preocupar com companheiras de cela" e faz uma hora de caminhada por dia "em uma caixa de concreto de 5 x 5m", que não bate sol, "mas dá para esticar as pernas". Segundo ela, os membros do Greenpeace estão sendo "incansáveis" e enviam tudo o que o grupo precisa, como comida, cigarro e "amor".

Em tom otimista, Ana Paula diz ainda que passa o dia assistindo a um canal de música que a faz lembrar da irmã Alessandra. "Sempre me lembro da Alê vendo esse canal de música; não é exatamente como estar em casa com ela, falando bobagem e tomando cerveja, mas, ÔÔ!, não podemos ter tudo na vida!"

Na primeira carta, mais curta, a gaúcha diz para a mãe não se preocupar com sua prisão temporária. "Sei que tudo vai ficar bem, estamos entre amigos, rindo da nossa desgraça e de tudo mais! (...) Na pior das hipóteses, nos vemos em 2030, hahaha (esse é o tipo de bobagem que falamos)!"

Carta à Dilma

Rosangela Maciel, mãe da ativista, enviou carta nesta quarta-feira (9) à presidente Dilma Rousseff pedindo que ela intervenha diplomaticamente junto ao governo russo pela libertação da bióloga. 

"Se Ana Paula hoje está injustamente presa a milhares de quilômetros de casa, o motivo é um só: ela dá a cara a tapa por uma causa que é de todos nós. A senhora, presidente, sabe muito bem o que é isso. Não só por ser mãe e avó, mas principalmente por ser, como a minha Ana, uma mulher idealista. Uma mulher que também já foi injustamente para a cadeia, por causas que não eram apenas suas", escreveu Rosângela.

"Peço humildemente que use seu peso político, de chefe de nação, para que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, possa se sensibilizar e interceder por Ana, que há anos trabalha pacificamente por um mundo melhor."

Na última segunda-feira (7), o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), disse a diretores do Greenpeace que se compromete a reforçar pessoalmente o pedido de intervenção pela libertação da gaúcha Ana Paula à presidente Dilma. Genro afirmou ainda que iria acionar a secretaria de Justiça e dos Direitos Humanos do Estado para entrar oficialmente no caso.

Entenda

A Justiça russa indiciou 28 ativistas do Greenpeace, entre eles Ana Paula, e dois jornalistas por pirataria depois de participarem de uma ação contra uma plataforma de petróleo da gigante russa Gazprom no Ártico e determinou prisão temporária do grupo por 60 dias. Se condenados, cada um poderá cumprir pena entre 10 e 15 anos de prisão, além de pagar multa de até 500 mil rublos (cerca de R$ 33 mil).

No protesto, um navio do Greenpeace se aproximou de uma plataforma de petróleo pertencente à estatal russa Gazprom e dois ativistas tentaram escalar a unidade de perfuração. A ONG diz que o protesto foi pacífico e rechaçou as acusações de pirataria como absurdas e infundadas.

No começo de outubro, um tribunal russo negou o direito à fiança a três das 30 pessoas presas. Depois disso, o diretor do Greenpeace, Kumi Naidoo, enviou uma carta para o presidente russo, Vladimir Putin, se oferecendo como garantia para libertação dos ativistas.

A Holanda deu início a procedimentos legais contra a Rússia, alegando a ilegalidade da detenção dos ativistas a bordo do navio do Greenpeace Arctic Sunrise, de bandeira holandesa.

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