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Meio Ambiente

Conhecimento local permite melhorar controle da fauna na Amazônia, diz estudo

07/12/2021 05h32

Barcelona (Espanha), 6 dez (EFE).- O conhecimento dos povos da Amazônia pode melhorar o controle da vida selvagem na região da floresta, segundo um estudo conduzido pelo Instituto de Ciência e Tecnologia Ambiental (ICTA-UAB) e pelo Departamento de Saúde e Anatomia Animais da Universidade Autônoma de Barcelona (UAB).

A pesquisa, divulgada nesta segunda-feira na revista "Methods in Ecology and Evolution", contou com a participação de especialistas de instituições de Brasil, Espanha, Peru, Estados Unidos e Reino Unido.

A Amazônia abriga cerca de 390 bilhões de árvores e tem uma das maiores biodiversidades do mundo, mas, com o atual ritmo de desmatamento, 27% de sua área pode estar sem florestas até 2030.

Estes dados mostram a urgência de ter estimativas precisas e atualizadas da abundância de populações de vida selvagem para melhorar a conservação da biodiversidade.

O trabalho compara os valores de abundância de 91 espécies silvestres, obtidos após análise de mais de 7.000 quilômetros de transectos lineares (sistemas analíticos), com o conhecimento de 291 habitantes de 17 partes da Amazônia.

Os resultados mostram uma alta semelhança entre os dois métodos, indicando que o conhecimento local é tão confiável quanto os métodos científicos convencionais atualmente em uso.

Os pesquisadores observaram até mesmo que o conhecimento ecológico local é muito mais poderoso do que os transectos lineares quando se trata de espécies específicas que raramente são observadas em seu habitat, como espécies noturnas, crípticas, menos abundantes ou menos caçadas.

AJUDANDO A CIÊNCIA.

A principal autora do estudo e pesquisadora do ICTA-UAB, Franciany Braga-Pereira, diz que "a percepção da população local é multisensorial: envolve audição, cheiro e outros sinais visuais indiretos".

Segundo Braga-Pereira, este conhecimento também inclui "diferentes escalas de tempo e espaço", já que a população local tem contato com a floresta "o ano inteiro e em todo o território de sua comunidade".

Neste sentido, Pedro Mayor, pesquisador do Departamento de Saúde e Anatomia Animais da UAB e coautor do estudo, ressalta que "os habitantes caminham pela floresta à noite e durante o dia, enquanto os transectos lineares são geralmente feitos apenas durante o dia".

Mayor também afirma que este conhecimento "implica um maior número de horas passadas pela população local observando a floresta, mas muito distribuídas ao longo do tempo e à medida em que ela realiza suas atividades diárias".

Os autores argumentam que a incorporação desse conhecimento em projetos de monitoramento da vida selvagem poderia melhorar muito a qualidade da ciência e contribuir para a sustentabilidade das florestas tropicais do mundo.

"O conhecimento ecológico é mais preciso do que dez anos de monitoramento científico convencional da abundância animal na Amazônia", diz Braga-Pereira. EFE

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