Bush dispara o primeiro tiro contra rede terrorista

O presidente Bush demonstrou o empenho da América em sua guerra contra o terrorismo ao anunciar nesta segunda-feira o bloqueio de bens de organizações terroristas nos Estados Unidos.

Bush agiu corretamente ao estender a medida a bancos e instituições financeiras do exterior que possam ser utilizadas como vias de acesso para os fundos que sustentam as operações terroristas. Todo país que queira demonstrar sua solidariedade para com as vítimas do massacre no World Trade Center deveriam dispor-se a apoiar o empenho norte-americano em desmontar a rede financeira dos assassinos. Torna-se, portanto, apropriado que de agora em diante o Departamento do Tesouro esteja autorizado a bloquear ativos e investimentos de bancos estrangeiros que não queiram cooperar e interromper suas transações dentro dos Estados Unidos.

Os países que terão de alterar suas legislações bancárias para se adaptarem a essas restrições elementares contra o comércio homicida dos terroristas deverão fazê-lo o quanto antes. Abrir mão do dinheiro sangrento de Osama bin Laden seria fazer um sacrifício demasiadamente pequeno. Países que não enviarão tropas em missões arriscadas no Afeganistão e contam apenas com assistência limitada no setor de inteligência deverão, ainda assim, contar com um papel importante na defesa contra o terrorismo, arrancando o dinheiro das mãos desses assassinos.

Na condição de principal suspeito nesta campanha para impedir futuras atrocidades terroristas, Bin Laden é um alvo mais incerto do que um Estado terrorista e, sob outros aspectos, mais vulnerável. Por ser ele aquilo que especialistas definem como um 'ator não-estatal', Bin Laden não mantém relações comerciais com outros países que possam ser interrompidas. Ele não possui embaixadores que possam ser declarados persona non grata. Ele não conta com arsenal militar visível que possa vir a ser atingido em uma retaliação à morte de milhares de civis em Nova York.

Os 19 sequestradores suicidas que explodiram aviões no World Trade Center e no Pentágono necessitavam de dinheiro para sobreviver, viajar, pagar por suas aulas de aviação em sumuladores de vôos comerciais. A rede de Bin Laden, a Al Qaeda, é nutrida por duas fontes: dinheiro e uma ideologia política encoberta pela retórica da purificação religiosa. Será difícil desfazer, a curto prazo, o encanto de uma ideologia que recomenda a derrubada de todos os regimes do mundo muçulmano que não partilhem da pureza patriarcal do Taleban. É muito mais fácil procurar, encontrar e apreender as verbas da 'Internacional Terrorista'.

Tendo em vista este fim, Bush deverá apresentar o quanto antes as provas da culpa de Bin Laden aos aliados e ao povo americano. O material que possa comprometer fontes de inteligência não deve ser divulgado para governos que não são inteiramente confiáveis. Mas se for solicitada junto a um banco no Paquistão ou na região do Golfo Pérsico a apreensão dos fundos de Bin Laden, os governos e as populações de seus países deverão estar cientes de que sua herança milionária financiou um massacre de inocentes.

Tradução: André Medina Carone

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