Verdadeiro potencial do campo Carioca será conhecido em três meses, diz presidente da Petrobras

Ed Crooks

A mais de 2 mil metros de água além da costa do Brasil, a Petrobras, a companhia nacional de petróleo brasileira, está perfurando aquele que poderá ser um dos mais importantes poços de petróleo dos últimos anos.

Sérgio Gabrielli, o presidente da Petrobras, disse ao "Financial Times" que os resultados do poço que atualmente está sendo perfurado no campo Carioca marítimo, o motivo de grande empolgação, deve fornecer algumas respostas sobre seu verdadeiro potencial em cerca de três meses.

Apesar de Gabrielli ter alertado que a exploração ainda está em um estágio inicial, ele disse que as reservas potenciais em águas profundas brasileiras poderiam ser "imensas", e não acha que a Petrobras enfrentaria "problemas intransponíveis" na extração do petróleo que encontrou.

Neste mês, o chefe do órgão regulador de petróleo provocou agitação quando sugeriu que o Carioca poderia conter 33 bilhões de barris. Isto o tornaria uma das maiores descobertas já feitas, contendo petróleo suficiente para atender a demanda global por mais de um ano.

Seus comentários, posteriormente esclarecidos como não sendo uma estimativa oficial, causaram um salto nos preços das ações da Petrobras e de seus parceiros no projeto de águas profundas brasileiras, como o BG Group, do Reino Unido, e a Repsol, da Espanha.

No ano passado, a Petrobras perfurou seu primeiro poço no bloco leiloado BM-S-9, que cobre o Carioca, e um segundo poço está em andamento. Gabrielli disse que perfuração levará um mês ou dois, e a análise dos resultados outro mês ou dois adicionais.

"Nós não podemos dar uma avaliação final do petróleo em Carioca, porque ainda estamos perfurando", ele disse. "Dadas as expectativas a partir da informação geológica e sísmica, nós podemos encontrar um volume muito grande, mas não sabemos."

O número de 33 bilhões de barris de petróleo -mais do que o total de reservas comprovadas dos Estados Unidos- veio da revista "World Oil", ele acrescentou.

"O que o regulador disse ele tirou da revista americana", ele disse. "O regulador não tem a informação. Nós somos o operador; somos os únicos que dispõem da informação e só saberemos mais daqui três meses."

Ele acrescentou que a estimativa de 33 bilhões não se aplica apenas ao bloco MN-S-9, mas a uma estrutura geológica que se estende por vários blocos, e até áreas que ainda não foram leiloadas pelo governo brasileiro.

A Petrobras está trabalhando em diferentes blocos na área com diferentes parceiros, incluindo a ExxonMobil e a Hess, dos Estados Unidos, BG, Royal Dutch Shell, Repsol e a Galp, de Portugal.

Arthur Berman, o consultor de petróleo de Houston que escreveu o artigo sobre o campo Carioca para a "World Oil", reconheceu que o número de 33 bilhões foi "bastante especulativo", apesar de um "palpite crível".

Ele disse ao "Financial Times" que o calculou usando o mapa da estrutura geológica para avaliar o tamanho da área potencial de petróleo, que ele acredita ser cinco vezes maior que a estrutura do campo de Tupi, outra descoberta em águas profundas da Petrobras a noroeste do Carioca, cuja estimativa da Petrobras é de conter entre 5 bilhões e 8 bilhões de petróleo recuperável.

Assim, os 33 bilhões de Carioca foram obtidos a partir do ponto médio da capacidade de Tupi e sua multiplicação por cinco.

Berman disse que o poço sendo perfurado em BM-S-9 será uma fonte importante de informação adicional, mas mesmo após a entrega dos resultados, as estimativas do tamanho do Carioca permaneceriam "altamente especulativas".

Encontrar recursos na área ao redor de Carioca e Tupi é difícil, porque são pré-sal ou sub-sal. As rochas que contêm petróleo estão sob uma espessa camada de sal, o que cria problemas para as sondagens sísmicas.

O primeiro poço perfurado na região custou US$ 240 milhões, incluindo todo o trabalho preparatório, apesar do mais recente ter custado apenas US$ 60 milhões, disse Gabrielli.

A extração de petróleo dos reservatórios sub-sal também é difícil; o sal tende a se mover e há o risco deles romper ou esmagar o revestimento do poço de produção.

Outro problema é que as rochas que contêm petróleo são carbonatos como calcário, que podem ser mais variáveis do que os reservatórios de arenito mais fáceis. O fluxo de petróleo pode variar muito e nos piores casos pode cair rapidamente.

Gabrielli acredita que os problemas são solúveis. "A maioria dos problemas técnicos que enfrentaríamos já contam com soluções desenvolvidas, mas não temos experiência com as partes diferentes trabalhando todas juntas", ele disse. "Mas não acho que enfrentaremos quaisquer problemas intransponíveis."

A Petrobras planeja começar os testes no campo de Tupi no final do próximo ano. Gabrielli disse que a Petrobras está "muito positiva de que poderemos declará-lo comercialmente viável", traçar um plano de desenvolvimento e extrair os primeiros barris de petróleo no final de 2010. George El Khouri Andolfato

UOL Cursos Online

Todos os cursos