União Europeia concorda em acelerar controle conjunto do espaço aéreo

James Kanter e Nicola Clark

Em Bruxelas (Bélgica)

  • Lee Jin-man/AP

    Turistas europeus protestam contra o cancelamento de voos para Europa no aeroporto internacional de Incheon, a oeste de Seul

    Turistas europeus protestam contra o cancelamento de voos para Europa no aeroporto internacional de Incheon, a oeste de Seul

Os ministros dos transportes da União Europeia concordaram na terça-feira em acelerar os planos para unificar o controle sobre o espaço aéreo da região, assim como estabelecer diretrizes rígidas para quando os níveis de contaminantes na atmosfera, como a cinza vulcânica, tornam inseguro voar. 

Mas alguns ministros discordaram sobre se diretrizes mais rígidas devem ser implantadas antes de permitir aos governos que concedam empréstimos ou outras formas de ajuda do Estado para as companhias aéreas, que foram afetadas pelo fechamento devastador dos céus da Europa no mês passado, após a erupção do vulcão Eyjafjallajokull da Islândia. Algumas autoridades da União Europeia expressaram preocupação de que pacotes de ajuda generosos poderiam dar a algumas companhias aéreas uma vantagem injusta. 

A reunião de emergência na sede da União Europeia, em Bruxelas, ocorreu enquanto uma nova nuvem de cinzas do vulcão tomou os céus da Irlanda, Irlanda do Norte e partes da Escócia, levando ao fechamento dos aeroportos de lá por várias horas e o cancelamento de cerca de 150 voos. Segundo o Centro Consultivo de Cinzas Vulcânicas, em Londres, a expectativa era de que a cinza não atingiria o continente europeu, pelo menos não até o meio-dia de quarta-feira, horário local. 

Os ministros deram seu apoio a uma proposta, feita no mês passado pela Comissão Europeia, para “acelerar” os planos para criação, até o final deste ano, de um chamado Gestor da Rede Europeia, com autoridade de suspender ou redirecionar o tráfego aéreo quando cinzas vulcânicas ou outros incidentes representarem uma ameaça de segurança às aeronaves. 

Mas a extensão dos poderes do gestor ainda precisaria ser decidida nos próximos meses, como parte de um plano visando integrar gradualmente os sistemas de controle de tráfego aéreo nacionais da região em um chamado Céu Único Europeu. 

“Nós precisamos de um único regulador europeu para um céu único europeu”, disse o comissário de transportes da União Europeia, Siim Kallas, em uma coletiva de imprensa após a reunião. “Isso não resolveria todos os problemas, mas significaria uma resposta coordenada muito mais rápida em uma crise.” 

A soberania final sobre o espaço aéreo ainda ficaria aos cuidados dos 27 países membros da União Europeia, disse Kallas. 

Na reunião, os ministros também concordaram “sem demora” em estabelecer as regras sobre quais os níveis de cinzas na atmosfera devem ser considerados perigosos para as aeronaves, assim como pediram pela “criação imediata” de um grupo de coordenação de crises, para lidar com futuras perturbações nos transportes. 

Mas os ministros não conseguiram chegar a um acordo sobre a adoção de diretrizes adicionais sobre a ajuda dos países às companhias aéreas. 

Os ministros também discordaram sobre se as companhias aéreas poderiam adiar temporariamente os pagamentos de algumas taxas pagas às autoridades de tráfego aéreo. 

A Associação Internacional de Transporte Aéreo estimou no mês passado que o setor de aviação civil global perdeu aproximadamente US$ 1,7 bilhão em receitas durante o fechamento de seis dias do espaço aéreo europeu. Desse total, aproximadamente 70% foram perdidos pelas companhias aéreas europeias. A Comissão Europeia estima que os aeroportos e operadoras de turismo perderam centenas de milhões adicionais. 

O retorno da nuvem de cinza islandesa na terça-feira ressaltou o potencial de novas perturbações de viagens no momento em que a Europa entra no pico de sua temporada de viagens de verão. 

A perturbação também atingiu a campanha eleitoral nacional do Reino Unido, informou a “BBC”, atrapalhando os planos de David Cameron, o líder do Partido Conservador de oposição, de voar para a Irlanda do Norte para fazer campanha para a eleição de quinta-feira. 

O vulcão da Islândia começou a expelir grandes quantidades de cinzas há quatro dias e uma mudança do vento as soprou para o sul, segundo o Centro Consultivo de Cinzas Vulcânicas, em Londres. Mas a nuvem não era tão grande quanto a do mês passado. 

A cinza vulcânica, composta de partículas finas de silicato, é perigosa para os aviões porque pode danificar as turbinas. 

O Eurocontrol, a agência baseada em Bruxelas encarregada de coordenar a gestão do tráfego aéreo por toda a região, disse que apenas cerca de 150 voos, dos aproximadamente 28 mil previstos na Europa, foram cancelados na terça-feira. A autoridade de aviação irlandesa declarou a reabertura de seu espaço aéreo às 13 horas, horário local, após seu fechamento às 7 horas da manhã. O Reino Unido também suspendeu as restrições às 13 horas para os voos sobre as remotas Hébridas Exteriores e sobre a Irlanda do Norte. 

As restrições não afetaram os voos acima de 20 mil pés (6 mil metros), o que fez com que os voos internacionais de passagem pelo espaço aéreo britânico e irlandês não fossem afetados. 

José Blanco, o ministro de obras públicas da Espanha, que ocupa a presidência rotativa da União Europeia, disse aos repórteres em Bruxelas que as perturbações causadas pela nuvem de cinza vulcânica destacaram a necessidade de um sistema de tráfego aéreo europeu unificado. Desde a crise, a Europa já fez “mais progresso em duas semanas do que conseguimos em anos” na organização do controle de tráfego aéreo, disse Blanco. 

Após mais de uma década de negociações, a comissão adotou um pacote de propostas em 2004 visando integrar os sistemas de controle de tráfego aéreo da região no Céu Único Europeu. A primeira fase prevê a fusão dos 36 espaços aéreos nacionais em nove “blocos funcionais de espaço aéreo” a partir de 2012. A previsão é de que a unificação completa da gestão do tráfego aéreo europeu não ocorra até pelo menos 2020.

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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