David Cameron, líder da oposição, diz estar pronto para ser o próximo premiê britânico

Jean Eaglesham e George Parker

  • Toby Melville/Reuters

    David Cameron, líder dos conservadores britânicos, quer ocupar o cargo de Gordon Brown

    David Cameron, líder dos conservadores britânicos, quer ocupar o cargo de Gordon Brown

David Cameron afirma que está à altura da “tarefa intimidante” de ser o próximo primeiro-ministro, ao explicar sua visão para liderar um país “ansioso por mudança”.

Em entrevista ao Financial Times, o líder conservador sinalizou sua confiança para ganhar a eleição, que deve ser convocada nesta semana para dia 6 de maio, apesar de uma série de pesquisas de opinião que apontam para um parlamento sem maioria.

“Esta será a primeira vez em 23 anos que o partido conservador irá para uma eleição geral com uma liderança de sete a dez pontos. Avançamos bastante”, disse Cameron. “As pessoas estão ansiosas por mudança.”

Brown diz que tem chance de ganhar as eleições britânica

A campanha dos conservadores (Tory, como são conhecidos) para a eleição combinará ataques a Gordon Brown, o atual primeiro-ministro, com mensagens mais positivas.

Cameron admitiu que a tentativa “boa e nobre” do partido no começo deste ano de fazer uma campanha totalmente positiva havia saído pela culatra, permitindo que o partido Trabalhista mostrasse a disputa como um referendo sobre o partido de oposição. Uma série de “vacilações” políticas, e uma liderança cada vez mais estreita nas pesquisas, convenceram o líder do partido a recalibrar a campanha.

“Começamos o ano com uma mentalidade muito positiva e queríamos literalmente usar todo o tempo para transmitir nossas próprias ideias”, disse ele. “Mas é preciso lembrar que cada eleição é uma escolha e se você não enfoca essa escolha, então seus oponentes só falarão de você.”

O líder conservador sinalizou que a promessa de seu partido de uma redução de impostos para quem se casar, que ainda será detalhada em seu programa, será modesta.

“Obviamente vivemos numa época restrita, então o [desconto no] imposto será restrito”, disse Cameron. “A intenção sempre foi mais em relação à mensagem do que ao dinheiro... e em relação ao tipo de sistema tributário e de benefícios que precisamos ter.”

Cameron disse que os conservadores estão ganhando a batalha eleitoral no que diz respeito à credibilidade econômica, o assunto que deve determinar a eleição.

Ele enfatizou sua determinação de repelir os ataques dos trabalhistas a George Osborne - “eles podem tentar” - enquanto insistiu que líder da oposição não era “de forma alguma” o elo mais fraco no alto comando do Partido Conservador.

Cameron colocou fim aos rumores de que ele preferiria que Ken Clarke assumisse sua antiga posição de líder da oposição, dizendo: “Eu acho... e Ken acha que ele [Osborne] é a pessoa certa para fazer isso.”

Um governo conservador completaria uma revisão estratégica de defesa “muito, muito rapidamente” este outono, estabelecendo os parâmetros para o orçamento de defesa a partir de abril de 2011, disse Cameron. Segundo ele, “as terríveis restrições financeiras para o governo como um todo” não prejudicariam a renovação do sistema de defesa nuclear independente Trident nem resultaria na “retirada estratégica” da Grã-Bretanha.

Os parceiros europeus da Grã-Bretanha ficarão “agradavelmente surpresos” com a abordagem adotada por um governo conservador cético em relação à UE, diz Cameron. “Sim, nós seremos fortes ao defender os interesses da Grã-Bretanha... mas estaremos engajados”, disse ele. “Eles nos acharão honestos e diretos.”

Angela Merkel, a chanceler alemã, não encontrará o líder conservador quando chegar hoje na Inglaterra para conversas com Brown. Cameron negou que ele tenha sido esnobado, dizendo: “Ela ofereceu um encontro comigo nas próximas semanas – mas não sei se será possível.”

Questionado se estava preparado para o poder, depois de mais de quatro anos como líder da oposição, Cameron respondeu: “Estou pronto para assumir o que é, com certeza, uma tarefa intimidante e muitos desafios intimidantes, mas pronto para enfrentar tudo isso, sim.”

Tradutor: Eloise De Vylder

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