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Meio Ambiente

ONG lança vídeo vetado nos EUA que põe papa como herói na luta climática

Em Cambridge (EUA)

15/06/2015 14h15

Um vídeo com jeito de filme de ação de Hollywood que chegou à internet na quinta-feira (11), retratando o papa Francisco como um herói contra as mudanças climáticas, foi vetado por católicos nos Estados Unidos, retirado do ar horas após ser lançado, e acabou sendo adotado por uma ONG brasileira.

Divulgado originalmente pela organização ecumênica Our Voices no Facebook e no Youtube, o material humorístico tem como mote a nova encíclica que o Vaticano divulga na quinta-feira (mais informações abaixo). Será a primeira vez que um líder da Igreja Católica vai adotar um posicionamento sobre mudanças climáticas.

A peça bem humorada retrata Francisco como um lutador de boxe que treina no melhor estilo Rocky Balboa para combater, em uma "épica batalha", aqueles que querem destruir o planeta - ou a "criação de Deus", como apresenta o narrador. Ele corre, pula corda, transforma o cetro papal em uma arma marcial e treina com ninguém menos que o próprio Jesus Cristo.

"Ele é um homem gentil, um homem sagrado, mas o que ele fará quando o planeta criado por Deus, com amor, virar alvo de ataques?", inicia o narrador. Na sequência, o "papa-lutador" anuncia: "Se destruirmos a criação, a criação nos destruirá". A frase realmente foi dita por Francisco há alguns meses. Algumas cenas depois, outra frase real do papa é apresentada: "A natureza nunca perdoa. Se você a ataca, ela sempre contra-ataca". Os vilões a serem combatido, no caso, são os combustíveis fósseis

Auto-censura

Segundo apurou o jornal O Estado de S. Paulo, organizações católicas "enfurecidas" ligaram para a ONG Our Voices logo depois da divulgação, criticando o material, entre elas a Catholic Climate Covenant (grupo que se denomina a voz da Igreja sobre as mudanças climáticas). Já a rede brasileira Observatório do Clima acabou abraçando a divulgação do vídeo, que foi distribuído em três línguas (inglês, português e espanhol) e alcançou mais de 27,3 mil visualizações nos três formatos (a maioria delas da versão em inglês).

Por um lado parece ter havido certa ciumeira de um grupo que não teria sido consultado na produção do vídeo. Por outro, a ala mais conservadora da Igreja Católica americana, que tem resistido às atitudes progressivas de Francisco e enfrentado pressão de financiadores, não teria gostado muito das brincadeiras feitas pelo vídeo, que coloca a indústria dos combustíveis fósseis como vilã a ser combatida. Além disso, poderia complicar as relações com os conservadores nos Estados Unidos.

Nessa esfera política, já há alguns meses representantes do Partido Republicano - notórios por recusar que humanos são responsáveis pelas mudanças climáticas e, por isso, contra ações na área- têm questionado a atitude pró-clima de Francisco. Em setembro, ele virá aos Estados Unidos e fará uma visita ao Congresso. A expectativa é de que, depois da encíclica, o encontro vai causar uma saia-justa entre republicanos católicos, como John A. Boehner, de Ohio, que tem criticado a agenda ambiental do presidente democrata Barack Obama como "matadora de empregos".

O reverendo Fletcher Harper, diretor da Our Voices, defendeu o material, entendeu a posição dos católicos mais tradicionais, mas disse que pretende divulgá-lo novamente após a publicação da encíclica. "O vídeo é bem humorado, é uma maneira de engajar os mais jovens que não necessariamente se conectam com a religião de outras maneiras."

Para a ONG brasileira que encampou a divulgação do vídeo, a mensagem é inofensiva. "O próprio papa aprovaria o filme", afirmou Carlos Rittl, secretário executivo do Observatório do Clima.

Indigno

Procurada, a organização Catholic Climate Covenant manifestou-se em nota do diretor associado, Lonnie Ellis: "Embora o vídeo seja obviamente satírico, nós simplesmente achamos que era indigno e incompatível com a mensagem do papa. O papa é atencioso e esperançoso, não combativo, em sua mensagem de ajudar os pobres que estão feridos por rupturas climáticas." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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