Telefónica deposita esperanças na América Latina

Andrew Parker

A América Latina deverá continuar sendo o motor do crescimento da Telefónica em 2009, apesar dos crescentes sinais de uma profunda desaceleração econômica no continente, disse Julio Linares, o principal executivo operacional da companhia de telecomunicações espanhola.

Em uma medida para tranquilizar os investidores, Linares disse ao "Financial Times" que a Telefónica espera que suas extensas operações na América Latina gerem um crescimento de receitas de dois dígitos este ano.

Ele também disse que a Telefónica, o terceiro maior grupo de telecomunicações do mundo em capitalização de mercado, identificou oportunidades significativas para a redução de custos, notadamente na Europa. No mês passado o grupo relatou forte resultados no quarto trimestre e no ano todo de 2008, mas alguns analistas duvidam que a empresa possa atingir sua meta de € 2,30 por ação em 2010, diante da recessão econômica.

Linares, um veterano com 38 anos de serviço na Telefónica, disse: "Estamos confiantes em cumprir esse tipo de meta porque ainda vemos muito potencial de crescimento na América Latina. Acreditamos que nossas operações nos países europeus continuarão tendo um bom desempenho, mesmo levando em conta a crise econômica".

A maior empresa latino-americana da Telefónica fica no Brasil, cuja economia teve um encolhimento recorde no último trimestre de 2008. A queda de 3,6% no Produto Interno Bruto do Brasil no quarto trimestre sufocou as esperanças de que a América Latina pudesse escapar ao pior da recessão que afeta a Europa, o Japão e os EUA.

No entanto, Linares disse que os negócios da Telefónica no Brasil até agora não foram afetados pela recessão, e previu um forte crescimento em 2009. Cerca de 22% da população ainda não possuem telefone celular.

As operações da Telefónica na América Latina registraram um crescimento orgânico das receitas de 12,9% em 2008, e Linares disse: "Estamos prevendo um crescimento de dois dígitos também em 2009".

Linares supervisiona todas as operações da Telefónica e está liderando o enfoque da companhia para a geração de caixa. Ele salientou os esforços para reduzir os gastos de capital na Espanha em 2009 depois que os negócios domésticos da Telefónica não atingiram sua meta de crescimento em 2008.

Uma maneira significativa como a empresa está tentando reduzir os gastos de capital e operacionais é através de acordos com concorrentes para compartilhar a infraestrutura de telefonia móvel.

Por exemplo, a Telefónica e a Vodafone estão discutindo a possibilidade de dividir a infraestrutura na República Checa, Alemanha, Espanha e Reino Unido, onde as duas empresas fornecem serviços de celular.

Linares não quis comentar as negociações com a Vodafone. Mas um acordo no Reino Unido envolveria uma virada de 180° da subsidiária da Telefónica O2, que anteriormente disse que o compartilhamento da rede poderia prejudicar o serviço ao consumidor.

A companhia poderá economizar mais através de seu relacionamento com a Unicom chinesa, a segunda maior operadora de celular da China, na qual a Telefónica tem uma participação de 5,4%. Linares disse que as duas companhias estão discutindo a possibilidade de adquirir conjuntamente telefones celulares, o que deverá lhes garantir maiores descontos junto aos fabricantes de aparelhos.

A Telefónica também tem uma aliança industrial com a Telecom Italia, o grupo endividado italiano. O grupo espanhol tornou-se o maior acionista da Telecom Italia em 2007 porque quis impedir que a operadora de celular latino-americana América Móvil, controlada por Carlos Slim do México, comprasse uma participação na companhia italiana.

A Telefónica pagou o equivalente a € 2,80 por ação por sua participação de 10% na Telecom Italia. Mas suas ações foram negociadas a € 0,90 ontem, depois que a Telecom Italia divulgou no mês passado uma queda de receitas e lucros em 2008.

Linares manifestou apoio a Franco Bernabè, o executivo-chefe da Telecom Italia, que está tentando dar uma virada na companhia. "Estamos bastante à vontade com o atual plano da empresa", ele disse.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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