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Meio Ambiente

Com 42% de chuvas, Cantareira tem menor volume desde 2016

Imagem de agosto de 2021 mostra represa do rio Jaguari, em Vargem (SP), que compõe o sistema Cantareira  - LUIS MOURA/ESTADÃO CONTEÚDO
Imagem de agosto de 2021 mostra represa do rio Jaguari, em Vargem (SP), que compõe o sistema Cantareira Imagem: LUIS MOURA/ESTADÃO CONTEÚDO

Letícia Mutchnik

Do UOL, em São Paulo

28/05/2022 04h00

O Sistema Cantareira, principal manancial da Região Metropolitana de São Paulo, operava na sexta-feira (27) com 41,8% de sua capacidade, nível mais baixo no fechamento desde maio desde 2016, quando marcou 36,9%, segundo dados da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo).

O ano de 2016 foi o primeiro de recuperação após a crise hídrica. Para se ter uma ideia, o volume em 2015, nesta mesma data, era negativo:-9,8% —ainda mais baixo do registrado em 2014, de 6,8%.

Até ontem, só havia chovido 42,24% da média histórica — 31,6 mm, enquanto a média para maio é de 74,8 mm. Também choveu menos da metade do esperado em todos os outros sistemas de abastecimento de água.

O baixo volume de chuvas confirma as previsões de especialistas, diz Pedro Luiz Côrtes, professor de pós-graduação em ciência ambiental do IEE (Instituto de Energia e Ambiente) da USP (Universidade de São Paulo).

"Outros sistemas importantes também apresentaram chuvas bem abaixo da média. No Alto Tietê o volume de chuvas, até o momento, corresponde a 46% da média. No Guarapiranga, choveu apenas 15% do esperado. Tudo isso mostra, mais uma vez, o acerto dos prognósticos climáticos e essa situação não apresenta perspectivas de mudança nos próximos meses", explica o especialista.

Ainda assim, o Cantareira, maior sistema de reservatórios do Estado, com capacidade total de 982 bilhões de litros, é o que mais preocupa. "A situação do Sistema Cantareira é muito preocupante e os prognósticos climáticos não indicam uma mudança de cenário ao longo dos próximos meses", analisa Côrtes.

O último aumento de volume no sistema foi registrado no dia 10 de abril, de 0,1 p.p. (ponto percentual). Desde então, só houve queda. Se considerado apenas o fechamento de cada mês, o último saldo positivo foi registrado em fevereiro.

A previsão para junho é que as chuvas se mantenham dentro da média, diz Franco Villela, meteorologista do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia). "A expectativa é que haja cerca de 50 mm a 60 mm de chuva, o que é típico para o mês", diz. A média histórica do sexto mês do ano é de 57,1 mm.

Ainda que chova exatamente a média histórica, a tendência é que o volume de água do Cantareira chegue em setembro abaixo de 30%, levando em conta a previsão mais recente do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), publicada no dia 3 de maio.

A escala da Sabesp para medir o volume útil dos reservatórios e classificar a gravidade da situação aponta como normal um nível igual ou maior que 60%. Quando o nível fica entre 40% e 60%, o estado é de atenção. Entre 30% e 40%, de alerta. Entre 20% e 30%, o estado é de restrição. Abaixo de 20%, o nível é considerado crítico.

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Imagem: Arte/UOL

Veja o nível dos reservatórios que abastecem a região metropolitana de São Paulo, segundo a Sabesp:

  • Alto Tietê: 62,5% (baixa de 0,8 p.p. em relação à semana passada)
  • Guarapiranga: 79,8 (-2,5 p.p.)
  • Cotia: 84,9 (-1,8 p.p. )
  • Rio Grande: 99,2 (-1,1 p.p.)
  • Rio Claro: 43,5 (-0,9 p.p.)
  • São Lourenço: 92,1 (-2,2 p.p.)

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