Reputação do Brasil no futebol sofreu profundo abalo nos Jogos Olímpicos

Roger Blitz e David Owen

Os brasileiros têm uma reputação sem rival no futebol, mas esta sofreu um profundo abalo nos Jogos Olímpicos esta semana. Primeiro o time masculino foi derrotado por 3 a 0 por seus rivais mortais da Argentina, e ontem o time feminino do país perdeu por 1 a 0 na final contra os EUA.

O chute de esquerda de Carli Lloyd de fora da área, no quinto minuto da prorrogação, acabou com as brasileiras elegantes mas frustrantes, que eram assistidas pelo legendário Pelé.

Apesar de toda a habilidade de sua incrível atacante, Marta, o Brasil produziu menos chutes a gol do que as americanas, que conseguiram sua terceira medalha de ouro em quatro Olimpíadas. Assim, o Brasil ainda não ganhou um ouro olímpico no esporte que trata como uma religião.

Flávio Florido/UOL 
Ronaldinho gesticula durante partida contra a Argentina nos Jogos Olímpicos de Pequim

Talvez um preço tenha de ser pago. A derrota para a Argentina deixou o treinador brasileiro Dunga preso por um fio ao seu emprego. Um jornal brasileiro anunciou uma missa fúnebre para a seleção, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria ficado furioso.

E Jorge Barcellos, o treinador da seleção feminina, se perguntou sobre o impacto de sua derrota. "O ouro realmente iria transformar o futebol feminino [no Brasil]", ele disse. "Quanto ao futuro, não sei o que vai acontecer agora."

Essas são finais que países como o Brasil simplesmente têm de vencer para deixar sua marca nos Jogos Olímpicos. Os países europeus continuam tratando o futebol olímpico com uma mistura de desprezo e interesse passageiro.

Esses países acumulam medalhas em outros lugares. Mas para o Brasil o futebol é importante em qualquer formato de competição. E uma medalha de ouro é tudo o que tem para mostrar de Pequim até agora, a três dias do fim do evento.

É nestes últimos dias que os esportes coletivos finalmente chegam ao clímax e países como Brasil e Argentina podem subir ao pódio.

Durante duas semanas, futebol, basquete, vôlei e beisebol ofereceram um ótimo entretenimento e as multidões mais animadas dos Jogos. No caso do maior esporte coletivo, o futebol, a passagem para o centro do palco é literal, assim como metafórica.

O torneio foi utilizado como veículo para disseminar a ação olímpica pelo país anfitrião para cidades como Xangai e Qinhuangdao. As finais masculina e feminina são jogadas em Pequim - no caso dos homens, no Estádio Nacional Ninho do Pássaro.

A baixa contagem de medalhas dos esportes de equipe levou-os a ser considerados por alguns como os primos pobres da família olímpica. Mas não é o caso no Brasil e na Argentina, que em jogos recentes se especializaram em esportes de equipe.

Enquanto a seleção feminina de futebol do Brasil se esforçava no Estádio dos Trabalhadores em Pequim sem resultado, sua equipe feminina de vôlei conseguia um lugar na final, ao derrotar a China. Seus colegas masculinos tentarão fazer o mesmo hoje (22/08) contra a Itália.

Os únicos dois ouros da Argentina nos jogos de Atenas em 2004 vieram de seus times masculinos de futebol e basquete. Eles ainda poderão fazer a mesma dobradinha em Pequim, mas os jogadores de basquete terão de superar hoje Kobe Bryant e seu "time dos sonhos" americano para se manter na competição.

Foi revelador que mesmo quando a Argentina quebrou seu padrão esta semana, com uma medalha de ouro em ciclismo, ela veio no Madison, um evento de equipe.

Eduardo Moeino, do Comitê Olímpico Argentino, acredita que não há uma explicação real para o sucesso desproporcional do país em eventos coletivos.

"Não há razão", ele diz. "No futuro vamos nos esforçar mais em esportes individuais." Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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