Computador abre novas fronteiras para animação em "A Era do Gelo"

Em "A Era do Gelo" computador abre novas fronteiras para animação

Jay Carr

A Blue Sky não está a ponto de destronar a Pixar Animation. Mas com A Era do Gelo, a empresa se estabelece com solidez no mundo da animação pós-Pixar. Trata-se de um mundo liso, polido e recém-modelado, no qual imperam os jogos imaginativos com a luz e a paisagem. Os personagens do filme, embora tenham sido concebidos segundo linhas mais tradicionais, também têm algo de inovador e conduzem "A Era do Gelo" rumo àquele público composto pelas famílias, que atualmente exigem uma maior exuberância gerada por computadores nos seus entretenimentos animados, ao mesmo tempo que querem ver sentimentos expressos na tela.

A estória, que se passa 20 mil anos atrás, fornece à audiência algo de novo para apreciar. Não há dinossauros (eles se extinguiram há muito tempo). Ao invés dos grandes lagartos, um mamute lanudo, uma preguiça e um tigre-dente-de-sabre formam uma improvável equipe de resgate que tenta levar um bebê humano de volta à sua tribo.

O que todos têm em comum é o fato de estarem se dirigindo para o sul -- mantendo uma dianteira, assim esperam, sobre o gelo que avança.

Devido ao fato de o gelo real se mover vagarosamente, os diretores criaram um pequeno animal pré-histórico, semelhante a um híbrido de esquilo com rato que, na tentativa de enterrar uma bolota de carvalho em uma geleira, desencadeia uma movimentação do bloco de gelo, um fato que acaba sendo desastroso para todos. O bebê balbuciante não passa de uma mera bagagem, o que dá ao mamute muito motivo para resmungar.

Ray Romano é um bom resmungador, e a voz de John Leguizamo ativa a preguiça, enquanto a equipe de resgate vai sobrevivendo a encontros perigosos com animais como rinocerontes e dodos. Eles confiam um pouco demais no tigre-dente-de-sabre que se junta à equipe, e que, claramente, encara o bebê como um prato de um menu, e não como o objeto de uma missão a ser realizada.

Um ator menos habilidoso do que Denis Leary teria tido mais dificuldade em escapar da sombra de Jeremy Irons, que fez a tradicional voz de grande felino em "O Rei Leão". Mas Leary está à altura do desafio, e o seu tigre dentuço, Diego, acrescenta um peso positivo à trama dramática do filme. Já Manny, o Mamute, e Sid, a preguiça, dão um toque exótico. Os seus truques e piadas parecem ter 20 mil anos de idade, embora sejam engraçados. Na verdade, o fato de estarmos a assistir uma estória muito antiga envolta em uma roupagem bem nova (a pelagem dos animais representa um outro avanço da computação, demonstrado no filme) cativa a platéia, ao invés de distraí-la.

O principal impacto e atrativo de "A Era do Gelo" está no seu visual resplandecente, de uma forma que aparenta ser menos artificial do que o sentimentalismo morno da estória. Ainda estamos presenciando o primeiro capítulo do livro que está sendo reescrito pela tecnologia de computação, e cada novo passo, assim parece, faz com que as fronteiras da animação se expandam mais e mais. Neste filme, os jogos da luz no gelo, na terra e nos animais são mais sutis do que em qualquer trabalho anterior. Para mim, o filme atinge o seu glorioso ápice quando os personagens passam através de uma rede de túneis de gelo translúcido.

Demorou um pouco para que a 20th Century Fox aterrissasse na pista da animação. Mas agora a empresa finalmente tomou tal decisão. "A Era do Gelo" é o desenho animado mais interessante do momento.

Tradução: Danilo Fonseca

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