BP carece de senso de urgência, diz cientista que monitora as águas por conta própria

Kimberly Miller

Em West Palm Beach (EUA

  • Nick Tomecek/Northwest Florida Daily News/AP - 16.jun.2010

    Mancha continua se expandindo no Golfo do México

    Mancha continua se expandindo no Golfo do México

Frustrada com o controle dos gastos pela British Petroleum (BP), e consequentemente dos esforços científicos para monitoramento do maior vazamento de petróleo na história americana, uma pesquisadora do sul da Flórida lançou seu próprio esforço para proteger a costa leste do Estado. 

A exploradora de águas profundas Edith Widder, uma ex-cientista sênior do Instituto Oceanográfico Harbor Branch, em Fort Pierce, e fundadora da Associação para Pesquisa e Conservação do Oceano (Orca, na sigla em inglês), começou a coletar amostras de sedimentos nesta semana em enseadas de Miami a Sebastian. Ela deseja dados de referência para, caso o petróleo chegue aos Estreitos da Flórida e entre na Corrente do Golfo que abraça a costa, possa haver comparações para medição dos efeitos a curto prazo e danos a longo prazo. 

Widder também espera colocar no Oceano Atlântico sensores em tempo real, desenvolvidos por sua organização, para detectar quando o petróleo estiver chegando e de que forma. E ela não quer o envolvimento da BP, porque após trabalhar como consultora em um posto de comando no Alabama que está lidando com o vazamento de petróleo, ela tem pouca confiança na liderança da empresa e no senso de urgência quando se trata de levantamento dos danos. 

"Nós não podemos ficar sentados esperando que a BP faça a coisa certa", disse Widder, que criou a Orca em 2005, após 16 anos no Harbor Branch. "Todos aqueles centros de comando de petróleo estão totalmente sob controle da BP, e é como a raposa vigiando o galinheiro." 

Desde a explosão da Deepwater Horizon em 20 abril, que causou o vazamento que, acredita-se, que esteja lançando até 2,5 milhões de galões de petróleo por dia, a BP tem enfrentado críticas por sua teimosia em reconhecer o pior do vazamento.

Primeiro o vazamento de petróleo; agora, o vazamento de desculpas

Naquele que os historiadores poderão lembrar como um momento pioneiro na era dos pedidos públicos de desculpas, Joe Barton, o congressista do Texas, pediu oficialmente desculpas por ter pedido desculpas. Ele retirou suas desculpas. Ele lamentou sua lamentação. Ele sentia muito ter mencionado que sentia muito. Tudo o que posso pensar é que parece algo como assistir "Oprah" de trás para frente

Por semanas os executivos da BP duvidaram das descobertas dos pesquisadores da Universidade do Sul da Flórida, que identificaram uma imensa mancha de petróleo submarina que os cientistas temem que possa causar tanto ou mais devastação quanto a mancha de petróleo na superfície. 

Na edição de 27 de maio da revista "Nature", os cientistas se queixaram da falta de coleta de dados de referência no golfo, informação que provavelmente seja tarde demais para ser coletada. Eles também expressaram preocupação com o desconhecimento sobre os tipos de estudos que já estavam em andamento. 

O grupo de Widder experimentou a mesma coisa. A BP já tinha aprovado planos para coleta de amostras de água e sedimentos nas águas do sudeste da Flórida, dados que foram coletados na semana passada, disse Amy Graham, porta-voz do Centro de Operações de Emergência da Flórida. "O consenso geral é de que parece não haver nenhum compartilhamento de informação", disse Warren Falls, diretor administrativo da Orca, que falou com o Departamento de Proteção Ambiental da Flórida, mas disse que não tinha conhecimento da coleta de amostras. 

Dois outros planos para coleta de amostras nas águas ao norte de Martin County até a divisa do Estado da Geórgia aguardam aprovação da BP e do Comando Unificado. "O fato de ter que ser aprovado pela BP não faz nenhum sentido. É assustador", disse Widder, que atuou como consultor de petróleo para o Departamento do Interior. "Eu bem que gostaria de relatar um plano de resposta forte, bem organizado e movido pela ciência ao vazamento de petróleo. Infelizmente, não é o caso." 

Ele pode ter melhorado nesta semana com o anúncio pela BP de milhões de dólares em verba para os cientistas, incluindo o Instituto de Oceanografia da Flórida da Universidade do Sul da Flórida. O Instituto receberá US$ 10 milhões dos esperados US$ 500 milhões prometidos pela BP para os próximos 10 anos. A Orca não é membro do instituto. 

Vickie Chachere, diretora de imprensa para comunicações e marketing da Universidade do Sul da Flórida, disse que foi prometido ao instituto que a BP não interferirá na pesquisa e que todos os dados serão públicos. "Não há condições impostas", disse William Hogarth, diretor em exercício do instituto. 

Ainda assim, Widder disse que precisa agir. Ela está coletando doações privadas para instalar cerca de 10 monitores de qualidade da água movidos a energia solar ao longo da costa leste. Cada monitor, chamado Kilroy, pode realizar leituras a cada meia hora. 

Widder quer levantar até US$ 200 mil para instalação do sistema de monitoramento, algo que ela deseja que seja totalmente separado da BP. "Nós não devemos presumir que não podemos fazer nada", disse Widder. "Mas fazer algo significa ter conhecimento do que estamos enfrentando."

Tradutor: <I> George El Khouri Andolfato </i>

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