Com pouco tempo de TV, Valéria Monteiro apostará em bordão "estilo Enéas"

Carlos Eduardo Cherem

Colaboração para o UOL, em Belo Horizonte

  • Reprodução/Facebook/Valéria Monteiro

    Valéria Monteiro deverá ter dois intervalos de dez segundos na TV por dia

    Valéria Monteiro deverá ter dois intervalos de dez segundos na TV por dia

Vinte e seis anos após deixar a TV, a jornalista Valéria Monteiro, 52, quer voltar às telas. O retorno, porém, deve ocorrer de uma forma diferente. No lugar de apresentar o Jornal Nacional ou o Fantástico da TV Globo, como fez nos anos 1990, ela deve estrear no programa eleitoral gratuito. Seu objetivo: ser eleita presidente do Brasil.

Em agosto, quando começa a campanha eleitoral no rádio e TV, Monteiro deverá ter cerca de dez segundos nos programas, duas vezes por dia, para se apresentar aos eleitores.

Menos tempo que os 15 segundos que o folclórico médico Enéas Carneiro (1938-2007), candidato pelo Prona (Partido de Reedificação da Ordem Nacional), teve na campanha eleitoral de 1989, quando tornou célebre o bordão: "Meu nome é Enéas".

"Vou ter de inventar um bordão tipo o do Enéas: 'Que tiro foi esse?' ou 'Mobilizar para mudar'", diz a pré-candidata do PMN (Partido da Mobilização Nacional), legenda pela qual filiou-se em 12 de janeiro.

Outra opção de bordão, segundo ela, é "Procure o nosso Face". "A ideia é passar uma mensagem na TV para que a pessoa vá para as redes sociais. Alguma coisa tipo: "procure nosso Facebook". Vai estar tudo lá nas redes sociais: Instagram, Twitter", diz a jornalista.

Jornalista usou as redes sociais para anunciar a pré-candidatura

Monteiro falou com a reportagem do UOL, neste sábado (3), no salão nobre da Câmara Municipal de Belo Horizonte, onde participou da convenção estadual do PMN.

Desde que lançou formalmente sua pré-candidatura, Monteiro posta vídeos, fotos e comentários nas redes sociais, em que emite suas opiniões sobre os outros candidatos e temas políticos atuais. O programa de governo, explica, será desenvolvido durante a campanha. "Quero discutir e ouvir muito", afirma.

Ela criou a "Caravana da Coragem" e, desde fevereiro, percorre municípios do interior de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, visitando as bases da legenda que adotou.

Já percorreu cerca de 2.000 quilômetros, a bordo de um Kia Cerato, modelo 2011, e pretende visitar os 27 Estados brasileiros até as eleições.

"Sou a única novidade dessa campanha. E para transformar tudo isso que está aí, é necessário também que façamos diferente do que os outros [candidatos] fazem. Sou uma pessoa comum, que vai fazer a campanha sem dinheiro", diz a ex-global.

Ela diz acreditar que o mundo em que vive é diferente do ambiente e das experiências dos outros nomes lançados como pré-candidatos a presidente. Para Monteiro, o fato de estar próxima das pessoas --"indo ao mercado, andando nas ruas, conversando" –, aliada ao fato de ser jornalista, acentua suas vantagens sobre os outros pretendentes.

"Sendo da área de comunicação, terei mais facilidade para esclarecer toda a enganação, toda a manipulação que é feita em todos os sentidos: somos governados pelo caixa dois, pelo marketing e pela roubalheira", afirma.

"Sou a única candidata que é uma pessoa comum. A única candidatura que não é fruto de esquemas políticos e marketing. Nem o [Luciano] Huck é novidade. Ele é mais do mesmo, com outro embrulho. Um embrulho bonito. A turma dele é a mesma que está no poder, desde o processo de redemocratização do país", diz Monteiro. Huck anunciou na semana passada que não será candidato.

Descriminalização do aborto e da maconha

Monteiro se considera uma política de centro. Defende posições mais ligadas à esquerda, como a descriminalização do aborto e do uso da maconha, mas, ao mesmo tempo, é a favor de um rígido controle sobre as contas do governo, tese normalmente creditada a políticos de direita.

"O aborto é sempre uma tragédia. Uma coisa difícil. Qualquer mulher sabe disso. Mas as mulheres podem escolher o que fazer. Elas são donas de seus corpos".

"Minha vontade é colocar matemáticos na área econômica, para ver se as contas do governo fecham. Para acabar de vez com os constantes deficit fiscais e orçamentários", afirma Monteiro.

"Não vivemos uma democracia real. Precisamos mudar isso. A educação é minha prioridade, mas ela não consegue mudar as coisas sozinha. A educação tem de caminhar junto com um combate à desigualdade. Temos de garantir no Brasil uma renda básica universal e educação para todos".

Valéria Monteiro explica saída da Globo

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