Doria vence prévias e será candidato do PSDB ao governo de São Paulo

Janaina Garcia

Do UOL, em São Paulo

  • Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo

    Doria comemora vitória em prévias do PSDB em São Paulo

    Doria comemora vitória em prévias do PSDB em São Paulo

O prefeito de São Paulo, João Doria, 60, venceu neste domingo (18), em primeiro turno, as prévias do PSDB que valiam uma indicação à disputa do governo do Estado. A candidatura ainda precisa ser oficializada pelos tucanos na convenção do partido, que deve acontecer em julho, conforme determina a Justiça Eleitoral.

Doria recebeu 80% (11.993) dos votos válidos (15.062 filiados aos PSDB participaram das prévias), segundo a direção do partido.

O prefeito bateu outros três adversários e, em uma votação interna inédita nos 30 anos do partido à sucessão estadual, será o nome da legenda para manter o domínio sobre o Palácio dos Bandeirantes — para o qual têm sido eleitos políticos do PSDB desde 1994, então com vitória de Mário Covas (1930-2001).

O prefeito, que deve deixar o cargo até 7 de abril, após 15 meses de mandato, venceu a votação contra o suplente de senador José Aníbal (6% dos votos), o cientista político Luís Felipe d'Ávila (6% dos votos) e o secretário Estadual de Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro (7% dos votos).

Outro tucano, Bruno Covas, 37, ex-deputado e e ex-secretário de Meio Ambiente de Alckmin, assumirá a prefeitura paulistana.

"Temos o melhor candidato a governador e o melhor candidato a presidente da República. Agora estamos juntos, unidos pela vitória de João Doria e Geraldo Alckmin", disse Pedro Tobias, presidente do PSDB-SP. Alckmin também deve deixar o governo do Estado para concorrer ao Planalto.

Fábio Vieira/Estadão Conteúdo
Doria e Alckmin durante evento neste domingo (18) em São Paulo

No discurso da vitória, Doria agradeceu "a grandeza e a dignidade" de Pesaro e d'Ávila em reconhecerem a derrota e criticou Aníbal, a quem sugeriu a saída da legenda.

"Tenha a alma do Geraldo Alckmin ou peça para sair e encontre um partido para abrigar sua alma amarga, revanchista e odiosa", disse Doria.

Entre os quatro candidatos, o único a não participar do anúncio oficial nem da apuração foi José Aníbal. Procurado, ele informou, por meio de sua assessoria, que se pronunciará sobre as prévias nesta segunda (18).

Em entrevista após o discurso da vitória, Doria falou sobre alianças para a disputa estadual. "Com a legitimidade das prévias, outros partidos virão, como o PSD, de Gilberto Kassab", citou. "As prévias foram uma demonstração de força da militância", disse.

Discurso pós-derrota

Após o anúncio da vitória, Pesaro e d'Ávila falaram em união do partido. Essa é uma vitória inconteste de Doria. As pessoas devem saber ganhar e saber perder", afirmou Pesaro, que vai buscar, agora, a reeleição como deputado federal.

De acordo com o secretário, "com certeza o paulistano vai entender" a renúncia de Doria à Prefeitura. "Serra [em 2006] já fez isso e se elegeu governador. Estou no partido há 28 anos; ajudei a fundá-lo e estou ajudando a construí-lo", disse. Indagado se atuaria em um eventual governo Doria, entretanto, refutou a hipótese: "Não, cumprirei meu mandato de deputado federal."

Já d'Ávila, que também reconheceu a vitória do prefeito, afirmou que vai trabalhar, agora, "para eleger Alckmin presidente".

"O processo das prévias foi açodado pela questão dos debates, mas precisamos fazer um balanço com o aprendizado desse processo e a definição de regras permanentes daqui em diante", disse. E completou: "Doria tem que explicar por que deixa a Prefeitura, mas Covas está apto a governar e certamente dará continuidade ao programa. O processo vai sempre favorecer quem o disputa no cargo, mas agora é trabalhar a unidade no partido", concluiu.

Disputa polêmica

A votação aconteceu em 72 cidades — capital, Grande São Paulo e interior — e 122 zonas do partido, sendo 55 delas na cidade de São Paulo.

As prévias tiveram clima conturbado desde a definição delas, em reunião do diretório estadual realizada no último dia 5. Na ocasião, uma militância pró-Doria, ainda que majoritariamente não filiada, hostilizou adversários do prefeito — especialmente Aníbal.

No dia seguinte, o suplente de senador acusou o diretório de armar uma "arapuca pró-Doria" e classificou o prefeito como "carreirista". Doria devolveu a crítica chamando Aníbal de "derrotado sistemático dentro do PSDB".

Outro ponto de tensão nos dias que antecederam as prévias foi a definição de uma taxa de R$ 45 mil a cada um dos candidatos — e efetivamente paga apenas por Doria e d'Ávila.

O diretório chegou a comunicar na quinta (15) os não-pagantes sobre o indeferimento da candidatura. Pesaro e Aníbal acionaram o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de São Paulo pedindo a anulação das prévias caso seus nomes fossem excluídos da cédula, mas o partido recuou e, na noite de sexta (16), antevéspera da votação, decidiu mantê-los.

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