Contratos publicitários aumentam a fortuna de Pelé

Bruce Horovitz
USA Today

A apenas um mês da Copa do Mundo, a carreira publicitária de Pelé, o maior astro do futebol, está em ascensão, ainda que ele não tenha jogado profissionalmente nos últimos 25 anos.

Não importa que Pelé tenha 62 anos de idade. Ele já tem dois netos. E na última vez em que pisou em um campo de futebol, Jimmy Carter era presidente dos Estados Unidos, e "Guerra nas Estrelas -- o primeiro "Guerra nas Estrelas" -- estava sendo lançado nos cinemas.

Pelé está em alta. O homem que é considerado o melhor jogador de futebol de todos os tempos -- e que liderou o Brasil na conquista de três Copas do Mundo -- está faturando US$ 20 milhões anualmente (cerca de R$ 48,7 milhões), fazendo propagandas de vários produtos em todo o mundo.

"Não há dúvida de que estou ganhando mais dinheiro com as propagandas do que cheguei a sonhar quando jogava futebol", disse ele, em uma entrevista por telefone.

Eis como Pelé está faturando tanto:

- MasterCard. A gigantesca empresa de cartões de crédito mantém Pelé como "garoto-propaganda" há 12 anos. De acordo com um contrato mundial, a figura de Pelé aparece associada à empresa na mídia impressa e em comerciais de televisão, e, além disso, o astro do futebol participa de grandes eventos do MasterCard.

A face do jogador aparece em quase dois milhões de cartões de crédito. Segundo John Stuart, vice-presidente de patrocínios globais do MasterCard, isso é mais do que o registrado por qualquer outra celebridade em cartões da companhia.

Stuart diz que, recentemente, quando visitava a Grande Muralha da China com Pelé, um grupo de estudantes chineses de oito anos de idade começou a gritar, "Pelé, Pelé", ao ver o jogador. "Para nós seria impossível encontrar um embaixador melhor", afirma Stuart.

- Pfizer. Em março, a fabricante do Viagra fechou um contrato de um ano com Pelé para que ele represente a companhia naquilo que ela chama de "propaganda de serviço público" sobre o problema das disfunções da ereção.

Pelé diz que não usa o medicamento -- nem tampouco cita o Viagra nominalmente nas propagandas. Mas o porta-voz da Pfizer, Geoff Cook, diz que a companhia não buscava especificamente alguém que utilizasse o remédio. "Pelé é um dos personagens mais respeitáveis do mundo dos esportes. As pessoas ouvirão o que ele tem a dizer".

- Coca-Cola. Em todo o Brasil, a figura de Pelé está tão associada com a da Coca-Cola quanto a de Michael Jackson já esteve a da Pepsi nos Estados Unidos. No Brasil a Coca-Cola patrocina um museu de Pelé sobre rodas que viaja por todo o país.

- Petrobrás. A gigantesca empresa de petróleo estatal brasileira fechou recentemente um contrato de vários anos com Pelé. A Petrobrás planeja investir bilhões de dólares nos próximos anos no aumento de sua produção e na exploração de campos petrolíferos no Golfo do México e na costa ocidental da África. A missão de Pelé é fazer com que a companhia fique mais conhecida pelos investidores globais.

- Nokia. Pelé é bem pago para portar um telefone celular da Nokia onde quer que esteja no Brasil. Ele também aparece nas propagandas da empresa.

- Samsung. Pelé representa a grande empresa coreana do setor eletrônico em todo o sudeste da Ásia.

E isso tudo é apenas o começo.

O ex-jogador está negociando para se tornar o apresentador de um programa televisivo de esportes no Brasil. Durante a Copa do Mundo, os seus comentários na TV, chamados de "Pelé News", serão transmitidos em 64 países, afirma Celso Grellet, o empresário de Pelé.

Embora já existam vários livros e documentários sobre Pelé, Grellet diz que há mais sendo produzidos.

No mês que vem, uma editora mexicana lançará uma caixa de presentes sobre a vida de Pelé, no valor de US$ 70 (cerca de R$ 170), que virá em várias línguas e que incluirá uma fita de vídeo, um livro e um CD. O CD traz uma música composta e interpretada por Pelé.

Em outubro, a Cine Arte, uma produtora brasileira, lançará o documentário "Pelé: Sua Vida".

O astro do futebol diz ter recebido propostas para contratos extremamente lucrativos envolvendo diversos produtos fabricados por empresas de tabaco e fabricantes de bebidas alcoólicas. Ele recusou todas estas ofertas. "Tenho uma grande responsabilidade. Muita gente confia em mim", afirma Pelé.

Os marqueteiros não estão surpresos com a popularidade do ex-jogador.

"Pelé é mais conhecido do que Muhammad Ali", afirma David Carter, do Sports Business Group, uma firma de venda de material esportivo. "Ele é a face global de um esporte global".

"Ele é o Michael Jordan do futebol", diz Rick Burton, professor de marketing esportivo da Universidade do Oregon.

A cada quatro anos, quando ocorre a Copa do Mundo, a agenda de Pelé fica superagitada. "O maior capital de Pelé é o seu tempo", diz Grellet, seu empresário.

Até a Copa do Mundo, que acontece de 31 de maio a 30 de junho, no Japão e na Coréia do Sul, a agenda do craque está completamente lotada, cheia de compromissos diários com diversas corporações.

Stuart, do MasterCard, diz que fica impressionado ao ver vários presidentes de grandes empresas fazendo fila para receber um autógrafo de Pelé.

"Não me vejo como um bom homem de negócios", afirma Pelé. "O problema é que ajo muito com o coração".

Tradução: Danilo Fonseca

UOL Cursos Online

Todos os cursos