Estudo mostra que downloads de arquivos não afetam vendas de CDs

Por Hiawatha Bray

Será que os consumidores continuam comprando os últimos discos quando podem baixá-los de graça pela Internet? Um professor da Harvard Business School diz que sim, em um novo estudo que questiona a sabedoria da campanha da indústria fonográfica mundial para deter os downloads ilegais.

"Quando vimos os resultados pela primeira vez, dissemos: 'Não, não, não, não. Algo deve estar errado", disse Felix Oberholzer-Gee, que desenvolveu a pesquisa com Koleman Strumpf, da Universidade da Carolina do Norte.

No entanto, depois de estudar os números várias vezes, Oberholzer-Gee e Strumpf concluíram que baixar músicas não causava impacto da venda de discos.

O novo estudo também sugere que tem efeito limitado a tática da indústria fonográfica de processar legalmente os americanos que tornam disponíveis as músicas para serem baixadas. Eles concluíram que mais da metade de todos os downloads vieram de fora dos EUA. A Alemanha foi a maior fonte de downloads estrangeiros, com 16% do total, seguida da Itália, com 11%.

Os detentores dos direitos de vendas parecem ter chegado à mesma conclusão. Na terça-feira, a Federação Internacional da Indústria Fonográfica disse que seus membros emitiram cartas de advertência, entraram com processos civis e acusações criminais contra 247 pessoas que trocam arquivos no Canadá, Alemanha, Dinamarca e Itália.

A campanha internacional seguiu o modelo da Associação da Indústria Fonográfica dos EUA, iniciada no ano passado. Jonathan Lamy, porta-voz do grupo, refutou as conclusões do novo relatório.

"A maioria avassaladora das evidências, análises e pesquisas atesta que a troca ilegal de arquivos tem um impacto negativo nas vendas de CD", disse Lamy. "O estudo de Harvard é simplesmente uma análise feita durante um momento isolado no tempo e contradiz volumes de pesquisas e análises."

A maior parte das pesquisas sobre o download de músicas entrevista as pessoas que usam os serviços de troca de arquivos, perguntando se compram as cópias das gravações que baixam. Mas Oberholzer-Gee e Strumpf temiam que algumas pessoas não dessem respostas honestas, alegando comprar as gravações quando não o faziam.

Então, no outono de 2002, Oberholzer-Gee e Strumpf receberam permissão de ligarem-se em dois servidores de "supernó" da rede de troca de arquivos chamada Open Napto e acompanharem os downloads. Em um período de 17 semanas, observaram os usuários baixarem 1,75 milhões de arquivos, sendo apenas 261.000 por americanos.

Oberholzer-Gee e Strumpf também compuseram uma lista de 680 CDs populares, em uma variedade de estilos musicais. Eles acompanharam as tabelas Nielsen Soundscan para medir as vendas americanas desses álbuns no mesmo período, comparando com o número de vezes que as pessoas baixaram as músicas dos discos.

Os pesquisadores esperavam ver um declínio nas vendas de um CD toda vez que houvesse um aumento dos downloads daquele disco. Para sua surpresa, não funcionou assim. "Os downloads têm um efeito nas vendas estatisticamente igual a zero", concluiu o estudo.

"A Internet realmente funciona mais como um rádio", disse Oberholzer-Gee. "Se as pessoas gostam do que ouvem, vão à loja e compram". Assim, acrescentou, o download pela Internet pode promover vendas de CDs, da mesma forma que uma rádio.

O estudo soou como música aos ouvidos de John Jordan, analista da mídia para Cap Gemini Ernst & Young, que há muito acredita que a troca de arquivos pode beneficiar a indústria fonográfica. "Uma forma de disseminar uma boa música nova é o que todo artista quer", disse ele, acrescentando que muitos ouvintes vão querer comprar um CD, depois de ouvirem uma amostra. "Ainda há uma base instalada muito grande de pessoas que preferem comprar assim, se o preço for justo", disse Jordan.

Outros, entretanto, não estão convencidos. Josh Bernoff, analista da Forrester Research em Cambridge, diz que a troca de arquivos custa à indústria cerca de US$ 700 milhões (em torno de R$ 2,1 bilhões) por ano, em receita perdida. Bernoff disse que como Oberholzer-Gee e Strumpf acompanharam apenas os discos mais populares, perderam o efeito maior que programas de troca de músicas como o Kazaa teve no mercado musical.

"Um usuário freqüente do Kazaa sabe que terá o que quiser disponível na Internet" disse Bernoff. "Portanto, quando chega na loja, não compra tanto quanto costumava". Tal cliente talvez compre os mais recentes sucessos, disse Bernoff, mas é muito menos provável que compre gravações mais obscuras e menos populares.

Material dos serviços de cabo do Globe foram usados nesse artigo. Hiawatha Bray pode ser encontrado em bray@globe.com. Deborah Weinberg

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