Obama deve pressionar por pacote de reformas "big bang"

Edward Luce
Em Washington

O presidente eleito dos Estados Unidos Barack Obama pretende pressionar pela implantação de um amplo programa de reformas sociais e econômicas, além de um pacote emergencial de estímulo econômico, indicou no domingo (9) Rahm Emanuel, o próximo chefe de gabinete da Casa Branca.

Emanuel descartou os temores de que o governo de Obama arrisque assumir coisas demais quando chegar ao poder em janeiro. Ele diss e que Obama vê a crise financeira como uma oportunidade histórica para realizar os investimentos em larga escala que os democratas vêm prometendo há anos.

Atacar a crise não atrasaria os planos para as reformas no setor energético, de saúde pública e educação, uma vez que todos os três também estão em crise, disse ele. "Há crises que não podemos mais postergar [para resolver]".

Emanuel, primeira nomeação de Obama depois de sua enfática vitória sobre John McCain na semana passada, acrescentou que, durante o período de transição de 11 semanas antes de estrear no governo, o presidente eleito vai pressionar bastante para a aprovação de uma assistência prévia para a indústria automobilística em colapso dos EUA, que ele descreve como "uma parte essencial de nossa economia".

Seus comentários aumentaram a pressão sobre George W. Bush para aprovar o tão solicitado pacote emergencial de US$ 25 bilhões para Detroit - que possivelmente será parte de um segundo pacote de estímulo para evitar um declínio ainda maior da economia americana, em rápida deterioração.

Obama encontrará Bush hoje e é provável que ele peça a garantia do então presidente para que este não vete nenhum pacote de estímulo que poderia ser aprovado já na próxima semana, quando o Congresso se reúne para uma de suas últimas sessões antes do fim do mandato.

Os comentários de ontem também reforçaram a impressão de que o quadro de conselheiros econômicos de transição de Obama - que inclui luminares da era Clinton, como Lawrence Summers e Robert Rubin - tende fortemente para uma abordagem de "big bang", que combinaria o estímulo a curto prazo com grandes investimentos públicos para levantar a taxa de crescimento dos EUA a longo prazo.

Num pronunciamento de rádio para o país no sábado (8), Obama enfatizou a urgência tanto em aprovar um pacote de estímulo fiscal, que poderia incluir um corte de impostos para a classe média, quanto em avançar rapidamente nos investimentos públicos de longo prazo.

"Não podemos nos dar ao luxo de esperar para investir nas prioridades-chave que identifiquei durante a campanha, incluindo a energia limpa, saúde pública, educação e cortes de impostos para as famílias da classe média", disse Obama. "Também precisamos de um plano de resgate para a classe média, baseado num esforço imediato para criar empregos e aliviar a situação das famílias que estão vendo seus orçamentos encolherem e o dinheiro que guardaram desaparecer."

Economistas estimaram que o déficit do orçamento dos EUA poderá mais do que dobrar no ano que vem, para quase US$ 1 trilhão, levantando temores de que Obama não conseguirá cumprir com suas caras promessas de campanha, que incluíam investimentos de US$ 150 bilhões em energias alternativas durante a próxima década e um plano de US$ 60 a US$ 110 bilhões para fornecer seguro de saúde universal para os americanos.

Ao contrário de 1992, quando Clinton postergou os investimentos de longo-prazo em prol de uma redução urgente do déficit orçamentário, os conselheiros de Obama, incluindo Summers, que alguns acreditam que será seu primeiro secretário do Tesouro, estão mais inclinados em investir. Eles enfatizam que Obama vai se aferrar a seu objetivo de médio prazo de restaurar a disciplina fiscal. Eloise De Vylder

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