No RS, Lula enfrenta protesto com "cela" e reclama da "direita fascista"

Bernardo Barbosa

Do UOL, em Bagé (RS)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu sua viagem pela região Sul nesta segunda-feira (19) em Bagé (RS) com um discurso curto, de cerca de 8 minutos, feito para militantes e a poucos metros de uma manifestação contrária à sua presença na cidade.

De cima de um trio elétrico onde conseguia ver o protesto contra ele --que contou até com um boneco de Lula em uma cela--, o ex-presidente exaltou os investimentos feitos pelos governos petistas em educação e criticou a manifestação organizada pelo que chamou de "direita fascista". O evento foi realizado na Unipampa (Universidade Federal do Pampa), criada no governo Lula.

"Sinceramente, não esperava que nossa passagem por Bagé fizesse com que a direita fascista reclamasse junto ao MP que eu não pudesse fazer ato na universidade", disse. "Essas pessoas deveriam ter feito o protesto quando viemos criar a universidade."

Lula declarou ainda que "se tem alguém que não gosta de mim aqui, vai me estimular a voltar muitas vezes aqui".

Caravana de Lula começa sob forte tensão em Bagé

Militantes contrários à visita de Lula, vários com camisas e adesivos em apoio ao deputado federal e pré-candidato presidencial Jair Bolsonaro (PSL-RJ), fizeram um ato a poucos metros da Unipampa. O protesto teve apoio de entidades de produtores rurais e de comerciantes locais.

Coube à ex-presidente Dilma Rousseff (PT), no mesmo caminhão em que Lula discursou, marcar a oposição ao protesto dos ruralistas.

"Nós fomos o governo que mais deu recursos para os produtores rurais no país inteiro", disse Dilma, afirmando que as gestões petistas também contribuíram com os pequenos agricultores e assentados por medidas de reforma agrária.

A visita à primeira cidade da caravana de Lula pela região Sul do país durou cerca de uma hora. Lula segue ainda hoje para Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai, onde se reunirá com José Mujica, ex-presidente do país vizinho.

Bernardo Barbosa/UOL
Manifestantes protestam em Bagé (RS) contra a caravana de Lula

Prisão pode ocorrer durante caravana

O roteiro de Lula no Sul prioriza agendas ligadas a pautas como ensino superior, agricultura familiar e reforma agrária, mas acontece sob a possibilidade de que o ex-presidente tenha sua prisão ordenada em plena viagem.

Isso porque a 8ª Turma do TRF-4 (Tribunal Regional Federal), em Porto Alegre, pode julgar o último recurso que, em tese, esgota a segunda instância para Lula. Petistas têm trabalhado com a possibilidade de que o julgamento ocorra no dia 26, quando o ex-presidente estará em Foz do Iguaçu, mas o TRF-4 ainda não confirmou em que sessão o caso será avaliado.

Após esta análise, ele pode ter o início do cumprimento de uma pena de 12 anos e um mês ordenado. Caberá ao juiz Sergio Moro, da Justiça Federal em Curitiba, expedir o mandado de prisão. Lula ainda poderá recorrer da condenação ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) e ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Enquanto Lula viaja, seus advogados tentam evitar sua prisão do com recursos no STF. Para a defesa do ex-presidente, o entendimento do Supremo que permite a prisão após a condenação em segunda instância desrespeita o princípio constitucional da presunção de inocência.

Até agora, dois pedidos foram negados em caráter liminar (temporário) pelo ministro Edson Fachin e remetidos ao plenário, mas não há data para que sejam julgados. A presidente do Supremo, Cármen Lúcia, é responsável pela pauta da Corte, mas já disse que julgar novamente a questão da prisão após a segunda instância seria "apequenar" o tribunal.

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