A era do ciberativismo

Maite Gutiérrez
Em Barcelona

Reunir milhares de pessoas com um objetivo comum, provenientes de 150 cidades diferentes espalhadas pelo mundo todo, custa tanto quanto reenviar um e-mail. O ativismo social encontrou na Internet e em suas ferramentas os principais aliados para se organizar e difundir. Um dos exemplos mais recentes foi o protesto contra as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) realizado em 131 cidades do mundo nesta segunda-feira (4/2). A iniciativa de uma só pessoa transformou-se em uma manifestação mundial.

Qualquer idéia e qualquer coletivo têm espaço dentro do ciberativismo. Desde os panelaços posteriores ao atentado de 11 de março de 2004 em Madri, até as convocações para a realização das "megabebedeiras" na primavera de 2006 na Espanha, passando pelas manifestações por moradia ou pela defesa da família. O combate social e político está mudando, porque todos os aspectos da vida mudam com a nova estrutura social introduzida pela Internet. Como descreve o economista e tecnólogo David de Hugarte em seu livro "O Poder das Redes", "um ciberativista é alguém que utiliza a Internet, e principalmente a blogosfera, para difundir um discurso e disponibilizar ao público ferramentas que devolvam às pessoas o poder e a visibilidade que hoje são monopolizadas pelas instituições. O ciberativista é uma enzima do processo pelo qual a sociedade passa, da organização em redes hierárquicas descentralizadas, para aquela ordenada em redes basicamente igualitárias".

Carlos Valverde/EFE - 4.fev.2008 
Manifestações contra as Farc foram organizadas em mais de 130 cidades do mundo

Rapidez, agilidade, capacidade de organização, custos moderados e difusão mundial são as vantagens que a Internet oferece a esses coletivos, resume Rosa Borge, professora de Direito e Ciências Políticas da Universidade Aberta da Catalunha. Já não é necessário fazer parte de um grupo forte para exercer alguma influência, porque o grupo se forma ao mesmo tempo em que se enviam mensagens ou que alguém entra no site criado para determinado assunto.

"As novas tecnologias ajudam tanto aos movimentos que já existiam quanto aos cidadãos individuais", completa Borge, relembrando o caso de um grupo de amigas que conseguiu reunir 5 mil pessoas em Barcelona para uma manifestação em defesa da união entre casais homossexuais no ano passado, usando apenas o correio eletrônico.

O e-mail é a ferramenta básica e os sites de relacionamento são o complemento para se expandir. É o caso da organização V de Vivienda, que tem uma página na Internet, um grupo no YouTube, perfil no Facebook, Flickr e Last.fm. O grupo Comissão pela Moradia Digna (Plataforma por una Vivienda Digna) também nasceu na Internet. "Primeiro veio a organização através da rede e depois uma estrutura mais presencial, se não existisse a Internet nós também não existiríamos porque não teríamos os meios para criar uma organização tradicional", diz José Luis Carretero, porta-voz do grupo. Com um servidor, um site e uma lista de e-mails - e muitas horas de trabalho voluntário - conseguiram reconhecimento internacional em relativamente pouco tempo.

Se no ativismo clássico era necessário chegar aos meios de comunicação, "hoje, o meio - a Internet - precede a existência da organização", explicou De Hugarte em uma conversa por telefone. O interessado envia uma mensagem diretamente para o grupo e, dependendo do seu perfil, poderá se conectar com outros cyberativistas - que podem ser, potencialmente, todos os internautas. A Internet lançou uma nova forma de combate social. Rapidez, agilidade, custos moderados e difusão mundial são as vantagens que a rede oferece Eloise De Vylder

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