Países não chegam a acordo em negociações sobre clima após nova sessão

Do UOL, em São Paulo

Ainda não houve acordo entre os 195 países presentes na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP20), que acontece há duas semanas em Lima, no Peru. 

Após uma nova rodada de debates neste sábado (13) --o evento deveria ter acabado na véspera--, os representantes dos países não conseguiram chegar a um consenso sobre as medidas a serem adotadas mundialmente contra o aquecimento global. O principal impasse de hoje ficou por conta de China e EUA, os dois maiores emissores de poluentes. 

Com isso, o texto volta para o presidente do evento, o peruano Manuel Pulgar Vidal. Ele ainda deve se reunir com as delegações dos países em busca de uma solução.

Mais cedo, Vidal pediu flexibilidade: "Estamos muito perto. Sabemos que precisamos de sua flexibilidade. Vamos trabalhar juntos." 

"Não temos tempo para novas e longas negociações, e acho que todos sabem disso", disse Todd Stern, dos EUA. Em contrapartida, Ian Fry, da ilha de Tuvalu, na Polinésia, afirmou: "O texto precisa de uma pequena cirurgia".

Limitar aquecimento global a 2ºC até 2100

As nações ricas e pobres tentam chegar a um acordo sobre qual a responsabilidade de cada país para impedir o aumento das emissões mundiais de poluentes. Outro desafio é levantar um prometido fundo de US$ 100 bilhões por ano, até 2020, para ajudar as nações pobres a lidarem com as consequências de um mundo mais quente. 

Cientistas advertem que, com o atual nível de emissões de carbono, as temperaturas aumentariam 4ºC até o fim do século. O objetivo desse pacto global é reduzir as emissões de poluentes para limitar o aquecimento global a 2ºC até 2100.

O aquecimento da terra e dos mares provoca fenômenos extremos, como derretimento de geleiras, enchentes, tempestades violentas, inundações e secas. O principal impacto acontece sobre as populações mais pobres.

Empurrando para 2015

O fim das negociações em Lima estava previsto para ontem, às 23h, o que obrigou a um esforço extra dos diplomatas e funcionários dos países, nas últimas horas, para alcançar um pré-acordo.

Às 3h deste sábado, a direção do evento anunciou um adiamento oficial da sessão de encerramento até as 10h (13h de Brasília), dando tempo a um grupo de trabalho encarregado de finalizar o documento.

"Estamos empurrando as decisões importantes para Paris", afirmou um participante neste sábado.

O texto que deve sair de Lima é um rascunho. O acordo final deve ser assinado no ano que vem, em Paris (França), e substituir o Protocolo de Quioto a partir de 2020.

Divergências mostram divisão do mundo em dois blocos

As negociações mostram que há uma divisão do mundo em dois blocos: desenvolvidos e em desenvolvimento, que inclui os emergentes. O ponto da discórdia é definir a cota que caberá a cada um.

Os países em desenvolvimento defendem que as nações ricas são as principais responsáveis pelo aquecimento global e, por isso, devem assumir responsabilidades maiores.

Os países industrializados afirmam que os gigantes emergentes --como China e Índia-- também devem fazer grandes esforços, já que suas indústrias, baseadas na energia do carvão, são altamente poluentes.

De acordo com o Programa do Meio Ambiente da ONU, os países desenvolvidos reduziram em entre 51,8% e 40,9% sua incidência global de emissões, enquanto as nações em desenvolvimento elevaram sua participação em entre 48,2% e 59,1% no período de 2000 a 2010.

'Opções' de corte

A opção mais ambiciosa fala em corte de 40% a 70% de emissões mundiais de gases até 2050, com base nos registros de 2010, e se chegar a zero de gás carbônico no final do século. Com isso, haveria 66% de chance de atingir o objetivo de impedir que a temperatura média do planeta suba além de 2°C até 2100.

Outra "opção" seria cortar até 50% as emissões em 2050 e "continuar a reduzir".

Alguns países se mostram dispostos, publicamente, a abraçar a opção mais ambiciosa.

Os EUA já se propuseram a reduzir em 83% suas emissões até meados do século, com base em dados de 2005. A União Europeia se comprometeu a cortar 40% até 2030, em relação às suas emissões de 1990.

A China prometeu em Lima que apresentará uma oferta "ambiciosa", mas suas posições podem mudar no momento de fechar o acordo de Paris.

(Com agências de notícias)

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