EUA surpreendem ao travar luta ativa pela paz

A revelação de que o Secretário de Estado Colin Powell planejava, antes das atrocidades do dia 11 de setembro, declarar apoio à criação do Estado Palestino é perfeitamente compatível com o conselho que o governo americano vem recebendo de governantes árabes. Igualmente oportuna é a implicação de que não fosse por Osama bin Laden e sua rede terrorista, o governo americano já teria abandonado sua postura de negligência benigna perante à contínua violência praticada por israelenses e palestinos.

Postas de lado as oportunidades, há uma real necessidade de que o governo americano participe ativamente da luta pela paz no Oriente Médio. A repetida afirmação de que ele não será capaz de convencer ambas as partes antes que estejam dispostas a interromper a carnificina e retomar as negociações pode ser defensável para alguma outra região e para algum outro conflito. Quando aplicado ao conflito entre israelenses e palestinos, o pendor à passividade do presidente Bush demonstrou que não há poder externo capaz de romper o ciclo de violência e obrigar ambas as partes a agir de forma razoável.

Em si mesma, a indicação de que Bush virá a ser o primeiro presidente republicano a reconhecer um Estado Palestino não significa muita coisa. Até mesmo o primeiro-ministro israelense Ariel Sharon, um representante da extrema direita, há muito tempo já reconheceu que a existência de um Estado Palestino seria inevitável.

As questões que demonizaram as negociações mediadas pelo ex-presidente Clinton em Camp David, bem como as conversas entre palestinos e israelenses realizadas em Taba no último mês de janeiro, diziam respeito ao caráter e à viabilidade de um Estado Palestino, o status de Jerusalém, e a meios para se assegurar o regresso de refugiados palestinos - ou a concessão de alguma forma de compensação - sem que fosse criada uma ameaça à existência do Estado de Israel.

Por ora, nem de Powell e nem de qualquer outro representante do governo americano deve-se esperar a tomada pública de alguma posição quanto a esta acirrada disputa. Entretanto, o governo pode e deve deixar claro que as medidas repressivas de Sharon estão sendo bancadas por extremistas e que o recurso de Arafat à luta armada desmoralizou a facção pacífica israelense e fortaleceu radicais que não se incomodam em prolongar indefinidamente a violenta ocupação militar de Israel na Cisjordânia e em Gaza.

O governo americano deve intervir de forma ativa pela interrupção do derramamento de sangue e da retomada das negociações no Oriente Médio - não apenas para que os americanos conquistem mais facilmente o apoio dos governos saudita, egípcio e jordaniano para a guerra do país contra as operações terroristas de bin Laden, mas por causa dos palestinos, israelenses e de todos os outros no Oriente Médio que necessitam desesperadamente da paz.

Caso Washington possa simultaneamente desmentir a propaganda antiamericana dos islâmicos que desejam depor todos os regimes seculares do mundo árabe, será ainda melhor.

Tradução: André Medina Carone

UOL Cursos Online

Todos os cursos