Conflito ameaça anseios pró-Ocidente das ex-repúblicas soviéticas

Roman Olearchyk, em Tbilisi, e
Robert Anderson, em Estocolmo

Muitas ex-repúblicas soviéticas têm observado com ansiedade o conflito de Tbilisi com a Rússia, a fim de determinar até que ponto Moscou pretende ir para reafirmar o seu tradicional domínio na região.

Svante Cornell, diretor do Instituto de Políticas de Segurança e Desenvolvimento, acredita que o conflito foi um sinal de que a Rússia pretende "preservar o seu domínio na região, mostrando o que acontece àqueles que se opõem a ela".

Para a Ucrânia, cujo governo, assim como o da Geórgia, é pró-ocidental, muita coisa está em jogo. A Rússia acusou a Ucrânia de vender à Geórgia armas que mataram soldados russos. Por sua vez, a Ucrânia advertiu que se a marinha russa atacar a Geórgia, ela não será bem-vinda no porto de Sebastopol, na Criméia, no qual se encontra a base da frota russa do Mar Negro.

Poucos acreditam que o conflito dissemine-se para a Ucrânia, um país de
46 milhões de habitantes que possui fronteiras com nações da União Européia e que deseja ingressar na união. Mas ele poderá inspirar separatistas na Península da Criméia, na Ucrânia, e atrasar as garantias de segurança para Kiev e Tbilisi, que desejam ingressar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Os Estados bálticos, tradicionalmente anti-Moscou, pressionaram outros países membros da União Européia para que estes renunciassem a relações mais próximas com a Rússia após a invasão da Geórgia. "Temos que rever a nossa política. É possível cogitar uma parceria com um país que se comporta dessa maneira?", disse ao "Financial Times" o presidente da Estônia, Toomas Hendrik Ilves. "Já é hora de pararmos de esconder a cabeça na areia".

Os presidentes da Letônia, da Lituânia e da Estônia, juntamente com o da Polônia, divulgaram juntos uma declaração no último fim de semana advertindo que o conflito georgiano será um "teste de credibilidade"
para a Otan e a União Européia.

Isto gerou uma advertência imediata por parte do embaixador russo na Lituânia, que afirmou que eles pagariam por esta atitude. "Não se pode chegar a conclusões apressadas em relação a questões tão sérias, já que se pode cometer erros graves pelos quais será necessário pagar muito tempo depois", disse na última segunda-feira Alexander Veshnyakov à agência de notícias Baltics News Service.

Enquanto os Estados bálticos gozam da relativa segurança da filiação à Otan, os governos ucraniano e georgiano estão apenas no início das negociações para um futuro ingresso na organização. Mas, como resultado da crise da Geórgia, tal processo será adiado por tempo indefinido.

Uma autoridade da Otan disse ao "Financial Times" que a aliança está "muito preocupada" com a situação da Ossétia do Sul, que envolve "parceiros-chave" e aspirantes a membros da aliança. "É impossível prever como o conflito poderá afetar a tentativa de ingresso da Geórgia e da Ucrânia na Otan. Cada país será julgado segundo os seus próprios méritos", disse a autoridade.

Assim como a Geórgia, a Ucrânia continua com uma atitude desafiadora, e na terça-feira (12/08) o país exigiu que a Rússia assine um acordo comprometendo-se a não usar a sua frota cuja base fica na Ucrânia para atacar a Geórgia. Kiev quer que a frota russa deixe a Criméia quando o acordo de arrendamento expirar em 2017. Moscou deseja ficar.

Mikhail Saakashvili, o presidente da Geórgia, adverte que o apoio da Rússia aos separatistas no seu país poderá ser aplicado à Criméia, onde uma grande população russa quer a unificação com Moscou. A obtenção do controle sobre a Criméia, ainda que em um papel de mantenedora da paz, como na Ossétia do Sul e na Abkházia, garantiria a influência integral da Rússia nas regiões do Cáucaso e do Mar Negro. E, conforme ficou evidente com o conflito na Ossétia do Sul, voltar-se contra Moscou pode ser perigoso.

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