Aristocrata alemão planeja criar seu próprio autódromo

Tom Grünweg

  • EFE - 07.maio.2006

    Pilotos contornam a primeira curva do Grande Prêmio da Europa, em 2006, no combalido autódromo de Nurburgring, na Alemanha (2006); O GP teve Schumacher campeão da prova, seguido de Alonso <br>e Massa, terceiro

    Pilotos contornam a primeira curva do Grande Prêmio da Europa, em 2006, no combalido autódromo de Nurburgring, na Alemanha (2006); O GP teve Schumacher campeão da prova, seguido de Alonso <br>e Massa, terceiro

Quando era pequeno, o conde Marcus von Oeynhausen-Sierstorpff andava em carros de corrida com o namorado de sua irmã, que por acaso era um astro da Fórmula 1. A experiência de infância obviamente deixou uma marca: o aristocrata alemão agora está construindo sua própria pista de corrida no meio de uma floresta alemã –no local de um antigo depósito de munição do exército britânico. 

O famoso complexo de esportes a motor de Nürburgring da Alemanha está praticamente falido, os circuitos de Sachsenring e EuroSpeedway Lausitz, no leste da Alemanha, ainda precisam dar lucro e a volta da lenda alemã da Fórmula Um, Michael Schumacher, ainda não está despertando muito ânimo. Os tempos, ao que parece, estão difíceis para os esportes a motor na Alemanha. 

Mas o conde Marcus von Oeynhausen-Sierstorpff, o herdeiro de sétima geração de uma dinastia aristocrática alemã, não está deixando nada disso incomodá-lo. Ele planeja criar um novo complexo de corridas no local de um antigo depósito de munição do exército britânico no meio da floresta de Teutoburgo, no Estado de Renânia do Norte-Vestfália. Se tudo correr segundo o plano, o Bilster Berg Drive Resort será inaugurado no início de 2012. 

Apesar das dificuldades que os outros autódromos estão enfrentando, os autores do projeto acreditam firmemente na ideia. “Não haverá grandes corridas para o público em geral assistir aqui”, diz o diretor do projeto, Hans-Jürgen von Glasenapp. Na pista de Bilster Berg, as provas só serão vistas por outros corredores. Assim como ricos interessados em pilotar carros de corrida e unidades especiais da polícia que treinarão para cenários de emergência. Os autores do projeto também esperam que test drives da indústria automotiva sejam realizados em Bilster Berg. 

Construindo um pista de corrida mais econômica 

Glasenapp observou que as pistas de teste existentes costumam ficar com suas agendas lotadas. “A demanda é maior que a oferta por toda parte na Europa”, ele explica. Bilster Berg seria uma alternativa bem-vinda, ele diz, especialmente porque o uso da pista seria comparativamente mais barato. Em vez de custar cerca de 50 mil euros por dia de uso da pista, os preços de Bilster Berg seriam a partir de 15 mil euros. 

Uma pista de 4,2 quilômetros será construída em uma propriedade de 85 hectares. O campeão de rali e consultor de automobilismo Walter Röhrl já está comparando o trajeto ao lendário trecho Nordschleife (“loop norte”) de Nürburgring, apelidado de “Inferno Verde” devido à sua dificuldade em condições de corrida. Como o Nordschleife, a área em que a pista de Bilster Berg está sendo construída também é coberta de mata e é igualmente montanhosa; haverá uma diferença de 70 metros de elevação entre trechos diferentes da pista de Bilster Berg. Assim como a pista principal, também haverá duas pistas off-road assim como uma chamada superfície dinâmica, contendo obstáculos de água e máquinas de deslizamentos, onde a segurança e os controles do veículo podem ser testados. Cerca de três dezenas de salas que já foram usadas para abrigar tanques e armazenar munições serão transformadas em oficinas e garagens. 

Não apenas um refúgio para corredores ricos 

Até agora, o conde Oeynhausen-Sierstorpff ganhou dinheiro com um hotel de golfe e spa, assim como com quatro clínicas médicas –mas isso não significa que ele não tenha o automobilismo em seu sangue azul. Quando era pequeno, ele era um convidado regular em Nürburgring, onde ele conhecia uma celebridade das pistas: sua irmã mais velha tinha um relacionamento com Jacky Ickx, o piloto belga de Fórmula 1. Ickx costumava levar o jovem corredor às corridas no banco traseiro de seu Mustang. Isso obviamente deixou uma impressão. Desde que tirou sua carteira de motorista Oeynhausen-Sierstorpff compete em corridas de carros antigos. Entre outros carros, ele tem um Jaguar Tipo-E tunado e um velho Porsche 911 em sua garagem. 

Todavia, Bilster Berg não visa ser um playground pessoal ou um refúgio para ricos entusiastas de corridas. “Há muito dinheiro envolvido para ser apenas isso”, diz o conde, que está investindo 34 milhões de euros no projeto. Uma parte do dinheiro vem de bancos e acionistas que recebem, em troca de um investimento de 100 mil euros, 80 dias de pilotagem na pista por ano além de parte dos lucros potenciais. Mas grande parte do dinheiro ficará com o próprio conde. “Nós estamos usando apenas capital privado e nenhum recurso público”, enfatiza Glasenapp. 

Convencendo os céticos 

No início do processo, Oeynhausen-Sierstorpff encontrou bastante resistência aos seus planos. “O autódromo de Hockenheim foi a última pista de corrida aprovada no oeste da Alemanha –e isso foi em 1932”, explica o conde. 

Até mesmo o arquiteto da pista de Bilster Berg, Hermann Tilke, que esteve por trás do desenvolvimento de vários circuitos da Fórmula 1, inicialmente não o levou a sério. “Você poderia muito bem tentar construir uma usina nuclear no meio de uma cidade”, ele disse a Oeynhausen-Sierstorpff, como lembra o conde. Mas após visitar a floresta de Teutoburgo, o projetista mudou de ideia, assim como muitos outros céticos. As permissões necessárias foram obtidas e até mesmo o lobby ambiental foi pacificado. “O plano de mitigação cobre de tudo, de uma torre para os morcegos até um lago para os anfíbios e o reflorestamento habitual, além do estabelecimento de um rebanho de gado selvagem especial”, informa Glasenapp. 

Até agora, os primeiros trabalhos envolveram a pintura de dois depósitos de munição, que atualmente abrigam automóveis antigos e carros de corrida. Até o momento, não há evidência de qualquer pista de corrida. Mas se as coisas transcorrerem tão rapidamente quanto Oeynhausen-Sierstorpff acredita, então a construção começará em breve. “Os tratores começarão a trabalhar no próximo ano, no mais tardar”, diz Glasenapp. E a posta deve estar aberta para negócios no início de 2012. 

Mas o primeiro uso pelo dono poderia acontecer antes disso. O conde completará 50 anos em junho de 2011 e deseja celebrar de modo apropriado. “Eu certamente gostaria de ser o primeiro a dar uma volta”, ele diz, “nem que seja em um 4X4”.

Tradutor: George El Khouri Andolfato

UOL Cursos Online

Todos os cursos