Queda no desemprego na Alemanha oferece esperança em um ano que promete ser difícil

Bertrand Benoit
Em Berlim

O desemprego alemão atingiu o ponto mais baixo em seis anos no mês passado. A redução, mais que o dobro do que a prevista pelos economistas, mostra a força por trás da maior economia da Europa diante daquele que poderá ser um ano difícil.

As autoridades federais de trabalho disseram na quinta-feira que o desemprego corrigido sazonalmente caiu 78 mil em dezembro, para 3,4 milhões -quase o dobro da queda média mensal do ano passado. Ao todo, mais de 500 mil pessoas saíram do seguro desemprego em 2007.

O índice internacional de desemprego comparável, que está um mês atrasado em relação aos dados nacionais, é de 7,9% em novembro -seu menor patamar desde o final de 2001- graças a um robusto crescimento econômico, um aumento da contratação e uma queda no número de pessoas fazendo uso de benefícios-desemprego.

"Este é um relatório positivo", disse Elga Bartsch, uma economista do Morgan Stanley. "As estatísticas do mercado de trabalho são um indicador atrasado, mas, no mínimo, nos dizem que a Alemanha está bem equipada para enfrentar os desafios deste ano."

Mais surpreendente para os economistas foi a série de estudos sobre o sentimento entre os empresários, mostrando intenções de contratação. Eles sugerem que a melhora no mercado de trabalho -atualmente em seu 21º mês- deverá continuar em janeiro.

O barômetro de emprego do instituto Ifo, com sede em Munique, estará em 106,8 pontos em dezembro, segundo uma cópia obtida pelo "Financial Times" -notadamente acima da média do ano passado.

Esta é a mais recente evidência de que a economia alemã provou ser resistente apesar dos fortes ventos econômicos contrários -desafiando a turbulência do mercado financeiro e o aperto de crédito global, a forte valorização do euro, o aumento dos preços de matérias-primas e da energia e a desaceleração econômica americana.

Os economistas acreditam que os fabricantes alemães -o país foi novamente coroado o maior exportador mundial de bens pela Organização Mundial do Comércio em 2007- reduzirão suas margens de lucro neste ano em vez de cederem uma fatia de mercado devido ao euro mais forte.

Da mesma forma, a baixa dependência das empresas alemãs ao endividamento para financiar investimentos -cerca de 90% dos gastos em investimento são financiados pelos lucros em comparação a 60% na França- e o nível estável do endividamento doméstico ajudarão o país a se esquivar dos efeitos do aperto do crédito.

Uma maior causa de preocupação é a introdução gradual de salários mínimos em setores específicos, o que provavelmente prosseguirá neste ano, e o nível dos acordos salariais em meio ao crescente ativismo dos sindicatos.

Os analistas acham que a União Democrata Cristã da chanceler Angela Merkel, que até o momento se opõe à introdução de um salário mínimo universal, poderá ceder neste ano diante do crescente apoio popular à medida, mesmo entre membros do partido.

"Isto abrirá uma caixa de Pandora que ninguém mais conseguirá fechar", disse Bartsch. Ela chamou a introdução de salários mínimos setoriais como "o fim da inocência política nas relações trabalhistas alemãs". Isto, ela teme, destruirá o acordo tácito no qual o Estado não interfere na determinação do salário enquanto os sindicatos se abstêm de greves políticas. George El Khouri Andolfato

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