Gleisi admite possibilidade de Lula ser preso: "caminhando para isso"

Bernardo Barbosa

Do UOL, em São Paulo*

  • AMANDA PEROBELLI/ESTADÃO CONTEÚDO

    9.mar.2018 - Senadora Gleisi Hoffmann (e) conversa com o ex-ministro Celso Amorim durante evento promovido pelo PT e pela Fundação Perseu Abramo em São Paulo

    9.mar.2018 - Senadora Gleisi Hoffmann (e) conversa com o ex-ministro Celso Amorim durante evento promovido pelo PT e pela Fundação Perseu Abramo em São Paulo

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), presidente do PT, reconheceu nesta sexta-feira (9) em São Paulo a possibilidade de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja preso, cenário que raramente é citado publicamente por lideranças petistas.

"Querem prender o Lula e está caminhando para isso", disse em evento da Fundação Perseu Abramo, entidade de formação política ligada ao PT.

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Gleisi disse que uma eventual prisão de Lula não será "aceita com normalidade" pela militância. Segundo ela, isso não quer dizer que vai haver "insurreição", mas que o PT vai "resistir".

A presidente da legenda também cobrou de outros partidos de esquerda a defesa da candidatura de Lula, mesmo com as outras legendas tendo seus pré-candidatos. Segundo Gleisi, sem a candidatura de Lula, "não vai prevalecer a democracia".

Lula foi condenado em segunda instância por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá (SP) e, em tese, está inelegível pela Lei da Ficha Limpa, mas sua candidatura deverá ser analisada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Todos de olho no Supremo

Ainda nesta sexta, Gleisi afirmou que a sociedade toda espera uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a possibilidade de revisar o entendimento que permite a prisão após segunda instância. O cenário pode afetar Lula, que espera no Supremo uma reversão do entendimento para se livrar de eventual prisão.

"A sociedade toda está olhando para o Supremo, não é só o Lula", disse Gleisi. Ela repetiu que espera que o STF "cumpra seu dever constitucional" ao afirmar que a execução da pena só é possível após o trânsito em julgado do processo, ou seja, até serem esgotados todas as possibilidades de recursos na Justiça.

Após a 5ª Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) negar na terça-feira (6) um recurso preventivo para evitar a prisão de Lula, só restou a ele agora tentar reverter o resultado no STF -- e confiar na disposição da Corte para pautar o polêmico tema da prisão após a segunda instância.

O Supremo não tem prazo para analisar nem o recurso do ex-presidente, um habeas corpus preventivo, nem outros processos que questionam a prisão após a segunda instância. A presidente do STF, Cármen Lúcia, já disse que usar o caso do petista para revisar a decisão sobre o tema iria "apequenar" o tribunal -- e é ela quem controla a pauta do Supremo.

Lula ausente

A presença de Lula era esperada no evento desta sexta em São Paulo, mas ele não compareceu. Segundo integrantes do PT,o ex-presidente teve uma agenda cheia entre a tarde e o início da noite no Instituto Lula e por isso se ausentou no fórum da Fundação Perseu Abramo.

Além de Gleisi, outras lideranças petistas participaram do evento, entre elas o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad e o ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, que foi chamado pela senadora de "nosso governador". Ele é cotado pelo partido para concorrer ao governo do Rio de Janeiro nas eleições deste ano.

* Com Estadão Conteúdo

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